EtnoSig e a preservação de terras indígenas

O primeiro etnomapeamento aconteceu em 1911, feito por indígenas a pedido do pesquisador Theodor Koch-Grunberg. Segundo o livro Conservação da Biodiversidade com SIG, organizado por Adriana Paese, Alexandre Uezu, Maria Lúcia Lorini e André Cunha, os desenhos entregues pelos membros da tribo continham as montanhas, lagos e outros detalhes sobre as condições topográficas da região.

Cem anos depois, o etnomapeamento continua sendo uma importante ferramenta de diálogo e preservação cultural. Com o avanço das ferramentas de sensoriamento remoto e SIG, compreender a relação dos indígenas com o ambiente em que vivem se tornou uma tarefa mais simples.

Esta pesquisa feita em terras habitadas por outros grupos étnicos pode ser feita por três motivos diferentes. Confira abaixo:

Estudos de Identificação de terras indígenas

Ajuda a identificar as áreas ocupadas pelos índios e quais os recursos naturais que a aldeia utiliza, como rios para pescas, sítios sagrados, etc. É a partir destas informações que são desenvolvidas as propostas para delimitar as terras destes habitantes.

Estudos de impacto ambiental de obras ou empreendimentos que incidem ou são vizinhos de terras indígenas

São levantadas informações sobre os impactos destes empreendimentos nas terras indígenas e nos recursos utilizados por estes. A análise pode apontar a inviabilidade social do empreendimento ou se alguns ajustes são necessários, como, por exemplo, mudar o traçado de uma estrada, a criação de programas para reduzir impactos ambientais, entre outros.

Levantamento de recursos naturais

Considera somente os recursos naturais usados por indígenas e a preservação dos mesmos. Podem auxiliar no diagnóstico de problemas ou servir como base para elaborar projetos de uso sustentável destes recursos pelas populações das tribos que deles precisam.

Um case de sucesso

O levantamento etnoambiental do complexo Macuxi-Wapixana, em Roraima, foi o último de uma série de pesquisas etnoecológicas realizadas para o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL/FUNAI). Com a aquisição de informações espaciais relevantes e contribuições de indígenas para registrar detalhes específicos sobre os espaços pesquisados, foi possível demarcar os territórios indígenas de forma mais satisfatória para as comunidades que vivem nas regiões mapeadas. Por exemplo, na terra indígena Boqueirão incluiu-se cursos de água que são necessários para a pesca e territórios de caça. Já o trabalho realizado em Moskow, permitiu o estabelecimento de diretrizes para os empreendimentos situados ao redor das terras indígenas, evitando que estes utilizassem os recursos naturais destinados aos índios.

Um projeto com objetivos similares foi desenvolvido pelo Google em parceria com os índios Suruí em 2007, com a criação de um mapa cultural da aldeia com fotos, vídeos, depoimentos e animação em 3D sobre os hábitos e tradições dos 1.300 indígenas que vivem no estado de Rondônia. Você pode saber mais sobre essa iniciativa clicando aqui.

Tudo a ver

Se você se interessa por EtnoSig ou outros métodos de conservação de recursos naturais, vai adorar a obra Conservação da Biodiversidade com Sig.

O livro aborda diferentes projetos de conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável, como o planejamento espacial de áreas protegidas, modelagens de alterações no uso e na cobertura do solo, e o desenvolvimento de planos de manejo para espécies ameaçadas apóiam-se em Sistemas de Informações Geográficas (SIG

Conservação da biodiversidade com SIG é uma referência sobre os estudos e práticas mais atuais na aplicação de SIG em projetos de conservação, e atenderá a pesquisadores, conservacionistas e usuários de SIG em organizações não governamentais, universidades e centros de pesquisa, assim como empreendedores ambientais, líderes comunitários e populações indígenas.

Sobre os organizadores

Adriana Paese: é bióloga, doutora em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e preside o capítulo brasileiro da The Society for Conservation GIS (SCGIS).

Alexandre Uezu: é biólogo e doutor em Ecologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas e professor da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS).

Maria Lúcia Lorini: é bióloga, doutora em Geografia (Planejamento e Gestão Ambiental / Geoecologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradora da International Association for Landscape Ecology – Brazilian Chapter.

André Cunha: é biólogo e doutor em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente leciona no Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB).

Deixe sua opinião!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *