Engenharia genética no combate à dengue

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a dengue infecta pelo menos 50 milhões de pessoas por ano, sendo 764 mil no Brasil. E, embora não exista uma vacina, cura ou tratamento eficaz para essa doença, a empresa Oxitec (Oxford Insect Technologies) tem investido em engenharia genética para tentar extinguir o principal vetor da dengue: o mosquito Aedes aegypti.

Conhecido por suas características peculiares, como manchas brancas espalhadas pelo tórax e anéis brancos nas pernas, o Aedes aegypti já foi responsável pela epidemia de febre amarela no século XIX. Atualmente, por transmitir a dengue, provoca a morte de aproximadamente 500 pessoas por ano no País.

Como muitos inseticidas já são inócuos no combate ao mosquito, a Oxitec decidiu tentar outra abordagem, desenvolvendo um método de modificação da estrutura genética do macho que consiste basicamente em transformá-lo em um mutante capaz de destruir sua própria espécie.

Em um espaço controlado no laboratório da Moscamed, instituição de pesquisa com insetos localizada em Juazeiro (BA), cientistas trabalham com pequenas agulhas de vidro para inserir dois genes nos ovos do mosquito.

Um dos genes carrega instruções para manufaturar uma grande quantidade de proteínas, contribuindo para tornar as células do inseto pouco saudáveis. Esse gene é mantido sob controle por meio da inserção de tetraciclina (um poderoso antibiótico) na comida dos mosquitos, fazendo com que a droga se ligue à proteína e aja como um interruptor que pode ligá-la e desligá-la. O outro gene é um marcador fluorescente que ajuda os pesquisadores a diferenciar os pernilongos normais dos modificados, já que, sob a lente de um microscópio, as larvas emitem um brilho vermelho intenso.

Depois da eclosão dos ovos, os mosquitos são criados e alimentados com uma combinação de sangue de cabra e ração para peixe. Após a reprodução, os técnicos do laboratório exterminam as fêmeas e soltam os machos na natureza, que, por sua vez, cruzam com fêmeas normais. Os ovos resultantes desse cruzamento são chocados normalmente, mas, antes que os novos mosquitos possam voar, os genes fatais matam todos eles.

Os mosquitos modificados ficaram conhecidos oficialmente como OX513A e têm uma vida breve. O processo inteiro, da criação à destruição, demora menos de duas semanas. Atualmente, o laboratório produz 4 milhões de ovos, mas vai aumentar a produção para 10 milhões, mesmo que a Oxitec já tenha, teoricamente, modificado todos os ovos de que o mundo pode precisar. Isso ocorre porque poucos desses ovos vingam.

No Brasil, os estudos de campo já começaram há um ano, como fruto de uma colaboração entre a Moscamed, a Oxitec e a Universidade de São Paulo (USP). Os resultados preliminares são impressionantes: o grupo recentemente coletou amostras de ovos em dois bairros onde os mosquitos de laboratório foram soltos e descobriu que 85% deles eram geneticamente modificados. Embora ainda seja difícil prever os resultados, os cientistas estimam que, com um número alto o suficiente desses ovos, a população de Aedes aegypti diminua, assim como a incidência da dengue.

Fonte: Revista Piauí

 

Melhoramento genético animal 

Francisco Salzano, professor emérito do Departamento de Genética do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro das academias de ciências do Brasil, do Chile, da América Latina, dos EUA e do Terceiro Mundo, discorre sobre o processo de melhoramento genético em animais na obra DNA, e eu com isso?

Segundo Salzano, esses métodos não são tão simples quanto aqueles utilizados nas plantas, as quais requerem menos espaço e têm características biológicas que possibilitam a prática de cruzamentos genéticos de modo mais simples. No caso dos animais, os métodos de melhoramento são mais utilizados em populações de reprodutores, a fim de eliminar características genéticas indesejáveis, como doenças hereditárias.

O processo é similar ao utilizado para modificar os Aedes aegypti e consiste na retirada de ovócitos e na sua fertilização com gametas excepcionais. O Brasil é o campeão mundial em número de embriões e gestações produzidos por fertilização in vitro.

Tudo a ver:

Se você gostou dessa curiosa abordagem da genética, vai se interessar também pelos livros Genômica e evolução: moléculas, organismos e sociedades e DNA, e eu com isso, escritos por Francisco Salzano. A primeira obra, lançada em 2012, apresenta conteúdo voltado para estudantes de biomedicina, biologia, bioquímica e genética, entre outras, e proporciona uma rara visão holística da área. Já  DNA, e eu com isso? é indicada para alunos de ensino médio e escolas técnicas, com conteúdo rico e inovador sobre o potencial do DNA.

Comentários

  1. A Dengue ou Aedes Egypis, tem mais de 80 (Oitenta) endereços genéticos, com DNA e RNA, onde tem uma mutação genética muito grande, a dengue de ontem, não e de hoje, e não será de amanhã.

    O Aedes Egipys começou na Africa, passou pela Colômbia, Brasil e foi para Assia, com isso tem uma mutação genética muito grande, a solução e achar o inibidor e reagente.

    Ou seja, o que nos prejudica e a fêmea, onde tem que deixar reagente no macho infertil e achar o inibidor para fêmea, e como achar o soro para o veneno da cobra, e colocar no cavalo, esperar a reação química, e subtrair o soro ou cura.

    Assim e a dengue, no cruzamento dos 80 oitenta genótipos, temos que achar o inibidor que o Macho e o reagente que a femêa.

    Abraços

    Carlos Fernandes
    bomsera@hotmail.com

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