Memória óptica de vidro nanoestruturado

Recentemente pesquisadores da Universidade de Southampton, sul da Inglaterra, descobriram uma nova forma de armazenar uma imensa quantidade de dados em vidro com capacidade para durar milhões de anos. Isso pode ser um passo importantíssimo na questão de gerenciamento e preservação de dados.

A gravação de dados em vidros ou cristais é uma ideia antiga, como na famosa série “Superman” onde as memórias eram armazenadas em cristais. Seria um vislumbre do futuro? Certamente não sabemos, porém essa concepção que parecia ser tão impossível há 50 anos e visto como ficção científica por muitos, é hoje realidade.

Um time liderado pelo professor Peter Kazansky, do Centro de Pesquisa em Optoeletrônicos da universidade, usou nanoestruturas para desenvolver conversores de polarização monolíticos de vidro com espaços variantes. Esses dispositivos com tamanho milimétrico modificam a forma como a luz se propaga pelo vidro, gerando “redemoinhos” de luz que podem ser lidos de forma semelhante aos dados enviados por fibra óptica.

A imagem mostra os dados digitais gravados em armazenamento de dados ópticos 5D.
Foto: Universidade de Southampton

A memória em vidro permite gravar até 350 terabytes. A máxima capacidade da última geração de quad-layer Blu-Ray DVD é “somente” de 128 Gigabytes.  Os benefícios desta nova tecnologia não para por aí, além da estrondosa capacidade de armazenamento esta nova forma de armazenar pode durar por milhões de anos, enquanto que os DVDs atuais duram em média 7 anos com a garantia de não apresentar falhas. Outro fato importante é que o vidro nanoestruturado permanece estável se exposto a temperaturas de até 1.000 ° C.

Memória óptica de vidro nanoestruturado.
Foto: Universidade de Southampton

Museus e arquivos nacionais, com seus grandes números de documentos não serão os únicos a se beneficiarem, segundo o chefe do projeto Jingyu Zhang “estamos desenvolvendo uma forma muito estável e segura de memória portátil com vidro, o que poderia ser muito útil para organizações com necessidade de grande armazenamento de dados. Atualmente as empresas precisam fazer o backup de seus arquivos a cada cinco ou dez anos, pois a memória do disco rígido tem uma vida útil relativamente curta”

Extremamente compacta, barata, de alta durabilidade, essa tecnologia ainda não tem previsão de utilização comercial, mas promete ser uma ferramenta indispensável no futuro. A nanotecnologia surpreende mais uma vez e prova que está avançando a passos largos.

 A ciência com charme de ficção

A nanotecnologia trouxe avanços sem precedentes para humanidade. O desenvolvimento da microtecnologia, principalmente através da microeletrônica e da computação, foi fator decisivo na passagem para a modernidade, que pressionou os demais setores da ciência e da tecnologia e promoveu a elevação dos padrões de qualidade e da expectativa de vida no mundo inteiro.

Hoje, estamos contemplando um panorama completamente diverso daquele imaginado pelos cientistas na primeira metade do século passado. Nem mesmo o cientista americano Richard Freyman em seu famoso discurso histórico quase profético  – “Por que não podemos escrever os 24 volumes inteiros da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete?” Poderia imaginar o ritmo frenético que essa nova ciência tomou nos últimos anos e que tem assustado até os cientistas mais arrojados.

Haverá limite para a ciência? O escritor de ficção científica Arthur Clarke disse certa vez que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Quando se estuda a nanotecnologia e as nanociências, fica difícil refutar essa afirmação.

 Tudo a ver

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