Desmatamento e o futuro da Amazônia

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou nesta semana novos dados sobre o desmatamento na Amazônia, coletados pelo Deter, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real baseado em satélites.

Segundo o Instituto, a degradação na Amazônia somou aproximadamente 465 km² durante o mês de maio. Confira abaixo uma tabela com a distribuição das áreas de alerta, em que imagens do Deter apontam desmate, e dos percentuais de cobertura de nuvens nos estados da Amazônia Legal, fator que interfere na observação por satélite:

Tabela Deter_Legenda_Fonte INPE

Tabela desenvolvida pelo DETER. Fonte: INPE

Este sistema de monitoramento é utilizado pelo INPE desde 2008 e os resultados, embora sejam divulgados para o publico bimestralmente, são enviados quase diariamente ao IBAMA. O intuito é qualificar e caracterizar os dados relacionados ao processo de desmatamento. Veja um mapa com os pontos em que foram emitidos alertas:

Mapa de nuvens e alertas. Fonte: DETER/INPE

Mapa de nuvens e alertas. Fonte: DETER/INPE

Para chegar nestes mapas e gráficos são usadas imagens de sensores a bordo dos satélites Landsat ou ResourceSat-1 (20-30m resolução) adquiridas em período equivalente ao das imagens Modis (250m resolução). Com eles, o Deter pode obter uma qualificação amostral em relação ao desmate. Neste último período de verificações, revelou-se que a porcentagem de degradação florestal em seus três estágios (alta, moderada e leve) atingiu 78% do total avaliado, enquanto na média de maio de 2008 a fevereiro de 2013 essas classes representam apenas 26%, como ilustrado abaixo:

Gráfico mostra resultado da avaliação dos dados do DETER conforme classificação de tipo e intensidade do desmatamento

Gráfico mostra resultado da avaliação dos dados do DETER conforme classificação de tipo e intensidade do desmatamento. Fonte: DETER/INPE

Os números apontados pelo DETER são importantes indicadores para os órgãos de controle e fiscalização, sendo disponibilizados ao publico no site oficial do sistema (clique aqui para acessar).

Fontes: INPE e MundoGEO

O que esperar em relação ao futuro da Amazônia?

Para constituir a Amazônia sul-americana como espaço de preservação, de modo que todos os habitantes do planeta visualizem a floresta como inesgotável fonte de vida, é necessário organizar a estrutura da região tanto para representar as pessoas que ali habitam quanto para proteger todos os elementos que constituem a riqueza natural deste espaço.

Segundo o livro Um Futuro para a Amazônia, o desenvolvimento de habitações na floresta, com garantias de uma cidadania plena e aproveitamento das capacidades e habilidades das populações segundo as respectivas culturas para utilizar os recursos da natureza sem destruí-la, pode contribuir para a manutenção da floresta.

Trabalhar com a convergência das tecnologias junto com os conhecimentos tradicionais também pode ser produtivo, capaz de gerar inovações, inclusive políticas, produzindo um modelo único de região tropical desenvolvida no planeta. Isto pode ser dar por meio de infovias, as estradas da informação usadas para controlar o desmatamento e conectar digitalmente diferentes municípios da região, fortalecendo a inserção do Brasil e dos países amazônicos no mundo globalizado com autonomia.

Outro fator que deve ser analisado está na relação do agronegócio com a região, atualmente, os maiores perpetradores de violência social e ambiental na Amazônia. Um novo quadro poderia ser delineado se houvesse interferência institucional para estimular inovações relacionadas ao setor, buscando alternativas sustentáveis, além da definição de regras e fiscalização intensa para garantir o cumprimento das mesmas.

A obra Um Futuro para a Amazônia, delimita estas como oportunidades únicas para criar um novo padrão de desenvolvimento regional e, mesmo, nacional. Com isso, pode-se atender às reais metas de desenvolvimento sustentável, permitindo o envolvimento da população e a implantação de um planejamento integrado.

Tudo a ver

A Amazônia adquiriu valor simbólico para o futuro da humanidade, pelo seu potencial e também pela oportunidade que passou a representar para o mundo. Sua contribuição para o clima global é hoje objeto de grande preocupação.

Com um olhar geopolítico sobre a Amazônia, este livro tem como ambição mostrar que o futuro desejado é possível, mas qual o caminho para o futuro desejado para a Amazônia? Os autores Bertha Becker, geógrafa, vencedora do prêmio Jabuti em 2008 e pesquisadora da região há mais de 30 anos, e Cláudio Stenner, geógrafo, gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pesquisador em geopolítica da Amazônia na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), com suas visões originais da floresta urbanizada, respondem a essa questão. O livro desperta e alerta os leitores para a importância do conhecimento científico. Um Futuro para a Amazônia é um convite para que você conheça propostas inovadoras de desenvolvimento. Uma questão que diz respeito a todos nós.

É com muito pesar que a Editora Oficina de Textos informa o falecimento, no último sábado, da brilhante geógrafa Bertha Becker. Confira aqui uma nota sobre este triste acontecimento.

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