Energia a partir do lixo, e o Brasil com isso?

O volume de lixo cresce a cada dia e na mesma proporção a necessidade por energia. As curvas de crescimento dessas demandas configuram um dos maiores desafios tecnológico da atualidade. O aproveitamento energético do lixo vem aumentando em alguns Países como alternativa atenuante dessas curvas de crescimento. Hoje, são basicamente duas as rotas tecnológicas empregadas para alcançar esse objetivo: a queima direta dos resíduos (waste-to-energy) ou a queima do biogás produzido a partir da decomposição da matéria orgânica do lixo.

O Japão, Europa, os Estados Unidos e a China lideram o ranking de utilização de usinas térmicas que queimam o lixo para gerar energia ou calor. No mundo conta com aproximadamente 1,5 mil usinas térmicas. A questão envolvendo a emissão de substâncias cancerígenas que seriam liberadas a partir da queima do lixo ainda não está muito bem estabelecida, o que se afirma é que a queima acima de 900˚C eliminaria o risco de contaminação. Na Alemanha, por exemplo, foram exigidas novas tecnologias que assegurassem a qualidade dos gases emitidos.

No Brasil

A tecnologia de usinas térmicas ainda é cara e o custo de megawatt-hora é bastante elevado. Com os investimentos em energia convencional seja com a construção de pequenas hidroelétricas (PCHs) seja a polêmica Barragem de Belo monte, fica claro pelas circunstâncias mencionadas que o Brasil está longe de conseguir conciliar a curva energia-lixo. Ainda mais considerando que a disponibilidade de terra para aterros torna a opção menos complicada, diferentemente dos Países desenvolvidos.

A tecnologia utilizada no Brasil é a exploração energética da queima do gás do lixo, chamado também de biogás.

Demonstração gráfica da geração de energia a partir do gás gerado por um aterro.

 Se por um lado o biogás proveniente dos aterros é um dos vilões da camada de ozônio, por outro lado, ele é um gás que possui um alto poder calorífico e representa uma excelente forma de energia. O que se faz, é aproveitar os poços de drenagem de gás já existentes nos aterros sanitários e ligá-los a uma rede de coleta que levará o gás até a usina de geração de energia. Essa rede de coleta se conecta a bombas de vácuo que mantém uma vazão constante e regular.

O biogás que contém umidade e impurezas em sua composição, passa por um processo de retirada da umidade e uma pré-filtragem e só depois é encaminhado para a usina, onde alimentará moto-gerador e gerará eletricidade.

Em 2004, a cidade de São Paulo instalou a primeira usina de biogás dos Pais no aterro do Bandeirante, logo depois instalou a segunda no Aterro de São João.

Vista aérea do aterro sanitário Bandeirantes. Foto divulgação.

Esses dois aterros, que atualmente não recebem mais lixo, respondem por 2% de toda a energia elétrica consumida na cidade de São Paulo. Esta iniciativa é muito importante pelos benefícios ambientais e também por gerar receita extra: em três leiloes foram vendidos mais de 70 milhões de créditos de carbono, dos quais 50 % ficaram com a Prefeitura.

Outro exemplo é o gigantesco Aterro de Gramacho no Rio de Janeiro que ostentava o nada horroroso titulo de maior aterro de lixo na America Latina, atualmente conta com a presença de uma empresa privada que investiu mais de 250 milhões para poder explorar o biogás acumulado de 35 anos de lançamentos diários dos resíduos do Rio de Janeiro.

Vista aérea do aterro de Gramacho. Foto divulgação

Considerando apenas os 56 maiores aterros do Brasil, Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o biogás acumulado seria suficiente para abastecer com energia elétrica uma população equivalente à do município do Rio de Janeiro (5,5 milhões). A Abrelpe (Associação Brasileira das empresas de Limpeza publica e resíduos especiais), em outro estudo, se deteve na análise de 22 aterros sanitários que já manifestaram interesse em explorar o gás do lixo.

A boa notícia é que apesar de termos que importar dos Estados Unidos as microturbinas, responsáveis por transformar o biogás em energia elétrica, aproximadamente 80% das instalações contam com equipamentos fabricados no Brasil.

Somos um País cuja produção de lixo é enorme, gerando impactos ambientais relevantes e às vezes irreversíveis. Aumentar os investimentos no biogás é tarefa quase obrigatória para oferecer um destino melhor as milhares de toneladas de lixo geradas anualmente. Esta questão merece uma atenção especial do governo, dos empresários e da sociedade em geral. Uma discussão válida e benéfica para todos os cidadãos e para o futuro do lixo.

Fonte: G1- Mundo Sustentável

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