Especialista fala sobre monitoramento de reservatórios de hidrelétricas

Com a intenção de contribuir para o estudo adequado dos rios e reservatórios, o autor Newton de Oliveira Carvalho lançou o livro Hidrossedimentologia Prática pela Editora Interciência. Além de nos transmitir os conhecimentos na área,  ele nos esclarece a respeito da obrigatoriedade do monitoramento dos reservatórios hidrelétricos.

A Resolução, das Agências Nacionais de Energia Elétrica e de Águas, respectivamente ANEEL e ANA, foi implantada em agosto de 2010 e pode ser consultada clicando aqui.

Acompanhe a entrevista com o autor:
Comunitexto: Como a hidrossedimentologia contribui, nos dias atuais, para o estudo dos rios e reservatórios?

Newton de Oliveira Carvalho: A hidrossedimentologia estuda erosão, transporte de sedimento e depósitos em rios, lagos e reservatórios sobre o ponto de vista do que a água pode provocar ou sofrer, digamos assim. Maior erosão de terras tira a fertilidade dos solos, só pra citar um dos problemas que afetaria a vida humana – redução de florestas, de vegetação, de agricultura etc. A erosão dos solos em vasta área vai fazer com que as enxurradas levem o sedimento para os rios, lagos e reservatórios, concentrando volumes de depósitos em pequenas áreas e provocando assoreamento. É prejuízo para os corpos d’água que ficam poluídos, com baixa profundidade, dificultando navegação, aterrando áreas fluviais e reduzindo habitats de peixes e outros organismos, por exemplo.

Livro de Newton de Oliveira Carvalho. Em promoção na Ofitexto.

C: Quais os principais pontos abordados no  livro Hidrossedimentologia Prática?
NOC: A obra contempla a parte de erosão, transporte de sedimento e depósito, principalmente no que diz respeito a conceitos práticos, como medir corretamente na Natureza e como aplicar na questão de assoreamento de reservatórios, problemas de barragens e estudos de bacia hidrográfica como um todo.

Por falta de um manual para cumprimento da Resolução 3/2010, o livro preenche essa lacuna.

C: Quais as providências que as empresas precisarão tomar para cumprir o monitoramento dos reservatórios hidrelétricos?
NOC: A Resolução no. 3/2010 substituiu e complementou a Resolução 396/98 da ANEEL com a ANA. Antes os proprietários de usinas eram obrigados a informar diariamente níveis e vazões de entrada e saída de reservatórios. Agora é também necessário monitorar a quantidade de sedimento afluente ao reservatório e fazer levantamento batimétrico periódico para ter o conhecimento das condições de assoreamento.

A ANA e ANEEL prepararam pequenas e básicas instruções complementares para essas providências. As normas do DNAEE de 1970, os Guias de Sedimentologia da ANEEL e também outras instruções posteriores dessas entidades são necessárias para o monitoramento.

C: Na sua opinião, qual o principal ganho na obrigatoriedade do monitoramento dos reservatórios hidrelétricos?
NOC: O fato de monitorar os reservatórios com medição de sedimentos pode mostrar o volume de sedimento que chega ao reservatório, reduzindo a sua capacidade (volume de água) e também saber quais são as bacias afluentes com maior produção de sedimento e necessidade de proteção. Também permite calcular a vida útil remanescente do aproveitamento.

O levantamento batimétrico do reservatório permite conhecer as condições de assoreamento e o volume disponível para geração de energia e proteção do aproveitamento. O setor elétrico resiste a esse tipo de trabalho por várias razões, sendo uma delas que pode estar mostrando que o reservatório já não está atendendo completamente a quantidade de energia proposta nos estudos de projeto básico e antecedentes. Por outro lado ninguém gosta de gastar dinheiro com estudos.

Em breve: Lançamento do livro Gestão de Reservatórios de Hidrelétricas.

A obra trata do monitoramento de reservatórios de hidrelétricas, com o objetivo de preservar seu potencial hidráulico, limitar os impactos naturais e antrópicos, regular seu uso e ocupação, e fundamentar programas ambientais. Entre outros temas, aborda os benefícios socioambientais dos reservatórios; a recuperação florestal de margens; o monitoramento; e os principais desafios na sua gestão.

 

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