“Energia nuclear é indispensável apenas para a medicina”, diz Emico Okuno

O Brasil não precisa de reatores nucleares para fins energéticos, defende a professora Emico Okuno, do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e autora de Física das radiações. Para ela, a única necessidade no país vem da medicina.

“É para não ficarmos reféns de outros países, como aconteceu no ano passado. O reator do Canadá que fornecia radioisótopos teve de fechar. Praticamente o mundo inteiro ficou na mão. O Brasil conseguiu um pouco com a Argentina. Mas o conveniente é que tenhamos a nossa própria produção de material radioativo para fins médicos”, completa.

Segundo a professora, o Brasil tem alto potencial hidrelétrico eólico e solar, o que o exime da necessidade de investir em reatores: “No Nordeste do Brasil, há sol para dar e vender”.

O Brasil tem um programa amplo de uso de energia nuclear para fins pacíficos. Cerca de 3 mil instalações estão em funcionamento, utilizando material ou fontes radioativas para inúmeras aplicações na indústria, saúde e pesquisa. No ano passado, o número de pacientes utilizando radiofármacos foi superior a 2,3 milhões, em mais de 300 hospitais e clínicas em todo o país, com um crescimento anual da ordem de 10% nos últimos 10 anos.

Novos cíclotrons, que permitem a produção de radioisótopos para o uso de técnicas nucleares avançadas, foram instalados em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) irá instalar, nos próximos anos, cíclotrons em Belo Horizonte e Recife, para tornar disponível essa tecnologia à população dessas regiões.

A produção de radioisótopos por reatores também tem aumentado, graças à modernização dos equipamentos e à melhoria dos métodos de produção.

Novas técnicas de combate ao câncer, com maior eficácia e menos efeitos colaterais, têm surgido, fazendo aumentar a procura pelos radiofármacos, de forma que a demanda sempre supera a produção brasileira. O uso de técnicas com materiais radioativos na indústria tem aumentado com a modernização dos equipamentos importados e com a sofisticação das técnicas de controle de processos e de qualidade.

Veja também entrevista da professora Emico sobre o assunto nos jornais da cultura e do SBT:

http://www.youtube.com/watch?v=I9nSMez5J9I (Jornal da Cultura)

http://www.youtube.com/watch?v=YyF0Um2DtY8 (Jornal do SBT)

Para saber mais sobre a radioatividade, leia “Física das radiações”

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