Em “Como Arquitetos e Designers Pensam”, Bryan Lawson expõe táticas para projetar

“Parte da arte de lidar com problemas difíceis está no ato de não saber cedo demais que tipo de solução aplicar”. É assim que Bryan Lawson abre o 12º capítulo do livro “Como Arquitetos e Designers Pensam”, citando Rittel e Webber, expoentes da arte de projetar. A orientação reforça a ideia defendida por Lawson, de que “não há um ‘método’ correto de projetar nem uma única rota pelo processo”.

Lawson sugere em seu trabalho, que os projetistas escolhem controlar seus pensamentos, conscientemente ou não, durante o processo de projeto, e que por meio de táticas e métodos, é possível superar obstáculos do pensamento produtivo e criativo nas etapas do desenvolvimento da criatividade.

Com muita freqüência, os problemas de projeto são formulados em termos das soluções esperadas. Conforme explica Lawson, as várias profissões que projetam se dividem não pelo tipo de problema que enfrentam, mas pelo tipo de objetos que criam.

“Mesmo dentro de um único campo de projeto, como a arquitetura, tendemos a pensar nos projetos pelo tipo esperado de edificação resultante, como escritórios, escolas, casas, hospitais etc. O bom professor de projeto toma o cuidado de chamar a atenção do aluno para a necessidade de repensar o problema sem preconceitos sobre o tipo de solução”, comenta o autor.

Lawson cita o Método de Geoffrey Broadbent como uma das possibilidades que podem ser utilizadas pelos projetistas no processo de projeto. Chamados de “pragmático”, “icônico”, “analógico” e “canônico”, as formas distintas mostram como cada uma das quatro técnicas foram empregadas em diversas épocas.

O projeto pragmático, seguindo as explicações de Lawson, é “simplesmente o uso dos métodos de construção com materiais disponíveis, em geral sem inovação, como se fossem selecionados num catálogo”. O projeto icônico é ainda mais conservador, “já que exige, efetivamente, que o projetista copie soluções existentes”. O canônico “baseia-se no uso de regras como módulos de planejamento, sistemas de proporção e afins”. O projeto analógico, ainda segundo Lawson, “resulta do uso, por parte do projetista, de analogias com outros campos e contextos para criar uma nova maneira de estruturar o problema”.

Lawson conta que também há o método da narrativa, tática muito utilizada pelos projetistas. A partir desse mecanismo, o projetista ou a equipe “conta uma história que pode ser usada para unir as principais características do projeto”. Muito usada por arquitetos, a técnica envolve a construção de personagens, ou “usuários”, que posteriormente participarão da obra. “A arquitetura vira quase um tipo de cenário teatral no mundo real”, explica.

Em “Como Arquitetos e Designers Pensam”, além de destrinchar táticas para projetar, Lawson faz um “mapeamento do processo de projeto”, apresenta tipos e estilos de pensamento, princípios condutores, armadilhas, estratégias e desbrava algumas etapas da criatividade.

Em suas 296 páginas, o livro enriquece as discussões sobre o papel do designer ou projetista em áreas em que a forma se traduz em conceitos e ideias, analisando os estilos de pensamento, os problemas em projetos e a busca de soluções. A obra também incorpora e resume algumas lições que só recentemente foram disponibilizadas, sobre como realmente trabalham grandes mestres e como isso pode ser diferente do modo como os novatos trabalham. Para o autor, para projetar é importante não apenas ter competência técnica, como também uma avaliação estética bem desenvolvida.

Em sua primeira versão para o português, com edição exclusiva pela Editora Oficina de Textos, a obra traz ao público brasileiro uma das mais importantes contribuições sobre o entendimento da arte de projetar. É indicado a todos aqueles profissionais que têm a criatividade e o desígnio de projeto como ofício diário.

 

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