Extração de minerais dos oceanos

Os recursos minerais também têm limitações. Pesquisadores da United States Geological Survey (USGS), órgão do governo norte-americano responsável por pesquisas geológicas, estimam que as principais reservas desaparecerão em um período entre 28 e 2.052 anos (clique aqui e confira a matéria completa na Mundo Estranho), fazendo com que a extração migre para os depósitos com menor concentração de minerais.

Essa perspectiva motivou a busca de novas fontes e fez com que especialistas se perguntassem sobre a possibilidade de extrair minerais dos oceanos. O assunto foi pauta, em junho de 2012, de uma das conferências do TED (sigla em inglês para Tecnologia, Entretenimento e Design), organização sem fins lucrativos que visa divulgar boas ideias. Confira o vídeo abaixo:

As primeiras propostas se voltaram para a extração de minerais dos solos marinhos, mas os custos foram altos e os resultados, pouco satisfatórios. A real mudança de paradigma foi semelhante à proposta no vídeo: extrair íons das águas oceânicas. A ideia tornou-se popular na primeira crise de energia, em 1970, e desapareceu quando o mercado retomou as forças, voltando a ser discutida nesse período graças à busca por iniciativas que visassem o desenvolvimento sustentável.

A extração de minerais da água pode ser feita sem as escavações, esmagamentos e processamentos utilizados em terra, mas, apesar disso, os altos preços do procedimento têm impossibilitado a utilização dessa técnica.

A água do oceano contém, além de 33 a 37 g de sais dissolvidos por litro, muitos íons de importância industrial. Entre os mais concentrados estão o Na+ (sódio), o Mg2+ (magnésio), o Ca2+ (cálcio), o K+ (potássio) em 400 partes por milhão (ppm) e algumas porcentagens de lítio (0,17 ppm). Confira a quantidade de cada um deles na tabela abaixo, feita pela United States Geological Survey (USGS) em 2007.

Os minerais citados podem ser extraídos com a passagem da água do mar por uma membrana contendo materiais que permitam selecionar os minerais mais importantes. Porém, ainda não existe um método que seja 100% eficaz. Até o momento, os pesquisadores optam por utilizar um processo denominado eluição, no qual há a separação dos íons que posteriormente serão recuperados por eletrodeposição.

Uma das tentativas de extração por meio dessa membrana foi feita em 1990 pela Agência de Energia Atômica Japonesa, na qual algumas gramas de óxido de urânio foram retiradas do mar com sucesso. Embora as tentativas tenham sido abandonadas pouco tempo depois graças à ineficiência energética da iniciativa, essa experiência abriu as portas para a extração de outros elementos.

Os pesquisadores D. Fasel e M.Q. Tran um artigo no jornal Elsevier Science afirmando que têm trabalhado em membranas seletivas eficazes na separação do lítio (uma importante fonte de alimentação para baterias e reatores) de outros materiais. Caso consigam desenvolver essa técnica, a extração de lítio poderá suprir toda a demanda com maior eficiência energética. A membrana também permitirá extrair outros minerais e, aos poucos, originar um novo negócio na mineração.

Fonte: The Oil Drum/UOL/Mundo Estranho

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