Arquitetura diferenciada para motivar alunos

Projetar o ambiente de ensino para dar suporte aos objetivos educacionais de uma sociedade ou comunidade é uma tarefa complexa e necessita de discussão. A configuração clássica de alunos enfileirados vem aos poucos mudando com as novas necessidades das gerações seguintes. Um bom exemplo desta mudança é a Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, em São Paulo, que passou por uma grande reforma em 2004, na qual perdeu as tradicionais paredes que separavam as salas de aula.

Os alunos passaram a ter aula em três grandes salões e a mudança, apesar de não ter sido fácil, foi positiva, conta a diretora Ana Elisa Amorim para o Portal G1, “Começamos a refletir sobre a escola que tínhamos e a escola que gostaríamos de ter. Havia dificuldades em vários níveis, professores faltavam, os alunos eram indisciplinados, a comunidade reclamava. Fomos a Portugal visitar a Escola da Ponte, onde os alunos não são divididos em classes nem em anos de escolaridade. Eles podem escolher o que estudar e com quem estudar. O modelo foi uma inspiração, que adaptamos para nossa realidade. Em 2004, derrubamos as paredes e criamos os salões. Algumas crianças e professores estranharam, porém, rapidamente percebemos mudanças positivas. As noções de solidariedade e autonomia ficaram mais fortes”, explica a professora.

Os alunos da Escola Municipal Desembargador Amorim Lima tiveram que aprender a estudar juntos (Foto: Divulgação/G1)

Segundo a arquiteta e autora Doris K. Kowaltozwski no livro Arquitetura Escolar: o projeto do ambiente construído , obra referência no conhecimento e estudos para a prática de construções voltadas ao aprimoramento do ambiente educacional, o ambiente físico escolar é, por essência, o local do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem.

O edifício escolar deve ser analisado como resultado da expressão cultural de uma comunidade, por refletir e expressar aspectos que vão além da sua materialidade. Assim, a discussão sobre a escola ideal não se restringe a um único aspecto, seja de ordem arquitetônica, pedagógica ou social: torna‑se necessária uma abordagem multidisciplinar, que inclua o aluno, o professor, a área de conhecimento, as teorias pedagógicas, a organização de grupos, o material de apoio e a escola como instituição e lugar.

Ainda segundo o livro, a discussão sobre a arquitetura escolar exige reflexões sobre a história e a evolução da sua linguagem formal e das avaliações do ambiente, que incluem o conforto dos aspectos térmico, acústico, de iluminação e funcionalidade, sem deixar de lado as questões educacionais e culturais da sociedade. Essa arquitetura nunca está desprovida de símbolos e reflexos do seu contexto cultural e deve existir como resposta à proposta pedagógica que a escola pretende adotar.

Alunos do Colégio Estadual José Leite Lopes/Nave durante atividades de ensino (Foto: Divulgação/G1)

Desenvolvido em parceria com as Secretarias de Estado de Educação do Rio de Janeiro e Pernambuco e o Instituto Oi Futuro, o programa Nave (Núcleo Avançado em Educação) mantém a estrutura clássica de salas de aula separadas, mas, alunos de séries diferentes se encontram em atividades pontuais. Ana Paula Bessa, diretora do Colégio Estadual José Leite Lopes explicou em entrevista ao Portal G1 que “os estudantes têm todas as mídias à disposição deles, além de ter aulas no laboratório. Temos que renovar as práticas, colocar os alunos em movimento. Ficar o tempo todo sentado em um espaço só não é motivador”.

Segundo o livro Arquitetura Escolar: o projeto do ambiente construído, a importância do conforto ambiental em relação à produtividade no trabalho ou na aprendizagem depende, em primeiro lugar, do projeto do edifício e de seus ajustes às atividades do usuário. Para manter a qualidade nas salas de aulas é também importante despertar um contínuo olhar crítico para o ambiente construído.

Quer saber mais sobre o tema?

Então assista o vídeo no qual a arquiteta Doris K. Kowaltowski, fala da Arquitetura escolar na TV Univesp.

Professora da Unicamp, Doris Kowaltowski, fala sobre “Arquitetura Escolar” na TV Univesp from Oficina de Textos on Vimeo.

Sobre o livro

 O livro Arquitetura Escolar, o projeto do ambiente de ensino, a partir de um histórico dos fundamentos da educação e de exemplos mundiais representativos, a pesquisadora apresenta tendências e mostra que a cumplicidade da arquitetura com a vida escolar proporciona um melhor rendimento intelectual. A ideia central é mostrar que a aplicação de metodologias específicas ajuda o arquiteto a entender seu papel singular na formulação e no detalhamento dos ambientes educacionais. Compre aqui.

 

 

Comentários

  1. sou estudante de arquitetura e estou pesquisando sobre escolas para projeto achei de gde valia a entrevista da Professora Doris

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