Entrevista: Landim e Yamamoto falam sobre Geoestatística

Os conhecimentos em geoestatística têm se tornado cada vez mais indispensáveis para os profissionais de Geologia Ambiental, Geologia do Petróleo, Geotecnia, Hidrogeologia e Pedologia e outras ciências ambientais e da terra.

Com o intuito de elucidar o passo a passo desta área, os professores Paulo Landim e Jorge Yamamoto desenvolveram o livro Geoestatística: conceitos e aplicações, que aborda desde a origem destes estudos e outros temas mais básicos até aqueles que exigem maior aprofundamento, como estimativas e coestimativas geoestatísticas.

Para contar um pouco mais sobre esta obra e as exigências destes assuntos no mercado de trabalho, os professores Paulo Landim e Jorge Yamamoto concederam uma breve entrevista para o Comunitexto. Confira!

Comunitexto: Quando a geoestatística se tornou uma necessidade dentro dos cursos brasileiros?

Paulo Milton Barbosa Landim: O formalismo geoestatístico surge com os trabalhos pioneiros de Matheron no início dos anos 60 e os primeiros cursos de geologia no Brasil foram criados no fim dos anos 50. Demorou, mas quase duas décadas para que os pesquisadores brasileiros, ao tomarem conhecimento dessa nova metodologia, pudessem começar a usá-la e uma das principais dificuldades era a não existência, então, de programas que pudessem ser usados em micro-computadores. Isso significa que, teoricamente, sempre houve necessidade. O que ocorria era dificuldade instrumental.

CT: Na obra, é mencionada a importância de aprender geoestatística para não ser somente um “apertador de botões”. Quais são as possibilidades que o aprofundamento nesta área do conhecimento traz para os profissionais e futuros profissionais?

PMBL: Quem menciona isso é o “apresentador” do nosso livro, o professor Amilcar Soares, que percebeu imediatamente a nossa intenção. Hoje em dia, e isso não é restrito apenas à geoestatística, com as facilidades de existência de “softwares” e computadores cada vez mais possantes, existe a perigosa tendência dos usuários estarem a colocar dados e receber respostas sem um requerido conhecimento sobre o assunto. Por isso no livro, que é de cunho didático, quisemos deixar bem claro os conceitos que ali estão apresentados e, consequentemente, como podem ser aplicados. Se entenderem os procedimentos estarão em condições de usar quaisquer “softwares” a disposição, sem incorrer em equívocos.

CT: O senhor poderia contar um pouco sobre como a geoestatística pode ser utilizada em ciências agrárias, mineração e geologia em geral?

PMBL:

Ciências agrárias: agricultura de precisão; mapeamento de solos; mineração: cubagem de jazidas; classificação de bens minerais; geologia em geral: cartografia geológica; geotecnia; geologia de petróleo; hidrogeologia; geoquímica; geofísica.

CT: E atualmente, como geoestatística tem sido explorada no País? Existem cursos nesta área? E o campo profissional, como está?

PMBL: Em grandes empresas como Petrobrás e vale do rio doce e algumas faculdades de geologia, minas e agronomia.

Jorge Kazuo Yamamoto: Em grandes empresas como Petrobrás e Vale, mas também em quase todas as empresas de mineração, geotecnia, meio ambiente, geofísica e agronomia. Não existem cursos de formação de geoestatísticos, mas disciplinas de graduação, pós-graduação e extensão universitária oferecidas pelas instituições de ensino superior no País.

O campo profissional, em geral, está muito bom para geólogos e engenheiros de minas. Há procura por profissionais que tenham conhecimento de geostatística. A título de ilustração, durante a entrevista de candidatos para emprego em uma empresa da área de petróleo foi feita a seguinte pergunta: Como se faz a krigagem?

CT: E no exterior, existe muita diferença em comparação com o Brasil?

PMBL: Existe. Há, por exemplo, grandes centros dedicados a aplicação da geoestatística, principalmente voltados a petróleo e gás, em Stanford/EUA, Alberta/Canadá, Nancy/frança, instituto superior técnico/Portugal, etc.

Tudo a ver

O livro Geoestatística: conceitos e aplicações está dividido em cinco capítulos e começa pela análise de padrões espaciais dos fenômenos estruturados e modelos de instrumentos simples, como os variogramas e as covariâncias espaciais. Contudo, sua maior parte é dedicada aos métodos de inferência espacial da extensa família de estimadores lineares, a krigagem. Nessa parte nobre do livro, fica evidente a intenção dos autores em referir e detalhar os métodos mais usuais da prática geoestatística. Eles finalizam a obra com um capítulo dedicado à quantificação da incerteza espacial pelos novos modelos de simulação estocástica.

Sobre os autores

Paulo Milton Barbosa Landim: Possui Pós-doutorado pela University of California e pela Northwestern University. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp – Rio Claro), foi professor de 1978 até 1998, assumindo como diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) entre 1981 e 1984. Também foi Vice-Reitor de 1985 a 1988, e Reitor de 1989 a 1993. Mesmo após aposentar-se, continuou dando aulas e orientando alunos de graduação e pós-graduação como Professor Voluntário na instituição. Em 2000, recebeu do Conselho Universitário o título de Professor Emérito.

Jorge Kazuo Yamamoto: Graduou-se em Geologia pela Universidade de São Paulo em 1976. Trabalhou como geólogo pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de 1977 a 1988. Atualmente é professor titular do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental, onde ministra disciplinas de graduação e pós-graduação em Geoestatística.

Comentários

  1. Parabéns aos dois! No entanto, só esqueceram de mencionar alguns nomes importantes como o prof. João Felipe na UFRGS e o Armando Zaupa na Unicamp. E ainda o centro de Geoestatística de Fontainebleau – França que é um dos principais e um dos berços desta ciência.

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