Alemanha bate recorde em energia solar

Na sexta-feira, dia 7, a Alemanha registrou um recorde mundial em produção de energia solar, gerando 22 gigawatts (GW) de eletricidade por hora. A quantidade seria equivalente àquelas geradas por 20 usinas nucleares funcionando em capacidade total e, segundo o Instituto das Indústrias de Energia Renovável, supriu 50% das necessidades de consumo do País até o meio dia de domingo.

A quebra deste marco ilustrou a preocupação do governo em utilizar fontes de energia renovável. Tais medidas foram tomadas após o desastre de Fukushima, no Japão, levando a Alemanha a abandonar a energia nuclear e fechar oito usinas.

Atualmente, o País tem quase a mesma capacidade de produção de energia solar que todas as outras nações do mundo juntas, e pelo menos 4% de suas necessidades anuais são supridas somente pelo sol.

Ao observar os resultados deste investimento, foi decidido que as 9 usinas nucleares que permanecem em funcionamento serão substituídas até 2022 por usinas de energia renovável, que utilizarão fontes como biomassa, vento e luz solar. Além disso, a Alemanha também pretende reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 40 por cento, em relação aos níveis de 1990, até 2020.

Fontes: Terra e O Globo

 

E no Brasil?

Primeira Usina Solar no Brasil. Fonte: Silva Porto.

Inspirados nas experiências da Alemanha, os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina realizaram um estudo voltado para a implementação de programas para produção de energia solar.

As estimativas são otimistas e os cientistas afirmaram que entre 2012 e 2013, algumas regiões do Brasil já poderão ter preços equivalentes de energia fotovoltaica e energia convencional.

Para colher estes dados, foram feitas simulações de cenários para um eventual programa solar, que tem o intuito de criar um modelo que seja interessante para investidores e que não tenha um grande impacto tarifário para o usuário final.

Fonte: Portal Inovação Tecnológica

 

Entrevistamos um dos autores do lançamento da Editora Oficina de Textos, Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica, Wilson Negrão Macêdo, para falar sobre o assunto.

Comunitexto: Neste mês a Alemanha bateu um recorde em produção de energia solar. Você acredita que é possível o Brasil se equiparar a este feito?

Wilson Negrão Macêdo: Sim, desde que a energia solar fotovoltaica seja considerada adequadamente no planejamento energético do país. Se compararmos a capacidade instalada de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica no Brasil com a capacidade instalada em países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, fica evidente que ainda estamos longe de reconhecer a tecnologia fotovoltaica como uma tecnologia com potencial para torna-se uma das fontes de eletricidade predominantes no país. O que necessitamos é o estabelecimento de regras e recomendações mais precisas e consistentes por parte dos reguladores do sistema elétrico sobre o setor, além de políticas de incentivos um pouco mais arrojadas que ajudem na disseminação da tecnologia. Apesar disso, o país tem experimentados alguns avanços importantes:- A partir da Audiência Pública ANEEL 042/2011 foram construídas as bases para Resolução Normativa No. 482/2012, que estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica e o sistema de compensação de energia elétrica.

CT: As empresas brasileiras divulgaram a preocupação em investir na produção de energia renovável, qual a importância de investir neste segmento neste momento?

WNM: No caso específico da energia solar fotovoltaica, é fundamental a existência de investimentos para alavancar não só o setor de serviços (projetos, instalação, operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos), mas também para que se consolide a indústria nacional, que é praticamente inexistente nesse setor. Porém, para que isso se concretize, é preciso que o governo sinalize por cenários mais favoráveis, buscando o desenvolvimento da cadeia produtiva de sistemas fotovoltaicos de forma segura, incentivando e orientando os rumos da demanda por essa aplicação. Já no que se refere às aplicações de pequeno porte os investimentos para tornarem sua viabilidade em larga escala ficam sujeitas a disponibilidade de formas específicas de financiamento, uma vez que empreendimentos individuais levam vários anos para se pagar. Esta aplicação pode ser empregada em residências, prédios públicos, estacionamentos, condomínios etc. Com a publicação da resolução normativa 482/2012 da ANEEL, a micro e a minigeração podem ser utilizadas a partir de abril de 2012 para compensar o consumo de energia elétrica domiciliar, trazendo descontos à conta de energia elétrica. Esse marco regulatório associado a:- redução dos custos da tecnologia; ao fato de que o Brasil possui grandes extensões territoriais com uns dos melhores índices de incidência de radiação solar do planeta, tornam o momento oportuno para atrair o interesse de investidores estrangeiros, e consequentemente aumentar a demanda por mão de obra qualificada nos próximos anos.

CT: As previsões dizem que entre 2012 e 2013, algumas regiões do Brasil já poderão ter preços equivalentes de energia fotovoltaica e energia convencional. Isso é possível? Quais seriam as regiões em que seria mais simples e com tarifas menores para implantar esse sistema?

WNM: É possível sim, principalmente na região nordeste do país onde são registrados melhores índices de incidência solar. Até o momento a redução no custo kWp instalado, e consequentemente do custo da energia produzida por esses sistemas, se deve única e exclusivamente as políticas de incentivos aplicadas em muitos países desenvolvidos, se hoje estamos chegando próximo da paridade tarifária, devemos basicamente a isso. Agora cabe ao país dar a sua contribuição promovendo mecanismos de incentivos a indústria e a inserção de geração fotovoltaica na matriz elétrica nacional. Concomitantemente, é importante promover uma atmosfera regulatória e comercial favorável à penetração da tecnologia fotovoltaica em todas as escalas, principalmente em instalações distribuídas (residenciais, comerciais, prédios públicos, estacionamentos, etc.).

CT: Quais os benefícios que implementar esse sistema traria para consumidores e para o desenvolvimento do País?

WNM: De acordo com a Resolução Normativa 482, o único benefício que o consumidor cativo tem com a aplicação distribuída é o desconto na sua conta de energia, nada mais. Já os ganhos que o país pode agregar, vão além do aumento da produção de eletricidade renovável e diversificação da matriz energética. Outros benefícios importantes como o desenvolvimento da indústria nacional e a criação de toda uma cadeia produtiva e de serviços que geram emprego, renda e produtos mais baratos, são algumas das vantagens que a geração de energia elétrica fotovoltaica pode trazer.

Tudo a ver:

O livro Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica, dos autores Marcos André Barros Galhardo, Roberto Zilles, Sérgio Henrique Ferreira de Oliveira e Wilson Negrão Macêdo, permite compreender mais sobre esta busca por energias renováveis sem criar problemas para suprir a demanda atual.

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