Física e Futebol – 2ª parte da Entrevista com Marcos Duarte e Emico Okuno

Na primeira parte da entrevista, os autores de Física do Futebol falaram sobre o livro e a dificuldade de ensinar e aprender física. Nessa segunda parte da entrevista, eles comentam, de maneira descontraída, para qual time torcem e lances do futebol.

Comunitexto: Sempre gostaram de futebol ou a ideia inicial era escrever algo que atraísse a atenção dos jovens, e então veio o futebol?

Marcos Duarte: Sim, futebol foi sempre presente, não por coincidência. Então foi só unir o útil ao agradável.

Emico Okuno: Há muito tempo que gosto do futebol. Lembro-me do jogo Brasil-Holanda no campeonato mundial de 1998, que o Brasil ganhou nos pênaltis. Estava em um Congresso Internacional de Dosimetria em Burgos, na Espanha. Os brasileiros e holandeses que participavam do congresso se reuniram num hotel para ver o jogo. Foi uma festa só. Terminado o congresso, fui a Madrid e estava na Gran Via tomando um choppinho, quando passa uma congressista da Croácia que me diz: agora vou torcer pelo Brasil, já que perdemos da França. Conversamos um pouco sobre o congresso (naturalmente em inglês) e depois que ela se foi um casal na mesa vizinha me diz: você é brasileira? O rapaz me disse que me viu na TV Cultura na Opinião Nacional sobre Acidente de Chernobyl e Acidente de Goiânia e que ele era meio fissurado nesses assuntos.
A ideia de escrever um livro paradidático de Física para estudantes do ensino médio com o pano de fundo futebol é algo que surgiu naturalmente entre Marcos e eu, já que ambos tínhamos prática em dar aula na universidade para estudantes de outras áreas que não a Física.

CT: Para qual time torcem?

EO: Eu acabo assistindo jogos com meus familiares que são santistas fanáticos. Assim, acabo torcendo pelo Santos.

MD: Santos. Também porque tive a sorte de nascer lá.

CT: Emico, você que trabalha com Física das Radiações, como surgiu o interesse nesse projeto? No caso do Marcos, trabalhar com Física e esportes é uma constante, certo?

EO: Como já disse, sempre batalhei em despertar interesse dos alunos sobre tópicos de aula que dava. E a ideia, na verdade, é cativar alunos. Nada melhor do que falar sobre assuntos que eles gostam tentando facilitar o entendimento com a Física que ajuda e facilita muito. Isso não é nada simples, pois você precisa estudar outras matérias, aprender o jargão usado, entrar na deles. Para falar de coisas complicadas em linguagem que os estudantes entendam, sem errar nos conceitos físicos, é preciso muito treino.

MD: Sim, minha área de atuação é ciências do movimento humano, embora eu não tenha o futebol como foco de pesquisa, minhas áreas de interesse são o controle do equilíbrio e corrida de longa distância.

CT: Há alguma situação que foi marcante para vocês pensarem na Física do futebol? Uma jogada, cobrança de falta, algo que vocês viram e tiveram aquele “estalo”?

Marcos Duarte, autor.

MD: Para mim foi o chute de bicicleta. Há tanta física lá que o livro poderia ter sido só sobre a física do chute de bicicleta. Há dez anos atrás fiz um estudo sobre o chute de bicicleta, veja por exemplo http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/fisica/fisica-explica-a-bicicleta-ideal

Emico Okuno, autora.

EO: Muitas vezes preparava aulas ou corrigia provas às noites de sábado com a TV mostrando jogo. Quando algo me chamava a atenção, anotava para escrever no livro. Por exemplo, na noite de 01/06/2005, escrevi:

“Foi o que aconteceu com o goleiro do S. Paulo, Rogério Ceni na noite de 01/06/2005 quando bateu pênalti. O ângulo q  foi maior do que deveria ser e a bola saiu voando por cima. Se tivesse entrado, teria sido um fato memorável, pois esse goleiro já havia feito 2 gols, em cobrança de falta. O jogo foi contra o time mexicano – Tigres, do campeonato da Taça Libertadores 2005.”

Este trecho foi cortado na versão final. Aliás, da versão inicial à final são feitas tantas modificações e adaptações.

CT: Vocês poderiam comentar, por exemplo, o chute do Roberto Carlos no amistoso contra a França (em 97) – aquela bola com efeito que foi chamada de “chute que desafia a Física”? Com o conteúdo do livro, na parte da mecânica dos fluidos, acredito que seria possível explicar o efeito da bola, certo? Segue o chute:

MD: Sim, este chute é fantástico e mostra claramente os efeitos da interação da bola em movimento e o ar. O fato da bola girar em torno de si mesma e  ao mesmo tempo de deslocar gera uma força do ar sobre a bola e a direção desta força está relacionada com o sentido de rotação da bola (do efeito da bola). Como o Roberto Carlos chutou com a esquerda e a bola girou no sentido anti-horário, ele muda de direção para o lado esquerdo do vídeo. Um efeito incrível.

EO: Foi um gol do outro mundo, comentado, estudado e descrito por muitas pessoas, até do exterior.

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