Cientistas descobrem novo mapa do DNA

O Projeto Enciclopédia de Elementos do DNA (Encode), comandado por mais de 440 cientistas de 9 países, anunciou a descoberta de um gigantesco mapa de comandos genéticos,  descrevendo o que cada combinação faz e como.

Os pesquisadores estudavam o chamado “DNA Lixo”, partes de DNA que não carregam genes com instruções para produção de proteínas, quando perceberam que ao menos 80% destes são ativos e têm um papel fundamental no controle das células.

Até então, acreditava-se que apenas uma parcela de 2% do DNA era funcional, por terem funções voltadas para o controle das cores dos olhos, o tipo sanguíneo e outros fatores. Outra mudança significativa que esta descoberta irá promover é a obtenção de dados mais específicos sobre diversas doenças, implicando em novos e mais efetivos tratamentos para Alzheimer, câncer, diabetes, lúpus e muitos outros distúrbios.

Para chegar a estas conclusões, foram analisados todos os 3 bilhões de pares de código genético que compõem o DNA, mas apesar da importância da descoberta, os cientistas envolvidos afirmam que ainda existem muitas coisas para serem analisadas.

Fontes: BBC Brasil, Gazeta do Povo, G1

Para falar mais sobre o assunto, entrevistamos um dos pioneiros da genética  Francisco M. Salzano, autor de Dna, e eu com isso? e do lançamento Genômica e Evolução.

Comunitexto: O Projeto Enciclopédia de Elementos do DNA, descobriu que aquilo que era considerado “DNA Lixo” tem papel  fundamental no controle das células. Como você acha que isso irá impactar na ciência a curto prazo?

Francisco M. Salzano: O Projeto mencionado vem se constituindo, há muitos anos, em ferramenta importante de referência quanto às funções de diferentes regiões do DNA, e agora está considerando porções não codificadoras de nosso genoma. A iniciativa é importante e deverá se refletir em um melhor conhecimento de como agem os genes, tanto a curto quanto a médio e longo prazo.

CT: Uma das expectativas é que estas descobertas possam ser utilizadas para melhorar o tratamento de doenças no futuro.  Qual sua opinião sobre isso? Existem outros impactos à longo prazo?

Francisco M. SalzanoRealmente, o conhecimento que está sendo obtido poderá proporcionar melhorias no tratamento de doenças genéticas. Mas esses tratamentos envolvem processos não triviais de investigação. Portanto, o impacto dessas novas informações só poderá ocorrer a longo prazo.

CT: O Senhor acredita que ainda existe muito a ser feito em relação às pesquisas desses códigos genéticos recém-descobertos? Em sua opinião, quanto tempo levaria de fato para que os impactos fossem significativos na vida das pessoas?

Francisco M. SalzanoSim, ainda existe muito a ser feito; mas no presente estágio de nosso conhecimento qualquer predição específica quanto a tempo seria temerária. Há todo um caminho a percorrer entre resultados de laboratório, testes pré-clínicos e clínicos, até a disponibilidade de um medicamento junto ao público. E para que ele tenha um impacto na vida das pessoas, existem outras variáveis que têm de ser consideradas, como o custo do mesmo e, portanto, a possibilidade de seu uso pelas camadas menos privilegiadas da população. O importante é que trabalhos como estes continuem a ser apoiados, mesmo considerando todas essas variáveis.

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