Entrevista: A Flotação no Brasil

A Flotação em Espuma consiste em um processo de separação aplicado a partículas sólidas que explora diferenças nas características de superfície de diferentes tipos de minerais. O método se baseia em diferentes níveis de hidrofobicidade, ou seja, se aplica em materiais com a superfície essencialmente não polar, como ouro, prata e alguns carvões.

Este método é um dos mais utilizados no Brasil por ser capaz de tratar os materiais moídos cada vez mais finos, condição em que não respondem aos outros processos de separação. Estima-se que 80.000.000 t/ano de concentrado de ferro são produzidas por flotação.

Para contar um pouco mais sobre a flotação e o quarto volume da série Teoria e Prática do Tratamento de Minérios: A Flotação No Brasil, convidamos o Arthur Pinto Chavez, Livre-docente e professor titular pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela Southern Illinois University em Carbondale (EUA). Confira!

Comunitexto: O livro Teoria e Prática do Tratamento de Minérios Vol. 4 – A Flotação no Brasil foi revisada e ampliada. O senhor pode contar um pouco sobre os novos conteúdos?

Arthur Pinto Chaves: A pesquisa do assunto é intensa e as inovações são quase que diárias.  Foi necessário atualizar alguns capítulos, principalmente o segundo, que fala das máquinas de flotação e o terceiro que fala das colunas de flotação.  Aconteceram muitas novidades que é preciso incluir.  O capítulo sobre reagentes de flotação foi ampliado para incluir os novos produtos colocados no mercado.

Foi introduzido um novo capítulo sobre o condicionamento de alta intensidade, técnica nova, desenvolvida por pesquisador brasileiro, que é uma inovação muito importante. E outro sobre flotação de bauxita, também um processo inédito, desenvolvido no Brasil.

CT: Segundo o seu livro, a flotação é hoje o principal processo de separação e concentração de minérios no Brasil. Além de permitir tratar materiais mais finos, quais são as outras vantagens deste método?

APS: A flotação é o método de concentração mais importante entre todos, responsáveis pela maior produção de concentrados em todo o mundo.  No Brasil, só de concentrados de minério de ferro são produzidas 80.000.000 t cada ano!

Ele é muito seletivo – é possível separar minerais muito semelhantes, como cloreto de sódio de cloreto de potássio.

CT: O senhor pode citar alguns casos interessantes nos quais a flotação foi utilizada com sucesso?

APS: Ela se aplica para praticamente todos os minerais.  O minério de ferro pode ser separado por flotação do quartzo contido, na tonelagem mostrada acima.  Todo o fosfato produzido no Brasil é concentrado por flotação.  Magnesita, talco, feldspatos, carvão, cobre, zinco e níquel, entre outros, também.

CT: Quando o método de flotação começou a ser utilizado no mundo? E quando chegou ao Brasil?

APS: Ela foi aplicada industrialmente no início do século 19.  As primeiras experiências de flotação no Brasil foram feitas pelo saudoso Prof. Tharcísio Damy de Souza Santos, no IPT de São Paulo, nos anos 40 do século passado.

CT: Muitas coisas mudaram em relação às técnicas usadas na flotação desde a época em que foi criada até os dias atuais?

APS: As máquinas tiveram uma evolução marcada, o volume tratado em cada uma delas (tamanho dos equipamentos) cresceu muito e especialmente os produtos químicos utilizados tiveram uma evolução marcante.  Mas o mais importante é que o conhecimento do processo evoluiu e continua evoluindo.

Tudo a ver
O Quarto volume da coleção Teoria e Prática do Tratamento de Minérios, organizado pelo Professor Arthur Pinto Chaves, é a principal obra sobre flotação já publicada no Brasil. A nova edição, feita em parceria com a Signus, traz conteúdos revisados e atualizados.

Os textos, de autoria dos principais especialistas brasileiros nesta questão tão importante para o tratamento de minérios, abrangem as tecnologias de flotação dos principais minerais e outros tópicos como Máquinas de Flotação, Flotação em Coluna, Tratamento de Águas para Flotação, Pesquisa e Desenvolvimento em Flotação e Reagentes.

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