Hidrogeologia em foco – Entrevista

O lançamento da 2ª edição de Águas subterrâneas e poços tubulares profundos, atualizada, revista e ampliada, vem mais uma vez suprir a ausência de obras técnico-científicas na área da construção de poços tubulares profundos e da exploração das águas subterrâneas no Brasil. Convidamos os autores Carlos Eduardo Quaglia Giampá e Valter Galdiano Gonçales para falar sobre esta nova reedição e suas experiências na perfuração de poços de diversas profundidades nas mais variadas geologias do País.

ComuniTexto: Recentemente foi lançada a 2ª edição do o livro Águas subterrâneas e poços tubulares profundos, totalmente revisada e atualizada. Qual é o objetivo dessa obra? 

Carlos Eduardo Giampá e Valter Galdiano: Essa publicação, lançada primeiramente em 2006, foi a primeira produzida e editada no Brasil, contendo assuntos técnicos inerentes à nossa realidade, abrangendo tópicos relevantes como legislação, perfuração, operação de poços, entre outros.

A versão atualizada foi elaborada devido às mudanças na legislação brasileira (já que ela impacta diretamente em vários segmentos – hidroquímica, gestão etc.) –, assim como à evolução tecnológica de equipamentos, sistemas e métodos operacionais.

CT: Desde a última edição, passaram-se quase 10 anos. De lá para cá o Brasil mudou e procurou se profissionalizar mais. O livro está coerente com as tendências atuais sobre o uso conjunto das águas subterrâneas?

CEG e VG: Sim, está coerente e procura contemplar as mudanças ocorridas nesses 10 anos. Alguns capítulos não mostram essa tendência, porque tratam de situações conceituais do ponto de vista da hidrogeologia e da geologia. Outros refletem de perto as tendências e situação atual no País como, por exemplo, a legislação brasileira. De maneira geral, o número de profissionais que atuam hoje na área é maior, principalmente nas áreas de Gestão de Recursos Hídricos, o que engloba especificamente o assunto águas subterrâneas.

 CT: Esta nova edição conta com material inédito? Poderia falar um pouco mais sobre ele?

CEG e VG: A revisão e atualização de um livro produzem, naturalmente, um novo material, e, portanto, pode-se considerar que parte da obra é inédita ao agregar abordagens e fatos novos. Como é um livro de consultas, pode ser utilizado quando determinado assunto vier a ser pesquisado. Ressaltamos os itens referentes a alterações provocadas pela introdução da atual portaria do Ministério da Saúde, a MS 2914/2011 e o que ela propicie em termos de mudanças e adequações.

CT: O livro, além dos conceitos básicos e introdutórios, também se esmera na parte que as universidades em geral não cobrem com profundidade: o poço propriamente dito. Nesse contexto, qual a importância da publicação deste livro?

CEG e VG: A pergunta é muito pertinente, pois o principal meio de captação dos aquíferos – o poço tubular profundo – é tecnicamente ainda pouco conhecido, principalmente por projetistas, administradores, fiscais e gestores.

Nesse aspecto, o livro apresenta não somente conceitos, mas também a experiência prática de uma equipe que, de forma geral e por estar atuando no País há muitos anos, carrega e explicita essa bagagem.

CT: Outro ponto importante é a escassa publicação de estudos hidrogeológicos realizados, resultando na predominância de relatórios internos e, em sua maioria, com acesso restrito. A constituição de um banco de dados hidrogeológico no Brasil ainda é limitada?

CEG e VG: Sim, em parte isso é correto. De uma forma pode-se dizer que estamos recuperando o tempo perdido. A ANA e a CPRM, somados aos esforços das Secretarias Estaduais (no caso, por exemplo, do Estado de São Paulo – a ações do DAEE, da CETESB, do IG, etc.) têm realizado muitos trabalhos que resultam em publicações e materiais com boas informações.

Pode-se dizer ainda de outros trabalhos sobre situações específicas como na denominada Área Piloto do Guarani no Estado de São Paulo – em Ribeirão Preto, ou problemas de Nitrato no Aquífero Bauru. De certa maneira, isso vem ocorrendo em todo o Brasil e o que se percebe é um grande volume de dados e informações apresentados nos congressos mais recentes da ABAS e até mesmo de entidades irmãs – como ABES e SBG –, que também tornam público esses conhecimentos.

Um ponto que ainda demanda grande investimento e esforço está, no entanto, na constituição de um banco de dados específico com informações de construção de poços tubulares profundos no País. Essa situação é comum a todos os Estados e também em nível nacional.

A CPRM desenvolve atualmente um grande banco de dados nacional, porém há a necessidade dessa integração mencionada, principalmente com relação a entidades estaduais e empresas perfuradoras de poços.  É preciso investir nessa área, não somente objetivando a coleta, análise e constituição do banco de dados, como também a liberação dessas informações ao consumidor.

CT: Para finalizarmos a entrevista, a leitura e consulta deste livro visando o entendimento e a aplicação das técnicas construtivas, bem como suas legislações, é para qual tipo de profissional?

CEG e VG: Essa publicação foi orientada para ser consultada por técnicos em várias modalidades de formação profissional, oferecendo assim condições até então inexistentes.

Geólogos, engenheiros civis e sanitaristas, químicos, engenheiros e técnicos na área ambiental, tecnólogos em vários segmentos e até mesmo profissionais de outras áreas (administradores, advogados etc.) poderão utilizar com facilidade essa publicação.

 Sobre os organizadores

Carlos Eduardo Quaglia Giampá: Geólogo e pós-graduado em Hidrogeologia pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalhou na Petrobras, na Sabesp, no Daee/SP,  e Prominas/SP , entre 1973 e 1986; autou como diretor técnico da Hidrogesp até 2000; conselheiro do Crea-SP de 1995 a 2004; ex-presidente e conselheiro vitalício da Abas. Desde 1990 é sócio-diretor da DH Perfuração de Poços Ltda.

Valter Galdiano Gonçales: Geólogo formado pela Universidade de São Paulo (USP); Foi responsável técnico de perfuração da Companhia T. Janer até 1979; fundador e diretor da Hidrogesp até 2000; conselheiro do Crea/SP de 1989 a 1991; ex-conselheiro e diretor da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas). Desde 1990 é sócio-diretor da DH Perfuração de Poços Ltda.

Patrocínio                                                                                                    Parceria

 

Deixe sua opinião!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *