Geologia de Barragens e a importância na Engenharia

Toda obra de engenharia tem pelo menos parte de sua estrutura em contato com rochas ou solos. Conhecer as condições geológicas do local no qual será inserida uma barragem, por exemplo, possibilita um projeto executado de forma mais eficiente em vários aspectos. Cabe ao geólogo fazer os levantamentos e toda a investigação necessária para trazer ao engenheiro a natureza e a situação desses terrenos.

A obra ideal é aquela que tenha tempo de execução reduzido, e consequentemente, seus custos também. Garantir a sua segurança para que não aconteçam desastres no futuro e a preservação (ou mínimo desgaste possível) do meio ambiente são itens igualmente considerados em um projeto. Não basta somente, como querem alguns profissionais, a adoção de coeficientes de segurança mais altos, pois essa medida implica em obras mais caras, provavelmente mais demoradas e, claro, menos competitivas.

O lançamento da Editora Oficina de Textos, Geologia de Barragens, de autoria de Walter Duarte Costa, aborda de forma didática todas as questões que um geólogo ou engenheiro de barragens necessita saber para a execução de um projeto bem sucedido, mais seguro e econômico.

A vida de uma obra de barramento inicia-se com o projeto da obra, passando pela construção e operação. O projeto é constituído por quatro fases:
1. Inventário ou plano diretor;
2. Viabilidade;
3. Projeto básico;
4. Projeto executivo.

Geologia de Barragens explica detalhadamente cada uma das fases do projeto, e a partir da vasta experiência do autor na área, são citados exemplos de como a falta da geologia em projetos de engenharia aumenta a margem de prováveis desastres. A não valorização do mapa geológico é visível no Brasil, fato é, que desastres de barragens estão cada vez mais comuns.

A barragem de Irapé em Minas Gerais é um exemplo citado pelo autor. Nela, uma análise das propriedades químicas ao final da fase de viabilidade permitiu constatar eflorescências sobre os testemunhos de sondagens, cuja análise revelou tratar-se de sulfato de cálcio. Tal fato levou a desconsiderar para esse projeto as alternativas de barragens de enrocamento com face de concreto e de concreto compactado, que foram desenvolvidas como mais viáveis, para optar por barragem de terra, cujo projeto foi desenvolvido na fase de projeto básico e levado à construção em seguida. A mudança evitou sérios problemas futuros, pois certamente os carbonatos do cimento reagiriam com o sulfato do agregado, provocando a deterioração do concreto.

Para a barragem de Irapé, a pesquisa micropetrográfica bem detalhada foi essencial, assim como deve ser para outras obras, pois alguns minerais presentes nos agregados podem liberar sais quando em presença de água, os quais podem promover mudanças na pega e no endurecimento do cimento, além de provocar a deterioração do concreto. O conhecimento das condições hidrográficas e hidrológicas, estabilidade dos terrenos, composição e propriedade dos solos e rochas, entre outros itens, são fundamentais para uma boa investigação.

Uma boa investigação é, portanto, um bom projeto.

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