Biodiversidade: Dados e Alertas

Apesar de sabermos sobre a importância da biodiversidade para a conservação do planeta, a atividade humana vem causando extinções maciças e esta perda é, atualmente, uma das ameaças reais mais importantes enfrentada pela humanidade, inserida em um contexto de grandes mudanças climáticas globais e de forte pressão para o aumento da produção de alimentos.

Um importante relatório, Millennium Ecosystem Assessment, revelou uma perda substancial e, em grande parte, irreversível na diversidade da vida na Terra, com cerca de 10-30% dos mamíferos, aves e anfíbios ameaçadas de extinção, devido às ações humanas.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), órgão de grande importância, constatou que muitas espécies estão ameaçadas de extinção, nas quais:

  • 75% da diversidade genética das culturas agrícolas foram perdidas;
  • 75% da pesca do mundo estão totalmente explorados;
  • Até 70% de risco de extinção de espécies conhecidas do mundo se as temperaturas globais subirem mais de 3,5 °C;
  • 1/3 dos corais construtores de recifes ao redor do mundo estão ameaçados de extinção;
  • Mais de 350 milhões de pessoas sofrem escassez severa de água.

As intervenções para conservação têm reduzido o risco de extinção de algumas espécies, porém, um número cada vez maior está mais próximo da extinção. O Índice da Lista Vermelha da IUCN (ILV), que acompanha o risco médio de extinção de espécies ao longo do tempo, mostra que todos os grupos avaliados para o risco de extinção estão cada vez mais ameaçados.

Proporção de espécies em diferentes categorias de ameaça.
Fonte: IUCN, gráfico retirado da publicação do Terceiro Panorama da Biodiversidade Global na Convenção sobre Diversidade Biológica (2010), p. 27.

Segundo dados levantados no Terceiro Panorama da Biodiversidade Global da ONU em 2010, a taxa de perda de biodiversidade não foi reduzida, pois as 5 principais pressões sobre a biodiversidade persistem quando não intensificadas, são elas:

  1. Perda e degradação do habitat
  2. Alterações climáticas
  3. Carga excessiva de nutrientes e poluição
  4. Sobrexplotação e uso não sustentável
  5. Espécies exóticas invasoras

Para os ecossistemas terrestres, a perda de habitats é em grande parte devido à conversão de terras silvestres para a agricultura, que hoje reponde por 30% das terras da superfície global, enquanto que para os ecossistemas de água de interiores, a perda e a degradação de habitats são amplamente justificadas pelo uso não sustentável da água e pela drenagem para conversão a outros usos da terra como a agricultura e assentamentos.

No quadro a seguir é possível visualizar o número e a proporção de espécies em diversas categorias de risco de extinção nesses grupos taxonômicos que foram avaliados completamente, ou (para libélulas e répteis) estimados a partir de uma amostra aleatória de 1.500 espécies cada. Para corais, apenas espécies de água quente formadoras de recifes são incluídas na avaliação. Espécies classificadas como Vulneráveis, Em Perigo ou Criticamente em Perigo são consideradas ameaçadas de extinção.

Situação de ameaça de espécies em grupos taxonômicos avaliados completamente. Fonte: IUCN, gráfico retirado da publicação do Terceiro Panorama da Biodiversidade Global na Convenção sobre Diversidade Biológica (2010), p. 28.

No Brasil

Recentemente, em passagem pelo Brasil na Reunião Regional da América Latina e Caribe realizado pela FAPESP em junho deste ano, Zakri Abdul Hamid, presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES, na sigla em inglês), órgão que tem por objetivo organizar o conhecimento sobre a biodiversidade no mundo para subsidiar decisões políticas em âmbito mundial, chamou a atenção da perda da biodiversidade. Segundo dados apresentados por ele, “cerca de 75% da diversidade genética de culturas agrícolas foi perdida no último século. Um dos fatores responsáveis por isso foi o cultivo, por agricultores de todo o mundo, de variedades geneticamente uniformes e de alto rendimento e o abandono de muitas variedades locais.”

Avaliação foi feita por Zakri Abdul Hamid, presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas, na abertura da primeira reunião regional do órgão, na FAPESP. Foto: Edu César – Agência FAPESP.

A América Latina, por causa de sua alta biodiversidade, vem ganhando importância dentro do cenário da conservação de unidades biológicas: “Como são regiões ricas em biodiversidade e diversidade cultural, a América Latina e o Caribe podem desempenhar um papel importante na definição do caminho a ser seguido pelo IPBES”, afirmou Hamid. “Além disso, [as regiões] também possuem instituições respeitadas, como a Comissão Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade (Conabio), do México, o Instituto Humboldt, da Colômbia, e a FAPESP, no Brasil” disse Hamid em entrevista a Agência Fapesp.

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