Limpeza de praias

As comemorações de final de ano chegaram ao fim, mas resultaram em toneladas de lixo acumulado nas praias, local escolhido por muitos brasileiros para passar o natal e a virada de ano.

Segundo dados das Companhias de Limpeza Urbana do País, responsáveis por eliminar esses detritos, somente em Copacabana, no Rio de Janeiro, foram recolhidas 403 toneladas de lixo. Em Itajaí, Santa Catarina, foram 150 toneladas de lixo. Em Santos e Fortaleza, o número foi quase igual, atingindo 124 toneladas e 90 toneladas respectivamente.

Para retirar o lixo da praia são utilizados alguns instrumentos com pás e rastelos. Eles peneiram a areia, recolocando a parte limpa na superfície e separando a sujeira como lacres de lata, bitucas de cigarro, sacos plásticos e manchas de óleo. O lado ruim, porém, é que além de remover esse tipo de sujeira, também retiram detritos naturais essenciais para o equilíbrio do ambiente. De acordo com o livro Recuperação de Praias e Dunas, escrito pelo professor do Instituto de Ciências Marinhas e Litorâneas em Rutgers, Nova Iorque, Karl F. Nordstrom, e traduzido por Silvia Helena Gonçalves, essa limpeza causa uma perturbação da fauna enterrada nas areias e prejudica também a vegetação pioneira.

Exemplo de máquina de limpeza.

O autor destaca no livro que, ao mover as linhas de detrito, as faunas que prosperam no micro-habitat, como sementes, colmos, rizomas de vegetação costeira e nutrientes são afetadas. Elas auxiliam no crescimento de nova vegetação, que fornece alimento e abrigo para animais macroinvertebrados das prais. Para Nordstrom, é fundamental encontrar uma maneira para retirar somente os detritos provocados pelos homens e manter os detritos naturais em praias normalmente destinadas à recreação, seja por meio de medidas governamentais ou de conscientização da população.

Tudo a ver:

O livro Recuperação de Praias e Dunas de Karl F. Nordstrom traça um panorama da urbanização descuidada das regiões costeiras e sua consequente degradação, e apresenta propostas para recuperá-las. É o primeiro livro em português que aborda essa questão, trazendo a experiência internacional ao alcance dos administradores, cientistas e técnicos às voltas com questões como recuperação de processos dinâmicos em ambientes costeiros urbanizados, engordamento de praias, manutenção de vegetações nativas, impactos de estruturas de proteção, entre outras, sem deixar de lado as necessidades dos diversos grupos de interesse – turistas, residentes, cientistas, empresas, ambientalistas – e a importância de sua participação para o êxito dessa iniciativa.

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