Entrevista: Importância da Cartografia

No dia 29, é celebrado o Dia do Geógrafo, data especial para estes profissionais que têm cada vez mais destaque e importância no mercado Brasileiro. Com o advento das novas tecnologias, a possibilidade de trabalhar com dados geográficos e cartográficos se torna ainda mais ampla, considerando que os novos softwares possibilitam análises muito mais densas de imagens espaciais, fundamentais para quem atua com meio ambiente, divisão territorial e outros.

E foi com base nestes novos paradigmas que elaboramos uma entrevista com Paulo Menezes, doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Vice Presidente da Associação Cartográfica Internacional, Vice Presidente para Assuntos Internacionais da Sociedade Brasileira de Cartografia e professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Manoel Couto Fernandes, doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro na qual é professor Adjunto do Departamento de Geografia. Saiba tudo sobre estas mudanças, a importância dos estudos cartográficos e do livro Roteiros de Cartografia, que será lançado em breve pela Oficina de Textos!

Comunitexto: Qual a importância dos estudos cartográficos para os geógrafos?

Paulo Menezes e Manoel Couto Fernandes: Face à Geografia, a Cartografia apresenta-se funcionalmente, como uma ferramenta de apoio, permitindo, por seu intermédio, a espacialização de toda e qualquer tipo de informação geográfica. Desta forma, para o geógrafo, é imprescindível o conhecimento dos aspectos básicos da cartografia bem como dos fundamentos de projeto de mapas. O cartógrafo geográfico deve ser distinto de outras áreas de aplicação da Cartografia, pois a sua representação pode ser considerada ao mesmo tempo como ferramenta e, ao mesmo tempo, produto do geógrafo.

O geógrafo como cartógrafo, deve perceber a perspectiva espacial do ambiente geobiofísico, tendo a habilidade de abstrai-lo e simboliza-lo. Deve conhecer projeções e seleciona-las; ter a compreensão das relações de áreas e também conhecimentos da importância da escala na representação final de dados e informações.

Por outro lado deve ter a capacidade, devido à intimidade com a abstração da realidade e sua representação, de avaliar e revisar o processo, visando facilitar o entendimento por parte do usuário final. É fundamental a sua participação no projeto e produção de mapas temáticos, associando também a representação de outros tipos de informações, tais como sensores remotos.

Carl Sauer em 1956 sintetiza claramente a importância da Cartografia para o geógrafo, através da seguinte citação: Mostre-me um geógrafo que não necessite deles (mapas) constantemente e os queira ao seu redor e eu terei minhas dúvidas se ele fez a correta escolha em sua vida.

Por outro lado quando se pensa em Cartografia, pensa-se praticamente só em mapas sendo. Porém Cartografia é muito mais do que simplesmente “fazer” mapas. Uma das definições que apresenta a Cartografia é devida a Fraser Taylor, na qual ela é vista como a ciência que trata da organização, apresentação, comunicação e utilização da geoinformação, sob uma forma que pode ser visual, numérica ou tátil, incluindo todos os processos de elaboração, após a preparação dos dados, bem como o estudo e utilização dos mapas ou meios de representação em todas as suas formas. Esta definição apresenta conceitos que sempre acompanharam a Cartografia, mas que não eram citados, colocando-a como uma ciência da geoinformação ou da informação geoespacial, ou seja, vinculada à superfície terrestre, seja ela de natureza física, biológica ou humana.  .

Para a Geografia é também indiscutível a importância da forma de representação da informação geográfica, em essência dos mapas e da Cartografia. Através deles o geógrafo pode representar todos os tipos de informações geográficas, bem como da estrutura, função e relações que ocorram entre elas. Pela caracterização de sua aplicação em quaisquer campos do conhecimento que permitam vincular a informação à superfície terrestre. Dentro da divisão da Cartografia, um dos cartógrafos temáticos é o geógrafo por excelência, tanto por ser a Geografia a ciência mais integrativa dentro do conhecimento humano, como por ter a necessidade de visualizar os relacionamentos entre conjuntos de informações que isoladamente não permitiriam inferir conclusões.

CT: Quando a ciência cartográfica entrou no currículo da geografia?

PM e MCF: Não saberia afirmar exatamente quando a Cartografia entra no currículo da Geografia, mas podemos afirmar que tanto a Cartografia como a Geografia são tão antigas quanto à própria história da humanidade. Não se sabe quando o primeiro “cartógrafo” elaborou o primeiro mapa, mas com certeza, para gravar em rocha um dos mapas mais antigos conhecidos, eram já necessárias as primeiras noções de espaço real e representado.

O trabalho de Claudius Ptolomeu, por exemplo, denominado Geographia datado entre 120 e 160 DC, sua obra mais extensa, composta de oito volumes, vem a conter todo o conhecimento geográfico greco-romano da época, com a localização de mais de 8000 cidades e vilas com suas coordenadas, já em termos de latitude, longitude, paralelos e meridianos, bem como apresenta diversas projeções cartográficas para a representação do mundo então conhecido.

No Brasil, até o século XIX, a Geografia era ensinada principalmente pelos Jesuítas por meio de leituras, versão e comentários de autores clássicos, onde as informações geográficas eram inseridas em trechos das obras. Os professores eram oriundos das áreas de Filosofia e a Geografia nesta época tinha forte vinculação com a Matemática, principalmente com a Astronomia, a Cosmografia, a Cartografia e a Geometria. Deve-se salientar a existência do curso de Engenheiro Geógrafo Militar, que originou mais tarde a atual Engenharia Cartográfica.

Em abril de 1931, pelo Decreto nº 19.851, foi introduzido o sistema universitário no ensino superior brasileiro, com a criação das Faculdades de Ciências e Letras, que apresentava os cursos de Geografia unidos aos de História, conforme os cursos da Universidade de São Paulo, criado em 1934 e da Universidade do Distrito Federal, criado em 1938.

A partir de 1955, com a Lei 2594, os cursos de Geografia e História são desvinculados, seguindo a Geografia.

A grande maioria dos projetos pedagógicos hoje dos cursos de Geografia, mostram que as disciplinas de caráter abrangente no currículo de Geografia são destinadas, principalmente, para a teoria, métodos e técnicas, para um enfoque mais dirigido da Geografia Física, da Geografia Humana, da Geografia Regional e da Cartografia. As disciplinas específicas visam atender as especializações da ciência geográfica, entre elas o Geoprocessamento, a Análise Espacial, Sistemas de Informações Geográficas, entre outras.

CT: Os senhores poderiam falar um pouco sobre os principais tipos de representações cartográficas?

PM e MCF: Inicialmente podemos falar dos mapas. O termo mapa é utilizado em diversas áreas do conhecimento humano como um sinônimo de um modelo do que ele representa. Na realidade deve ser tratado como um modelo que permita representar o fenômeno real.

A Cartografia fornece um método ou processo que permite a representação de um fenômeno e/ou de um espaço geográfico, de tal forma que a sua estrutura espacial será visualizada, podendo-se então inferir conclusões ou experimentos sobre a representação.

Os mapas podem ser considerados para a sociedade tão importantes quanto a linguagem escrita. Caracterizam uma forma eficaz de armazenamento da informação, bem como a sua comunicação, abordando tanto aspectos naturais (físicos e biológicos), como sociais, culturais e políticos, entre outros.

O conceito de mapa é caracterizado como uma representação plana, dos fenômenos sócio-bio-físicos, sobre a superfície terrestre, após a aplicação de transformações, a que são submetidas as informações geográficas, sendo também visto como uma abstração da realidade geográfica e considerado como uma ferramenta poderosa para a representação da informação geográfica de forma visual, digital ou tátil.

Os elementos de um mapa são definidos como informações cartográficas. Elas podem ser de natureza estritamente cartográfica, como a rede de paralelos e meridianos, pontos cotados, como também, principalmente, as representações das informações geográficas, inclusive as legendas. Em outras palavras, a informação cartográfica representa a informação geográfica, após ter sido submetida a um processo de transformação, o que permitirá que venha a ser representada em um mapa.

As transformações a que as informações geográficas são submetidas, possuem natureza diferenciada, porém todas são inter-relacionadas. Podem ser geométricas, projetivas ou cognitivas.

As transformações geométricas são caracterizadas por um relacionamento de escala e orientação entre sistemas de referência. É a principal transformação, pois afetará todas as representações cartográficas, mesmo aquelas diferenciadas de mapas. É vista como uma simples relação matemática de redução, porém seu conceito é muito mais profundo e o seu domínio por parte do cartógrafo irá gerar informações cartográficas eficientes e eficazes.

As transformações projetivas referem-se às transformações da superfície tridimensional curva da Terra, para a superfície de representação de um mapa, bidimensional plana. As transformações cognitivas, por fim referem-se às transformações do conhecimento da informação, em relação ao que será efetivamente representado no mapa, generalização cartográfica e simbolização cartográfica.

Para a Geografia é também indiscutível a importância da forma de representação da informação geográfica, em essência dos mapas e da Cartografia. Através deles o geógrafo pode representar todos os tipos de informações geográficas, bem como da estrutura, função e relações que ocorram entre elas. Pela caracterização de sua aplicação em quaisquer campos do conhecimento que permitam vincular a informação à superfície terrestre. Dentro da divisão da Cartografia, um dos cartógrafos temáticos é o geógrafo por excelência, tanto por ser a Geografia a ciência mais integrativa dentro do conhecimento humano, como por ter a necessidade de visualizar os relacionamentos entre conjuntos de informações que isoladamente não permitem quaisquer conclusões.

Os Globos terrestres são representações onde as transformações projetivas não são consideradas, porém as outras sim.

Por último, podemos falar dos modelos de superfície ou de terreno, onde processos de representação analógicos, digitais, icônicos, modelam os fenômenos de forma a se adaptarem à estrutura da informação.

Deve ser salientado também o estudo de mapas onde são representadas as informações, mais embasadas na sua topologia, estrutura mental e percepção espacial, sem haja uma imposição de métricas. Na realidade, qualquer representação passa por essa fase. Assim podemos citar os mapas mentais e outros tipos de representação, nas quais a estrutura funcional da informação tem a sua maior importância.

CT: Como desenvolver representações cartográficas que possam ser visualizadas sem problemas e atualizadas com frequência?

PM e MCF: O principal aspecto que deve ser considerado não é desenvolver representações que possam ser visualizadas sem problemas, mas sim o desenvolvimento de uma cultura cartográfica, desde os primeiros momentos escolares e em todas as fases do aprendizado.

Ver um mapa é completamente diferente de entender um mapa. É como o ler e entender um livro. A leitura de um mapa deve ser seguida do entendimento do seu conteúdo, o seu significado, não apenas como um mapa, mas como uma representação de uma informação sobre a superfície terrestre.

Essa cultura só poderá ser alcançada com o tempo e com a sistematização e emprego de mapas no dia a dia escolar. É algo que simplesmente salta aos olhos em termos de Europa. Tudo gira em torno de mapas e informações geoespaciais.

Quanto a atualizações, a moderna tecnologia já disponibiliza, dependendo da informação,  meios de atualização de informações praticamente em tempo real, para outras nem tanto, mas comparando-se com os processos analógicos de poucas dezenas de anos atrás, temos avanços significativos.. Modernos sensores remotos, tanto em base satelitária como aerotransportada estão disponíveis, sendo necessários, porém os conhecimentos sobre suas potencialidades e emprego.

CT: A cartografia também funciona como uma interseção entre artes e ciências. Os senhores podem falar um pouco mais sobre isso?

PM e MCF: Existe um sem número de exemplos da interação entre Cartografia e Arte. Muitas vezes é citada a aparência dos mapas como pinturas, ou a pintura existente nos mapas, vistos não como representação científica, mas como um trabalho de arte iconográfico. Mapas e artes têm uma interação histórica, podendo apresentar funções de ordem estética e prática. Mapas, como a arte formam uma estrutura visual sólida ligando tempo, espaço e referências conceituais.

A Cartografia Mundial é repleta de exemplos. Em especial a portuguesa dos séculos XVI e XVII, com Luis Teixeira, João Teixeira Albernaz.

O mapa de Imola de Leonardo da Vinci é um excelente exemplo da interação cartografia e arte. Não só é um excelente documento científico, no qual se apresenta uma projeção ortogonal, com o traçado da estrutura da cidade, e também a bacia hidrográfica além dela. É arte pela clareza, eficiência e forma de apresentar e transmitir o tema da representação, não apenas como uma forma superficial de ornamento e beleza.

Por outro lado, mapas temáticos hoje em dia, são tratados sob o aspecto da visualização científica, a qual reúne não só os requisitos científicos, mas também os aspectos estéticos da representação.

A Associação Cartográfica Internacional, (ICA / ACI), possui como uma das suas Comissões Técnicas, exatamente a de Cartografia e Arte, demonstrando a importância do assunto.

CT: Com o “boom” de tecnologias e a possibilidade das pessoas terem acesso à cartografia enquanto instrumento de construção de representações espaciais, o que muda no mercado destes profissionais? Quais as perspectivas?

PM e MCF: A Cartografia foi sem dúvida uma das áreas do conhecimento que mais foi impactada com o desenvolvimento científico e tecnológico, principalmente em relação à eletrônica e a computação. Este desenvolvimento foi particularmente sentido nas duas últimas décadas, quando do desenvolvimento e aperfeiçoamento dos equipamentos que viriam a permitir a medição eletrônica de distâncias, visualização gráfica de informações, bem como os sistemas de bancos de dados.

A partir deste período, os computadores começam também a afetar o tratamento cartográfico profissional, para a construção de mapas. Qualquer indivíduo que possua um software de cartografia, bem como um hardware com capacidade de processamento gráfico, é capaz de gerar mapas, com pelo menos uma aparência de qualidade. Desta forma o que se vê, até hoje, e com um crescimento cada vez mais acentuado, é uma popularização da ciência cartográfica. Mais e mais pessoas passam a trabalhar com cartografia, apoiadas nos sistemas computacionais, criando-se uma falácia que pode ser descrita pela afirmação de que nunca se produziu tantos mapas.

Evidentemente é importante para a Cartografia essa popularização, pois muito foi desmitificado, permitindo o aparecimento dessa grande massa de mapas e outros documentos cartográficos, divulgando e disseminando a informação geográfica. Porém, muitas vezes a documentação gerada pode ter qualidade inferior, pela falta de conhecimentos cartográficos do pessoal envolvido nos trabalhos. Atualmente pode-se notar que existe uma tendência para uma busca do conhecimento cartográfico necessário, pois o nível de sofisticação dos softwares exige um mínimo deste conhecimento por parte de seus usuários.

Apesar da forma com que a ciência computacional reformulou os processos cartográficos, os procedimentos em si não se constituem em novos paradigmas, sendo necessários que os conceitos continuem cada vez mais presentes, pois o seu desconhecimento implicará em representações.

O mercado para a geoinformação hoje e aí podemos incluir as tecnologias modernas cartográficas e de apoio, sistemas de informações geográficas (SIG), tecnologias de aquisição da informação, tais como laserscanning, sensores remotos, VANT e outros, exige um conhecimento profundo dos conceitos, manuseio e utilização das tecnologias e da própria informação geoespacial.

CT: Dêem algumas dicas para quem deseja se especializar em cartografia.

PM e MCF: O campo de aplicação hoje da Cartografia e da informação geoespacial é bastante amplo, principalmente se levarmos em consideração a sua utilização em praticamente todos os ramos que demandam gerenciamento de informações. Os exemplos de uso ou aplicação são inúmeros e ganham importância num mundo globalizado, onde não existem fronteiras, podendo-se citar monitoramento ambiental, ordenamento territorial, alertas, atendimento às emergências, análise de riscos, estudos de impactos a desastres naturais ou não, saúde, defesa civil, desenvolvimento e planejamento urbano, governo eletrônico e diversos outros.

Uma especialização em Cartografia requer inicialmente o conhecimento de seus conceitos básicos. O conhecimento das tecnologias de SIG, sensores remotos e outras será também essencial.

Por outro lado têm que ser analisadas as competências técnicas e nesse caso, o geógrafo está inserido como produtor de material cartográfico.

CT: Contem um pouco sobre a obra dos senhores, Roteiros de Cartografia, que será lançada este ano pela Oficina de Textos.

PM e MCF: Este material começou a ser elaborado em 1994, quando saindo do Instituto Militar de Engenharia, onde era professor comissionado, como oficial do Exército Brasileiro, assumi o cargo de Professor Assistente no Departamento de Geografia da UFRJ.

Nessa época, não havia material didático para o ensino de Cartografia em português. Encontrar material de ensino era relativamente fácil, porém em outras línguas, o que para os alunos de graduação torna-se difícil o acesso.

Na preparação das aulas, empregando ainda retroprojetor, com transparências escritas a mão, surgiu a ideia de escrever o material de aula relativo a cada unidade, com a compilação do material de referência que dispunha.

Esse material ficou pronto ainda em 1994, sendo que as primeiras turmas que lecionei, em 1994, 1995 e 1996, principalmente, eu entregava as notas de aula manuscritas para que os alunos copiassem e tivessem uma fonte de referência, diretamente vinculado ao material de aula. Diga-se de passagem, era uma grande dificuldade para os alunos ler e principalmente entender a minha letra, que nunca foi grande coisa.

Em 1997, alguns estagiários que vieram para o meu laboratório se propuseram a digitá-las, transformando-as em um material de consulta e estudo, ficando o material pronto por volta de 1998/99.

Por volta de 2003 foi efetuada uma revisão nas notas de aula, e acrescidas as notas de Cartografia Temática e Fotointerpretação. Desde então apenas alguma atualização ou correção era efetuada, até 2011.

Ainda em 2011 foi assinado com a PETROBRAS um projeto para o desenvolvimento de um roteiro de Cartografia, para que viesse a ser adotado como uma referência para a Diretoria de Óleo e Gás, juntamente com o professor Manoel do Couto Fernandes. Dele veio a ideia de transformar este material em um livro, tendo sido solicitada à PETROBRAS a autorização para tal.

Assim é que durante 2012 e 2013, graças as ações do Professor Manoel e de um grupo de alunos do GeoCart, entre eles Fábio Ventura, Anniele Freitas e Alan Salomão, finalmente foram efetuadas as revisões e trabalhos complementares para viabilizar a sua publicação. Creio que se não fosse por eles, não teria sido possível a sua viabilização.

Tudo a ver

O livro Roteiros de Cartografia, de Paulo Menezes e Manoel Couto Fernandes, irá apresentar os principais conceitos desta área do conhecimento, sua interligação e integração com o geoprocessamento, as mudanças causadas pela integração de diferentes documentos cartográficos e o impacto das novas tecnologias neste mercado.

Fique atento aos nossos próximos lançamentos e não perca a chance de adquirir o seu exemplar!

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