Arthur Chaves fala sobre nova edição de seu livro

O livro Desaguamento, Espessamento e Filtragem, último a ser reeditado este ano para completar a relevante coleção Teoria e Prática do Tratamento de Minérios, traz uma abordagem das diversas áreas do Tratamento de Minérios, percorrendo desde conceitos elementares até operações mais sofisticadas. Convidamos o Prof. Arthur Pinto Chaves, autor do livro (junto com outros colaboradores) e especialista no assunto, para falar um pouco mais sobre esta indispensável obra para todos aqueles que atuam na atividade mineral.

Comunitexto: O livro Teoria e Prática do Tratamento de Minérios – Volume 2: Desaguamento, Espessamento e Filtragem já está na quarta edição. Quais foram as principais mudanças realizadas para esta nova edição?

Arthur Pinto Chaves: A tecnologia está evoluindo sempre e é preciso acompanhá-la. Neste volume foi feita uma revisão geral e introduzido um capítulo sobre espessamento de pasta, uma nova geração de equipamentos que apareceu recentemente e trouxe mudanças importantes na técnica de espessamento e disposição de rejeitos. Não que seja uma panaceia universal, mas o seu surgimento forçou a evolução também de soluções alternativas (também discutidas no livro) que revolucionaram o estado da arte.

CT: O desaguamento é uma parte fundamental no tratamento de minérios, mas pode ser usado em todos os casos de tratamento?

APC: Sim. O desaguamento é a remoção da água em excesso. Pode ser utilizado para qualquer outro tratamento de sólidos granulados, por exemplo, em grãos (agricultura). Os equipamentos são os mesmos, mas é claro que, para mineração precisam ser muito mais robustos.

CT: Quais as vantagens do desaguamento em relação à secagem? Quando optar por um ou outro?

APC: A secagem é usada quando se deseja umidade zero ou próxima disso. Ela exige o uso de calor, sendo por isto, cara. O desaguamento utiliza apenas recursos mecânicos. Ele não leva à umidade zero, mas é muito mais barato que a secagem.  Muitas vezes, deságua-se o material para depois secá-lo.

CT: O senhor pode contar um pouco sobre a escolha dos equipamentos para desaguamento? O que se deve verificar por ser de extrema importância neste processo?

APC: A escolha depende das características do minério ou concentrado ou rejeito, especialmente da sua distribuição granulométrica (tamanho das partículas). Depende ainda da quantidade de água presente. Se o minério estiver em suspensão em água (polpa) é necessário espessá-lo inicialmente. Se as partículas são mais grosseiras, o desaguamento em peneiras desaguadoras é muito eficiente. Finalmente, a combinação de métodos como por exemplo, o desaguamento inicial em ciclones desaguadores e o desaguamento do overflow dos ciclones em espessador, é uma combinação muito bem sucedida.

CT: O objetivo do espessamento é obter um material adensado. Qual o máximo de adensamento que se pode obter por meio desta técnica e por quais motivos isso ocorre?

APC: O adensamento máximo pode depender tanto das características do material como da possibilidade de bombeá-lo depois de espessado. Minérios de ferro, por exemplo, ficam tão espessos que se tornam rígidos, impossíveis de serem manuseados por bombas.

CT: Há uma diferença entre clarificação e espessamento. O senhor pode falar mais sobre esta diferença e em quais casos aplicar cada um?

APC: A clarificação é uma operação típica do tratamento de águas. Interessa o overflow (líquido transbordante) mais limpo (clarificado) possível. A qualidade e o adensamento do underflow é uma preocupação secundária. Já no espessamento, o que interessa é o adensamento do underflow, que deve ser otimizado em função do compromisso entre o máximo adensamento e a possibilidade de bombeá-lo. Não que não interesse a qualidade do overflow, que precisa ser limpo devido a restrições ambientais, mas o foco do processo é o underflow.

CT: É mencionado no livro que nunca se deve estocar material em um espessador por gerar problemas. Cite como foi descoberto este problema e como alguns casos em que isso ocorreu.

APC: Este problema foi identificado a partir do erro de se deixar o material sólido acumular-se dentro do espessador. Ele sedimenta no fundo do equipamento, compacta-se e não pode mais ser removido pelo próprio espessador. É necessário então parar toda a operação e retirar o material acumulado. Isto já aconteceu em diferentes usinas. Numa usina de fosfato foi necessário colocar dentro do espessador uma retro-escavadeira.

CT: Fale um pouco sobre os diferentes tipos de filtragem e onde pode-se usar cada um deles.

APC: Em princípio, a filtragem de minérios deve ser sempre feita a vácuo, porque é muito mais fácil trabalhar com este tipo de equipamento (filtros a vácuo) do que com os filtros de pressão. Desta forma, sempre que possível, trabalha-se com filtros a vácuo. Quando isto não é possível trabalha-se com os filtros-prensa ou verticais. Isto acontece com materiais muito finos, como cemento de cobre ou de ouro, lama vermelha, caulim e concentrados extremamente finos.

CT: Por fim, quais são os principais benefícios de trabalhar com as técnicas de desaguamento, espessamento e filtragem?

APC: No transporte de concentrados, o benefício mais imediato é deixar de transportar uma tonelagem de água que pode chegar a ser significativa. Na disposição de rejeitos, é a recirculação de uma quantidade significativa de água que não precisa ir até a barragem de rejeitos para ser recuperada. Finalmente, existem materiais que apresentam um comportamento tixotrópico (liquefação) quando o valor da umidade excede um valor crítico.  Não podem, por exemplo, ser transportados em navios.

Tudo a ver:

Coleção Teoria e Prática do Tratamento de Minérios, Volume 2 em nova ediçãoO livro Teoria e Prática do Tratamento de Minérios Vol. 2 – Desaguamento, Espessamento e Filtragem é uma obra atual e abrange temas como introdução ao desaguamento mecânico; equipamentos e mecanismos de espessamento; dimensionamento de espessadores; prática operacional; mecanismos de filtragem; meios filtrantes; dimensionamento de filtros; reagentes auxiliares e aspectos teóricos da filtragem e do desaguamento. O lançamento da nova edição está previsto para agosto.

Arthur Pinto Chaves: possui graduação em Engenharia Metalúrgica pela Universidade de São Paulo, onde também obteve os títulos de Mestre em Tecnologia Mineral, Doutor, Livre-Docente e Titular. Possui também pós-doutorado pela Southern Illinois University at Carbondale (EUA). Foi professor colaborador no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trabalhou do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) e ocupou cargos estratégicos em diversas empresas de Engenharia, como gerente de processos minerais da Paulo Abib Engenharia, gerente de planejamento e desenvolvimento das Empresas Brumadinho e gerente de operações e mercado da Promon Engenharia. Atualmente é professor titular no Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da USP.

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