Ensaios CPT e CPTU: história

Os ensaios de cone e piezocone, conhecidos pelas siglas CPT (cone penetration test) e CPTU (piezocone penetration test), respectivamente, caracterizam-se internacionalmente como uma das mais importantes ferramentas de prospecção geotécnica. Resultados de ensaios podem ser utilizados para a determinação estratigráfica de perfis de solos, a determinação de propriedades dos materiais prospectados, particularmente em depósitos de argilas moles, e a previsão da capacidade de carga de fundações.

Segundo o livro Ensaios de Campo e suas Aplicações à Engenharia de Fundações – 2ª ed. as primeiras referências aos ensaios remontam à década de 1930 na Holanda (Barentsen, 1936; Boonstra, 1936), consolidando-se a partir da década de 1950 (p. ex., Begemann, 1965). Relatos detalhados do estado do conhecimento, enfocando aspectos diversos da prática de engenharia, podem ser encontrados em Jamiolkowski et al. (1985, 1988); Lunne e Powell (1992); Lunne, Robertson e Powell (1997); Meigh (1987); Robertson e Campanella (1988, 1989); Yu (2004); Schnaid (2009) e Mayne et al. (2009).

A evolução do ensaios CPT CPTU.
Fonte: Retirado do Portal GoudaGeo-equipment B.V.

 

A evolução do ensaios CPT CPTU.
Fonte: Retirado do Portal GoudaGeo-equipment B.V.

Uma revisão extensiva da prática internacional é apresentada no livro de Lunne, Robertson e Powell (1997) – CPT in geotechnical practice. Além dessas publicações, existe uma conferência dedicada exclusivamente ao ensaio CPT, o Simpósio Internacional de Ensaios de Cone (realizado em 1995 e 2010), e outras conferências associadas ao tema de investigação: ESOPT I e II – Conferências Europeias de Ensaios de Penetração; ISOPT I – Conferência Internacional de Ensaios de Penetração; ISC – Simpósio Internacional de Caracterização do Subsolo (realizado em 1998, 2004, 2008 e 2012).

No Brasil, o ensaio de cone vem sendo empregado desde o final da década de 1950. A experiência brasileira limitava-se, porém, a um número relativamente restrito de casos, com a possível exceção de projetos de plataformas marítimas para prospecção de petróleo. Essa tendência foi revertida na década de 1990, em que se observou um crescente interesse comercial pelo ensaio de cone, impulsionado por experiências de pesquisas desenvolvidas nas universidades brasileiras, conforme descrito por Rocha Filho e Schnaid (1995), Quaresma et al. (1996) e Viana da Fonseca e Coutinho (2008).

A evolução do ensaios CPT CPTU.
Fonte: Retirado do Portal GoudaGeo-equipment B.V.

São inúmeros os exemplos de pesquisas, desenvolvimentos e relatos de casos que refletem a prática brasileira (Rocha Filho; Alencar, 1985; Soares et al., 1986a; Danziger; Schnaid, 2000; Rocha Filho; Sales, 1995; Almeida, 1996; Brugger et al., 1994; Coutinho; Oliveira, 1997; Danziger; Lunne, 1997; Schnaid et al., 1997; Soares; Schnaid; Bica, 1997; Coutinho; Oliveira; Danziger, 1993; Coutinho et al., 1998; Elis et al., 2004; Massad, 2009, 2010; Albuquerque; Carvalho; Fontaine, 2010; Almeida; Marques; Baroni, 2010; De Mio et al., 2010; Coutinho; Schnaid, 2010; Bedin; Schnaid; Costa Filho, 2010; entre outros). Hoje o ensaio é executado comercialmente por diversas empresas estabelecidas no Brasil e na América do Sul.

As dificuldades inerentes à comparação de resultados obtidos com diferentes equipamentos levaram à padronização do ensaio pela IRTP/ISSMFE (1977, 1988a), acompanhado de normas e códigos regionais e nacionais: no Brasil, NBR 12069/1991 (MB-3406) (ABNT, 1991); na Holanda, NEN5140/1996; na Europa, Eurocode 7, Parte 3, 1997; na França, NFP 94-113/1989; no Reino Unido, BS1377/1990; nos Estados Unidos, D5778/1995. Recomendações com relação a fatores como terminologia, dimensões, procedimentos, precisão de medidas e apresentação de resultados são referenciadas nessas normas.

Tudo a ver

 Este artigo foi retirado do livro Ensaios de Campo e suas Aplicações à Engenharia de Fundações – 2ª ed. A obra foca os cuidados na programação e execução das principais investigações de campo – SPT, cone, piezocone, palheta, pressiômetro e dilatômetro – enfatizando os aspectos que exigem normalização; critérios e procedimentos; e a interpretação dos dados obtidos à luz de modelos teóricos.

Avalia-se também a melhor ou pior adequação de cada ensaio ao tipo de solo e do problema de Engenharia enfrentado. Estudos de casos bem documentados ilustram e enriquecem o livro, consolidando o conhecimento geotécnico nacional.