As Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs

A energia elétrica, baseada em sua aplicação comercial, foi determinante para a economia e o desenvolvimento social. Embora inicialmente tenha se usado a energia hidráulica de baixa potência com geradores de corrente contínua, posteriormente conseguiu-se aumentar a potência e a capacidade de transmissão utilizando geradores de corrente alternada.

A geração com pequenas centrais hidrelétricas – PCHs – primou até meados do século XX quando, a fim de somar esforços, tomou-se a decisão de substituir as PCHs por grandes projetos e interligá-los para criar um sistema energético nacional. Porém, o monopólio do Estado deu lugar a diversos problemas, como ineficiências técnicas e econômicas, que em conjunto com o endividamento, colocaram as finanças do setor elétrico em condições precárias. O Estado deixou de ser o monopólio e tornou-se a entidade reguladora do serviço de energia elétrica.

No Brasil, em zonas com baixa densidade demográfica, como as rurais, a energia elétrica é gerada com conjuntos de geradores autônomos, que têm elevado custo de operação (por causa da dificuldade do transporte de combustível), e um serviço pouco confiável (a manutenção não é realizada por pessoal capacitado). Além disso, não permite o desenvolvimento atual das comunidades isoladas, e está condicionada a médio prazo pela autossuficiência petroleira e capacidade de refino de cada Estado.

O aproveitamento hidroenergético continua sendo, então, fator determinante no desenvolvimento socioeconômico de comunidades nas zonas não interligadas (ZNI) ao sistema energético nacional, visto que muitas estão próximas a beira de rios e a utilização deste recurso para gerar energia elétrica permite à comunidade melhorar seu nível de vida podendo preservar e preparar alimentos, dispor de serviços públicos básicos, impulsionar o seu desenvolvimento agroindustrial e/ou pesqueiro, dentre outros. Além disso, este tipo de geração obriga a comunidade a preservar a bacia hídrica, que é sua fonte energética.

Para identificar o alcance de fornecimento de energia elétrica de uma PCH a uma comunidade na América Latina, a Organização Latino-americana e Caribenha de Energia, OLACDE, em função da capacidade instalada e do tipo de usuário, propôs a classificação indicada abaixo:

Tipo

Potência (kW)

Usuário

Picocentrais (PicoCHs) 0,5 e 5 Fazenda ou similar
Microcentrais (MicroCHs) 5 e 50 Casario
Minicentrais (MiniCHs) 50 e 500 Cabeceira municipal
Pequenas Centrais (PCHs) 500 e 10.000 Município

Classificação para pequenos aproveitamentos hidroenergéticos segundo a capacidade instalada e o tipo de usuário nas ZNIs (fonte: OLACDE)

Apesar dos benefícios que uma PCH pode trazer, o custo por quilowatt instalado costuma ser elevado em comparação com os custos internacionais, principalmente por causa do transporte e também de gastos derivados da importação de equipamentos, que, de acordo com a experiência da International Energy Commission, pode chegar a 50% do custo do projeto.

pequenas-centrais-hidreletricas-01132cAprofundando o assunto, um dos próximos lançamentos da Editora Oficina de Textos será o livro Pequenas Centrais Hidrelétricas, uma tradução da obra de Ramiro Ortiz Flórez, que deverá ser lançado ainda este ano (para ser avisado da disponibilidade, clique aqui  e cadastre seu e-mail em “Avise-me”).

Dada a importância que se requer ao decidir pela construção de uma PCH para realizar o dimensionamento de uma pequena central hidrelétrica com critério técnico e econômico, o livro traz informações necessárias para o dimensionamento de uma PCH, com base em conhecimentos elementares de hidráulica, mecânica e de máquinas elétricas, complementados com aplicações SIG para avaliação de recursos higroenergéticos e o uso de máquinas reversíveis.

Deixe sua opinião!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *