Novo radar para monitoramento da Amazônia

Nos últimos anos, vários estudos têm tratado a resposta da floresta amazônica à seca por meio da análise de anomalias nos índices de vegetação obtidos por meio do sensoriamento remoto. Historicamente, foi somente a partir de 1980 que os impactos da seca na Amazônia começaram a ser estudados e, somente em 1997/98, passaram a receber mais atenção da comunidade científica após as queimadas ocorridas durante a seca desse período. Entretanto, as duas grandes secas de 2005 e 2010, foram consideradas as mais graves em um século. Estes eventos têm sido associados com o aumento da mortalidade de árvores, principalmente por causa de queimadas, além de outros fatores como as variações climática e hídrica.

Segundo o livro, Secas da Amazônia: causa e consequências, organizado por Laura Simone Borma e Carlos Nobre, a prática da queimada para eliminação de plantas invasoras e a renovação das forragens para pastagem, entre outras aplicações, mostra-se, a curto prazo, eficiente dada a qualidade das pastagens que rebrota com o aporte dos recursos nutricionais provenientes das cinzas da antiga cobertura e o baixo custo financeiro para tal. No entanto, a prática cobra um preço alto como perdas minerais por volatilização no momento da queima, por aumento de lixiviação e por erosão superficial, e a quase esterilização biológica do solo, que acarretam grande perda da fertilidade do solo, tornando as pastagens cada vez mais improdutivas e com alta concentração de invasores.

Recentemente dados obtidos durante os meses de março e abril de 2013 pelo DETER (Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real.), o sistema de detecção do desmatamento em tempo real baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostram que as áreas de alerta de desmatamento e degradação na Amazônia somaram aproximadamente 175km² neste período.

Mapas de Alerta – Março
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Mapas de Alerta – Abril
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

 

O sistema registra tanto áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, quanto áreas com evidência de degradação decorrente de extração de madeira ou incêndios florestais, casos que fazem parte do processo de desmatamento na região. Esses dados podem ser ainda mais elevados considerando que apenas parte do território é monitorada, já que a presença de nuvens afeta o resultado final dessas análises.

Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Até o fim deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, vai colocar um radar em operação para detectar as áreas com mais precisão. Isso quer dizer também que a cobertura de nuvens não irá mais restringir o trabalho de monitoramento. Segundo Dalton Valeriano, coordenador do sistema, “o radar seria um complemento para o satélite já existente – a checagem de todas as informações antes que elas se tornem oficiais é fundamental.”

O monitoramento por satélites é hoje imprescindível na contenção do desmatamento para proteger a biodiversidade e frear alterações no clima, além de gerar as informações necessárias à implantação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Tudo a ver

 Na obra Secas na Amazônia: causas e conseqüências você encontrará um importante estudo do histórico de secas abrangendo principalmente os anos da grande seca de 2005 e 2010 na Amazônia; a análise de fatores climatológicos determinantes; simulações e previsões; estudos das últimas secas; e impactos para os recursos hídricos, a fauna, a flora e os seres humanos. Escrito por renomados pesquisadores das mais importantes instituições brasileiras e internacionais, a obra traça uma análise abrangente e criteriosa sobre os eventos climáticos extremos na região, de fundamental importância para a biodiversidade, o meio ambiente e a economia não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

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