Dicas para reaproveitamento de água

De acordo com dados do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, o Brasil possui 15% da água doce superficial do planeta, mas a distribuição deste recurso é desigual: enquanto a região norte possui 68% da água do País, o nordeste tem apenas 3% destes recursos. Outro problema enfrentado é a baixa disponibilidade de água potável, considerando que 45% da população não tem acesso aos serviços de água tratada.

Estes fatos ilustram a necessidade de reaproveitar a água em ambientes domésticos e industriais, responsáveis por 22% e 19% do consumo brasileiro, respectivamente. No mundo, estes números são um pouco maiores e estima-se que 900 milhões de pessoas já vivam privadas do consumo livre de água. Abaixo, você confere um infográfico publicado no jornal O Dia com o consumo mundial de água:

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Segundo a obra Água na Indústria: Uso Racional e Reúso, a crescente demanda por produtos industrializados (como visto no gráfico acima), aliada ao desenvolvimento tecnológico, faz com que estes recursos naturais disponíveis sejam transformados em mercadoria e usados de forma pouco consciente. Com a mudança de paradigmas da sociedade e o maior foco em sustentabilidade, foram desenvolvidas iniciativas para ampliar o reúso de água em casas e indústrias, confira:

Sistema doméstico de reúso

O sistema é simples e composto basicamente por: calha-tubulação, sistema de descarte para a primeira água, filtro-cisterna, bomba, caixa de água de reúso, tubulação de torneiras de jardim ou vaso sanitário conectados ao sistema. Confira abaixo como funcionaria na prática: 

Assim é possível armazenar a água da chuva, descartando somente as primeiras águas que carregam ácidos, microorganismos e outros poluentes atmosféricos. Com os reservatórios vistos na figura, a água pode ser utilizada para suprir os maiores “vilões” de seu consumo: a descarga em bacias sanitárias, as regas de jardins, a lavagem de pisos e quintais e a lavagem de carro.

Sistema industrial de reúso

Os sistemas mais utilizados em indústrias consistem em tratamento para tornar a água mais limpa ou retornando a água utilizada a algum dos ciclos produtivos. Estas medidas foram adotadas na Cedae e na Sabesp, as empresas de saneamento das duas maiores cidades do Brasil. Confira abaixo um vídeo do programa Cidades e Soluções, que mostrou diferentes projetos de reúso no Brasil e como o esgoto tratado pode ser negócio lucrativo – e com muitas possibilidades de aproveitamento:

Tudo a ver

Se você gostou desta matéria, vai se interessar pela obra Água na Indústria: Uso Racional e Reúso, que oferece estratégias para as indústrias que buscam minimizar problemas de consumo de água e lançamento de efluentes, cada dia mais prementes.

O livro também traça um panorama abrangente dos problemas enfrentados no setor e das técnicas de tratamento, desde as convencionais até as mais sofisticadas, como separação por membranas. De forma didática, aborda conceitos atualíssimos, como ponto de mínimo consumo de água (water pinch) e reúso em cascata, elucidando-os no conceito e na prática.

Sobre os autores

José Carlos Mierzwa é engenheiro químico e doutor em Engenharia Hidráulica e Sanitária pela USP, espaço no qual leciona e desenvolve pesquisas sobre conservação e reuso da água e técnicas avançadas de tratamento de água e efluentes.

Ivanildo Hespanhol é Titular da Engenharia Hidráulica e Sanitária da EPUSP e exibe um currículo acadêmico e profissional ímpar, com reconhecimento nacional e internacional. Engenheiro Civil e Sanitarista pela USP, PhD em Engenharia Ambiental pela Universidade da Califórnia, é consultor da ANA e da OMS e fundador do CIRRA.

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