Derisio fala sobre normas da série ISO 14000

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, mais de 90% dos municípios brasileiros não produziram um plano para tratamento de lixo e resíduos industriais, fator que leva à contaminação de rios, solos e ar. Os dados do Ministério também mostram que apenas 291 cidades têm planos para manejo de poluição industrial.

Uma das formas de conter estes problemas ambientais consiste na adoção de sistemas de gestão ambiental, atualmente regulados com base nas normas ISO 14001. E para contar um pouco mais sobre a importância desta norma nas indústrias, José Carlos Derisio, mestre em Engenharia de Qualidade das Águas pela Universidade de Washington (EUA) e especialista e auditor ambiental em ISO 14001 e em OHSAS 18001 para a certificadora ABS/QE, concedeu uma entrevista ao Comunitexto. Confira abaixo!

Comunitexto: Quando a série ISO 14.000 foi implantada? O senhor pode contar um pouco mais sobre ela?

José Carlos Derisio: A série ISO 14000 em 1992. Essa série de normas fornece ferramentas e estabelece um padrão de sistema de gestão ambiental (SGA). O SGA pode ser entendido como parte da gestão de uma organização utilizada para desenvolver e implementar sua política ambiental e para gerenciar seus aspectos ambientais.

Essa série de normas abrange seis áreas (subgrupos da ISO 14000) bem definidas a saber:

  • Sistema de Gestão Ambiental – SGA (Reino Unido);
  • Auditorias Ambientais (Holanda);
  • Avaliação de Desempenho Ambiental (EUA);
  • Rotulagem Ambiental (Austrália);
  • Aspectos Ambientais nas Normas de Produtos (Alemanha); e
  • Análise do Ciclo de Vida do Produto (França).

A coordenação de cada área exercida pelos mencionados países não é desenvolvida em caráter permanente, podendo ser alterada ao longo do tempo. As três primeiras áreas estão mais diretamente relacionadas com a avaliação da organização enquanto que as três últimas com a avaliação do produto.

Assim foram previstas normas para essas seis áreas de acordo com a seguinte distribuição numérica:

  • De 14.001 a 14.009 – Sistema de Gestão Ambiental;
  • De 14.010 a 14.019 – Auditorias Ambientais;De 14. 020 a 14.029 – Rotulagem Ambiental;
  • De 14.030 a 14.031 – Desempenho Ambiental;
  • De 14.040 a 14.049 – Análise do Ciclo de vida do Produto;
  • De 14050 a 14059 – Termos e Definições

CT: Foi criada também a ISO 14001, editada pela ABNT, especificando os pontos que compõem um sistema de gestão ambiental e permitindo desenvolver políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Quando foi a primeira edição? E como está hoje?

JCD: A ISO 14001 teve sua primeira edição em 1996 e a primeira revisão realizada em 2004. Atualmente nova revisão encontra-se em processo com previsão para 2014. Essa é uma norma internacional não compulsória e que vem sendo adotada por diversas empresas incluindo indústrias, prestadores de serviços e órgãos de governo.

CT: Existem normas semelhantes em outros Países?

JCD: No Brasil a edição dessa norma é realizada através da ABNT e ela é a mesma em todos os outros países do mundo que a utilizam. Portanto as empresas certificadas na ISO 14001 possuem um sistema de gestão comparável em qualquer local no Brasil e fora de nosso país. A ISO 14001 é a única norma que contém requisitos que podem ser objetivamente auditados para fins de certificação/registro ou autodeclaração. A ISO 14004 tem com objetivo maior o fornecimento de assistência à organização na implementação ou no aprimoramento do Sistema de Gestão Ambiental.

CT: Qual a importância de desenvolver um Sistema de Gestão Ambiental?

JCD: Como principais vantagens de um sistema de gestão ambiental estabelecido com base na ISO 14001:04 podemos mencionar:

  • Diferencial competitivo: melhoria da imagem, aumento da produtividade e conquista de novos mercados.
  • Melhoria organizacional: gestão ambiental sistematizada, integração da qualidade ambiental à gestão dos negócios da empresa, conscientização ambiental dos funcionários e relacionamento de parceria com a comunidade.
  • Minimização de custos: eliminação de desperdícios, conquista da conformidade ao menor custo e racionalização dos recursos humanos, físicos e financeiros.
  • Minimização dos riscos: segurança legal, segurança das informações, minimização dos acidentes e passivos ambientais, minimização dos riscos dos produtos e identificação de vulnerabilidades.
  • O uso dessa norma internacional tem promovido uma maior prevenção em termos de controle da poluição, a melhoria continua em relação as atividades, produtos e serviço das empresas assim como a implementação de medidas no sentido de atender todas as legislações e outros requisitos aplicáveis  à empresa.

CT: Quais as mudanças que estes sistemas já promoveram e quais são as expectativas para o futuro em relação aos SGAs e normas ISO?

JCD: Creio que os maiores ganhos estão voltados para a maior conscientização de todos os envolvidos no sistema de gestão ambiental, com benefícios ambientais para a comunidade como um todo. A nossa expectativa futura é do crescimento no processo de implantação do sistema de gestão ambiental com base nessa norma que tem se mostrado eficaz nas empresas que adotaram essa norma.

Tudo a ver

Os sistemas de gestão ambiental e as normas que os regulam podem ser vistas no livro Introdução ao Controle de Poluição Ambiental.

A obra também aborda os principais usos da água, do ar e do solo; os tipos de poluição que os afetam e os danos provocados; parâmetros e métodos para avaliação de qualidade; técnicas de controle de poluição; e aspectos legais e institucionais.

Leitura obrigatória para todos os que atuam na área ambiental, principalmente aos que militam no setor produtivo e têm consciência de sua responsabilidade, buscando racionalizar a produção, diminuindo o desperdício de insumos, reduzindo a geração de resíduos e otimizando a reciclagem.

Deixe sua opinião!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *