Experimento genético origina milhos coloridos

No final de outubro de 2012, a empresa americana Seeds Trust divulgou em sua página na rede Facebook fotos de espigas de milho que mais parecem objetos de vidro ou pedras coloridas. Parte de um experimento genético, o belo resultado obtido se tornou viral na internet.

Chamados de Glass Gem Corns (algo como “milhos gema de vidro”), eles foram modificados pelo pesquisador e descendente de índios cherokee, Greg Schoen, por meio da junção de vários grãos de diferentes espigas alteradas geneticamente. Cada planta ou semente de planta de milho formou uma nova espiga, com genes herdados dos “pais”.

Esse conceito é conhecido como genética mendeliana, no qual as características de um organismo são hereditárias, e permitiu mostrar ao mundo como os genes de pigmentação são herdados. Segundo o professor e pesquisador Francisco Salzano, esse tipo de cultura também é amplamente difundida nas Américas: “Existem muitas variedades de milho colorido, obtidas através de seleção por parte de comunidades indígenas, tanto do Brasil quanto do exterior”, contou.

A Seeds Trust divulgou que, apesar das cores diferentes, este milho tem gosto normal. Já é possível encontrar as espigas à venda no portal da empresa e cada espiga custa U$ 4,95. Você também pode obter mais informações sobre as propriedades do milho no site oficial.

Outros métodos para obter milhos coloridos

As cores presentes nos grãos também podem ser obtidas com outros métodos, como no caso dos famosos Indian Corn (milhos indianos), e têm sido utilizadas para desvendar um fenômeno em herança não mendeliana, conhecido como transpóson.

Chamado também de elementos de transposição ou genes saltadores, os transpósons são sequências de DNA que “saltam” de um lugar para outro no genoma, fator que explica porque alguns tipos de milho têm núcleos manchados ou riscados com uma segunda cor. Francisco Salzano, professor emérito do Departamento de Genética do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro das Academias de Ciências do Brasil, da América Latina, dos EUA, do Terceiro Mundo e do Chile, explica um pouco sobre este método: “Essa técnica utiliza elementos que através de vetores microbianos podem invadir os genomas de diferentes organismos de maneira mais ou menos eficiente. Esses elementos foram justamente descobertos no milho pela geneticista Barbara McClintock, que recebeu o Prêmio Nobel pela descoberta”, disse Salzano.

Com algumas células produzindo pigmentos especiais, os cientistas perceberam que os transpósons eram responsáveis por “aterrissar” no meio de um gene de pigmento e provocar alterações na cor desta célula

Fontes: Hypescience, ABC News e Seeds Trust.

E no Brasil?

Na obra Genômica e Evolução: moléculas, organismos e sociedades, o professor Francisco Salzano faz um panorama sobre as pesquisas genéticas em alimentos no País. Os estudos foram registrados pela primeira vez em um número especial da revista Genetics and Molecular Biology, publicada pela Sociedade Brasileira de Genética em 2001.

A edição trazia 37 contribuições de pesquisadores sobre a cana-de-açúcar, produto com grande representatividade econômica para o Brasil. Alguns anos depois, foram divulgados novos dados: em 2003, cientistas conseguiram mapear 90% dos genes expressos etiquetados da cana e, em 2006 foram identificados 357 marcadores ligados, posteriormente reunidos em 131 grupos cossegregantes.

Atualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar na produção de alimentos transgênicos com 21,4 milhões de hectares plantados por ano. Liderando o ranking de produtos geneticamente modificados no País está o milho.

O setor cresceu graças à nova Lei de Biossegurança (11.105/05), aprovada pelo Congresso em 2005. Com a medida, a qualidade dos alimentos produzidos é totalmente controlada por um órgão especializado, conforme apontou Salzano. “A produção e a comercialização de material geneticamente modificado estão sujeitas a regras muito estritas aqui no Brasil, sendo o principal órgão regulamentador a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)”, disse. 

 

Tudo a ver:

Se você gostou da matéria vai se interessar também pelos livros Genômica e Evolução: moléculas, organismos e sociedades e DNA, e eu com isso?, escritos por Francisco Salzano. A primeira obra, lançada em 2012, apresenta conteúdo voltado para estudantes de biomedicina, biologia, bioquímica, genética e outras disciplinas, e proporciona uma rara visão holística da área. Já  DNA, e eu com isso é indicada para alunos de ensino médio e escolas técnicas, com conteúdo rico e inovador sobre o potencial do DNA.

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