Confira entrevista com Emerson Granemann da MundoGEO

Segundo o site Guia do Estudante, o mercado para engenheiros agrimensores, engenheiros cartógrafos e geógrafos tem passado por um crescimento, tanto nos setores públicos quanto nos privados. Entre as áreas que ganharam maior destaque estão àquelas voltadas para sensoriamento remoto, geoprocessamento, engenharia espacial e mapeamentos.

E para abordar um pouco mais sobre as novidades destes mercados, entrevistamos o Emerson Zanon Granemann, diretor e Publisher da MundoGEO, líder na América Latina em soluções integradas de mídia e comunicação para o setor geoespacial e de localização. Confira abaixo.

COMUNITEXTO: Quais as principais novidades em tecnologia de Sensoriamento Remoto que foram ou serão apresentadas esse ano?

EMERSON ZANON GRANEMANN: A tecnologia de Sensoriamento Remoto sempre esteve vinculada inicialmente a aviões e posteriormente a satélites como plataformas coletoras onde os sensores se instalam. Sem dúvida a grande novidade atual neste setor são os Vants e Drones, que são veículos aéreos de pequeno formato e não tripulados que levam sensores para captar imagens para muitas aplicações como mapeamentos ambientais, monitoramento de estruturas, controle de deslocamentos de terra, multidões em grandes eventos e tráfego entre outras. Destaco que o grande diferencial desta solução e a velocidade da coleta de dados, barateamento dos serviços  e possibilidade de visualização online dos dados.

CT: Como está o mercado para profissionais que desejam seguir a área?

EZG: Está muito promissor, principalmente para os três tipos de profissionais que tem habilitação mais específica para esta área que são os engenheiros agrimensores, engenheiros cartógrafos e geógrafos.

CT: Algumas mudanças nas leis criaram um novo mercado para os geógrafos, como a legislação de Certificação de Imóveis Rurais. Como esta lei impacta no mercado?

EZG: A Certificação dos Imóveis Rurais vem exigindo dos profissionais não só conhecimentos técnicos, mas de estudo de documentação dos imóveis. Este experiência de atuar como perito nem sempre esta incluída nos currículos das universidades. Esta exigência do INCRA tem aquecido o mercado não só para os geógrafos, mas para os demais profissionais que se habilitam para este tipo de serviço através de cursos reconhecidos por entidades competentes.
CT: Além dela, existem outras mudanças as quais os profissionais devem ficar atentos? A MundoGEO pensa em promover mais cursos de especialização conforme surjam mudanças deste tipo? 

EZG: O impacto das mudanças na legislação e das novas tecnologias requer uma necessidade constante de atualização profissional. A MundoGEO esta lançando neste semestre uma plataforma de cursos a distância, inicialmente informativos e de curta duração, cuja proposta é de introduzir estas novidades os profissionais de várias formações que atuam na área de coleta, processamento e análise da informações geoespaciais. Nossos cursos começam com o tema GIS apresentando conceitos e oferecendo como opção de treinamento prático softwares comerciais e livres. Mias adiante lançaremos outros cursos introdutórios nas áreas de Automação Topográfica, Sensoriamento Remoto e Cartografia e no futuro cursos mais especializados em soluções mais verticais como meio ambiente, planejamento territorial, cadastro entre outros.

CT: O evento MundoGEO Connect em 2013 terá mais de 15 atividades, como seminários, eventos especiais e cursos. Muitos dos temas foram escolhidos pelos próprios visitantes, o senhor pode contar mais sobre esta iniciativa?

EZG: Faz parte do DNA da MundoGEO manter uma ligação estreita com a comunidade de soluções geoespaciais, para isso temos a revista, o portal, os webinars e as redes sociais. O evento MundoGEO#Connect é nosso principal projeto e procuramos formatá-lo usando todos os nossos canais para interagir com a comunidade através de conversas, pesquisas e analise dos comentários que recebemos. Percebemos por exemplo que a comunidade deseja no evento saber mais das novidades tecnológicas, ouvir tendências e opiniões. Deixando de lado as abordagens mais de casos de sucesso ou de palestras muito técnicas. Isto fez que não tivéssemos mais palestras longas, muito técnicas e formais e sim mais painéis com apresentações curtas, mais descontraídas, com menos telas de power point e com mais espaço para interações.

CT: Quais serão as principais novidades da terceira edição do evento?

EZG: São muitas mesmo, pois  as tecnologias não param de mudar. Mesmo assim destaco os painéis e cursos de IDE – Infraestrutura de Dados Espaciais, tema que esta sendo discutido e implementado em todo o mundo, buscando facilitar o compartilhamento e distribuição dos dados geoespaciais. Destaco também o seminário de Vants que terá a presença do governo que esta sendo pressionado a acelerar a legislação para homologar os levantamentos. Além do Seminário de GIS que terá como assunto principal o tema Big Data e o processamento e distribuição de dados pelas nuvens. Outro tema de destaque será a apresentação do projeto CAR – Cadastro Ambiental Rural e dos seus desdobramentos que promete uma verdadeira revolução no mercado, ainda mais impactante que a Certificação dos Imóveis Rurais. E por fim o evento apresenta dois eventos paralelos como grandes novidades em relação aos anteriores. O Fórum de Geointeligência para Segurança e Defesa e o Location Intelligence Brazil, evento de origem americana que acontece pela primeira vez no Brasil. Este último tem como público alvo os profissionais ligados ao setor de seguros, imobiliário, varejo, bancário e negócios em geral.

CT: Ainda na programação do evento haverá um Encontro de Integração – Governo, Universidade e Empresas para debater as atividades de pesquisa e desenvolvimento no setor de geotecnologia. Em sua opinião, quais são os temas que mais necessitam de atenção por parte das iniciativas públicas e privadas?

EZG: Criamos este evento justamente para mostrar o que vem sendo feito de projetos em conjunto. Sabemos que existem poucos e desejamos dar visibilidade a eles para que inspirem outras iniciativas. Estreitar a distância entre o ambiente acadêmico e o setor privado para produzir melhores soluções para os usuários é fundamental para o país. Como exemplo, podemos citar as prefeituras do Brasil, setor que mais de utiliza das geotecnologias para planejamento e arrecadação. Muitos são os casos de projeto mal sucedidos pelo desconhecimento das melhores soluções por parte da equipe técnica da prefeitura. As universidades junto com as empresas podem desenvolver opções que sirvam de acordo com as necessidades e disponibilidades das prefeituras. Soluções obtidas através de dados de sensores transportados por Vants, também podem ser validados ou não pelas universidades.

Tudo a ver

Para se aprofundar nos assuntos abordados nesta entrevista, confira alguns os livros de sensoriamento remoto e geografia da Oficina de Textos abaixo:

O livro Análise da Paisagem com SIG oferece ao público brasileiro uma metodologia particularmente pertinente ao País. Com extenso território, riqueza de paisagens de grande valor ecológico e graves lacunas em levantamentos primários, os métodos da geoinformática associados à aquisição de dados de forma remota ― facilmente disponíveis, permitem avaliar as estruturas da paisagem, subsidiando as tomadas de decisão e o processo de planejamento e monitoramento ambientais. Os autores Dr. Stefan Lang e Dr. Thomas Blaschke são geógrafos, cientistas e especialistas em SIG, Geoinformática, Ecologia de Paisagens e Planejamento Ambiental. Atualmente estão ligados à Universidade de Salzburg e têm atuação internacional.

A obra Conservação da biodiversidade com SIG aborda diferentes projetos de conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável, como o planejamento espacial de áreas protegidas, modelagens de alterações no uso e na cobertura do solo, e o desenvolvimento de planos de manejo para espécies ameaçadas apóiam-se em Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Referência sobre os estudos e práticas mais atuais na aplicação de SIG em projetos de conservação, atenderá a pesquisadores, conservacionistas e usuários de SIG em organizações não governamentais, universidades e centros de pesquisa, assim como empreendedores ambientais, líderes comunitários e populações indígenas.

Já a 2ª edição do livro Sensoriamento remoto da vegetação atualiza os principais conceitos relacionados à área, como comportamento espectral das plantas; aparência da vegetação em imagens multiespectrais; técnicas de processamento de imagens; modelo de mistura espectral; índices de vegetação; um novo capítulo sobre dados de radar no estudo da vegetação. Para ilustrar os conceitos apresentados, a obra discute sua aplicação em casos reais.

E a obra Geoprocessamento sem Complicação, de Paulo Roberto Fitz, atende à crescente popularização do sensoriamento remoto para aquisição de dados por meio das imagens de satélite, em programas televisivos e via Google Earth. Mostra desde a conceituação das bases de dados para a construção de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), a estrutura de um SIG, seu comportamento e suas principais funções, até as técnicas de geoprocessamento, sem descuidar da base cartográfica e dos critérios de decisão que alimentam o processamento.

Para acessar a seção de Sensoriamento Remoto, é só clicar aqui. Já para a área de Geografia, clique aqui.

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