Hidrovias em São Paulo

Segundo dados do Departamento de Trânsito de São Paulo (DETRAN), a cidade possui mais de 35% do total dos veículos brasileiros. São aproximadamente sete milhões de automóveis e todos os meses, o congestionamento só aumenta. Neste ano, o recorde já chegou a 148 km de trânsito, de acordo com a mesma pesquisa do DETRAN.

Visando solucionar este problema e aproveitar a extensa malha hidroviária da capital para o transporte de mercadorias e pessoas, o arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov, que leciona na USP e é funcionário da prefeitura paulistana, desenvolveu um projeto para criar 170 quilômetros de hidrovias urbanas.

As pesquisas começaram em 2005, mas só neste mês as primeiras obras tiveram início: o bairro da Penha ganhará uma eclusa (grande elevador que ajuda navios a transporem áreas de desnível), desenvolvida para criar atalhos entre os rios e lagos já existentes e ampliar em 14 quilômetros o trecho navegável do rio Tietê — que passará a ser uma via de 55 quilômetros.

Atualmente, alguns trechos do Tietê e Pinheiros e da represa Billings já possuem alguma atividade hidroviária, mas agora serão integrados com obras de transposição de desníveis, caso da barragem da Penha.

Outro intuito do projeto é desenvolver sistemas de transporte coletivo por barcos, que funcionem integrados à rede de ônibus e metrô de São Paulo. Estas ações permitiriam maior acesso para pessoas que moram em regiões distantes, além de criar alternativas para a superlotação dos outros transportes e o trânsito.

Para criar a malha, além de aproveitar as vias aquáticas já existentes — com reabertura de rios como Saracura (coberto pela Avenida Nove de Julho) e Itororó (Avenida 23 de Maio) —, seria necessário construir novos canais artificiais. O governo de São Paulo analisa a viabilidade da ideia que, se aprovada, levaria ao menos 30 anos para ser completamente implantada.

Você sabia?

Em algumas regiões do Brasil, as Hidrovias já são uma realidade. Um exemplo está na hidrovia Paraguai-Paraná, que baseia‑se em um projeto cuja finalidade é desenvolver um sistema de navegação que possa ser utilizado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Segundo o livro Recursos Hídricos no Século XXI, de José Galizia Tundisi e Takako Matsumura Tundisi, essa hidrovia, que se estende por 3.440 km, desde Cáceres, no Brasil, até o ponto de Nova Palmira, no Uruguai, é considerada uma alternativa mais econômica para o transporte na região.

Apesar de oferecer uma solução para as regiões atendidas, a construção desta (e de outras hidrovias) demanda algumas preocupações relativas ao impacto ambiental provocado pelas construções e atividades.

Na hidrovia Paraguai-Paraná, órgãos governamentais e não governamentais avaliaram que sua construção pode causar alterações hidrológicas na região, ocasionando a perda da capacidade de regulação dos seres que dependem destes recursos naturais.

A solução para a hidrovia Paraguai-Paraná deverá estar relacionada ao uso adequado dos recursos: utilizar navegação do tipo tradicional, sem grandes obras no trecho do rio Paraguai, para diminuir o impacto.

E no resto do mundo?

De acordo com o livro Recursos Hídricos no Século XXI, em muitos lugares da Europa, dos Estados Unidos e do Sudeste da Ásia, a utilização de rios e canais para recreação e transporte é uma alternativa econômica extremamente importante

Atualmente, estas redes de hidrovias são usadas principalmente para escoar mercadorias, seja ela produtos agrícolas, minerais ou outros. Apesar disso, locais como Viena, na Áustria, ou Rotterdan, na Holanda, já investem em transporte de pessoas por meio de hidrovias.

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Viena, Áustria. Foto retirada do livro Recursos Hídricos no Século XXI

Tudo a ver

Se essa matéria tem tudo a ver com você, descubra todos os aspectos relacionados aos recursos hídricos com os livros Limnologia e Recursos Hídricos no Século XXI, de José Galizia Tundisi, doutor em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo e presidente do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos-SP, e Takako Matsumura Tundisi, professora titular aposentada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e diretora e pesquisadora do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos.

Na obra Limnologia é abordado todo o conhecimento científico acumulado sobre as águas, desde o uso dela como substrato até a origem dos lagos, a diversidade e a distribuição geográfica destes ambientes aquáticos.

Já no livro Recursos Hídricos no Século XXI, estão explicados todos os aspectos dos recursos hídricos no Brasil e no mundo, seus usos múltiplos, os principais desafios enfrentados e os mais recentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos na área. A obra também discute soluções e alternativas de gestão, com exemplos reais e inovadores implantados em diversos países e mostra que cada vez é mais importante descentralizar e integrar a gestão, estabelecer novas políticas públicas e desenvolver cursos e programas de capacitação.

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