Geologia de Engenharia no Metrô de São Paulo

Recentemente Nivaldo Chiossi, autor do livro Geologia de Engenharia lançado este semestre pela Editora Oficina de textos escreveu um artigo sobre “o desafio da geologia no projeto e construção do metrô de São Paulo”. O Geólogo ganhou vasta experiência no Metrô de São Paulo (estudos e construção da linha Norte-Sul e estudos da linha Leste-Oeste) e na Cia. Internacional de Engenharia (IESA) por isso foi convidado pelo Metrô para participar da edição “Especial metrô de São Paulo”, confira agora este interessante artigo:

O Desafio da Geologia no Projeto e Construção do Metrô de São Paulo

A evidência cada vez mais crescente da necessidade de construção de linhas do Metrô em       São Paulo conduziu a PMSP, na gestão do Brigadeiro Faria Lima a contratar o consórcio HMD (Hotchief – Montreal – De Consult) para os estudos, planejamento, projeto e construção da primeira linha do Metrô em São Paulo.

Com a conclusão das pesquisas de origem e destino indicando uma prioridade para a linha Norte-Sul (Azul), foram iniciados os trabalhos básicos por uma equipe multidisciplinar.

Na ocasião, com apenas dois anos de formado como geólogo, mas usando um inglês macarrônico conseguido em aulas optativas, fui contratado através da Promon Engenharia para atuar na HMD. O inglês era a única forma de comunicação com os técnicos multidisciplinares alemães.

A Dura Realidade

Após a definição prioritária do traçado da linha Azul veio o desafio de maior importância: Como construir!?!

Em que tipo de materiais (solos, sedimento ou rocha) seriam escavados e construídos os túneis e estações, bem como implantados os pilares do trecho em superfície?

Para não atrasar o cronograma estabelecido, foram buscadas informações geológicas no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e nas empresas de projetos, sondagens e fundações que executaram os edifícios próximos ao traçado da linha, em busca dos dados do subsolo.

Com extrema dedicação foram sendo elaborados perfis geológicos ao longo do traçado, que numa primeira avaliação serviram de base para a programação do plano de sondagens e delimitação dos trechos mais complexos.

A partir das sondagens executadas, sua análise e interpretação foram elaborados os perfis geológicos, que além dos variados horizontes de sedimentos, continham a posição do nível de água (lençol freático).

O mapa geológico da região de São Paulo elaborado pelo Prof. José Moacyr Coutinho também mostrava, de forma geral, a ocorrência dos diversos sedimentos bem delimitados da bacia sedimentar de São Paulo, com um máximo de 200m de profundidade.

O Trabalho

Sob a pressão do cronograma, centenas de sondagens à percussão foram programadas e executadas ao longo dos 17 quilômetros de extensão da linha Azul.

O perfil geológico construído ao longo da linha Norte-Sul, depois de terminado, representou uma contribuição valiosíssima para o conhecimento das condições geológicas da cidade de São Paulo.

Essa linha do Metrô iria atravessar uma sequência bem definidas de camadas. E, com a indicação do nível do lençol freático, que além do seu nível principal continha níveis de água suspensos, quando uma camada de areia estava entre duas camadas argilosas.

Métodos construtivos:

Do Jabaquara, passando pelo Paraíso e quase até a Liberdade, o método de construção foi o da escavação a céu aberto (Cut-and-Cover) num solo conhecido como argilas porosas vermelhas, comum nos pontos mais elevados da cidade.

 

No trecho da Liberdade (parte mais baixa que o Paraíso), apareceram os horizontes arenosos de granulação variável e com o nível d’água elevado. Na Liberdade, Praça da Sé, Rua Boa Vista, Largo de São Bento e Anhangabaú o método empregado foi o da couraça (Shield), popularmente conhecido como Tatuzão.

Após a Estação da Luz, novamente a escavação a céu aberto seguiu até a Estação da Ponte Pequena, hoje Estação Armênia onde o Metrô emerge do subsolo e seguiu até a Estação Santana constituindo o trecho aéreo ou elevado. (foto a seguir)

                                                                                Perfil Típico do Trecho Elevado

Após os solos terem sido exaustivamente estudados com a consultoria preciosa dos            Profs. Drs. Milton Vargas, Victor de Melo e Costa Nunes, começaram as escavações coordenadas pelo Sr. Prefeito Municipal, na Estação da Praça da Árvore. Iniciava-se a obra.

Tudo a ver

Para saber mais não deixe de ler o artigo completo! “O desafio da geologia no projeto e construção do metrô de São Paulo” foi escrito pelo geólogo Nivaldo Chiossi para a Revista Engenharia 45 anos do metrô. Esta edição especial tem mais de 290 páginas com diversos olhares sobre a história da construção do metrô de São Paulo. Artigos valiosos e com fotos fantásticas fazem desta publicação um marco do metrô Paulista. Para acessar clique aqui

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