Mineração sustentável?

O contínuo investimento em desenvolvimento de tecnologias permite novas configurações da indústria de minerais, trazendo benefícios para empresas e meio ambiente. Estes novos aparatos garantem não só a exploração das jazidas com teores mais baixos, como também permitem aproveitar resíduos do processamento de minérios.

Entre as empresas que investem em ações com viés sustentável no Brasil, está a Votorantim Metais, que tem trabalhado em criar uma política para eliminar todo o resíduo do processo industrial até 2020 de 11 unidades da companhia. Destas, a fábrica de Juiz de Fora obteve maior destaque, com uma operação para reciclar o pó das aciarias elétricas, rejeito das usinas siderúrgicas, na forma de matéria-prima da produção de zinco.

Esta medida pretende reduzir a necessidade de importação do concentrado de zinco, substituindo mais de 30% do insumo importado, tratando 85% do indesejável pó de aciaria gerado no País. Junto aos atuais produtos das fábricas – zinco, sulfato de cobre, ácido sulfúrico e concentrado de prata –, serão obtidos sulfato de chumbo, escória Waelz (usada em cimento e pavimentação) e sal misto (cloreto de sódio e potássio).

Em entrevista para o jornal Estado de Minas, Alexandre Gomes, diretor de tecnologia e sustentabilidade da Votorantim Metais, afirmou que o maior desafio da empresa é transformar as barragens de rejeito em novas minas. A Votorantim também pretende adequar-se à nova lei de resíduos sólidos no Brasil, investindo R$ 358,2 milhões em Minas no ano que vem.

Um modelo bem sucedido deste tipo de projeto foi aplicado por empresas como Vale, Mineração Usiminas, Ferrous e MMX, que conseguiram formar um longo ciclo de exploração em jazidas de baixos teores de ferro. Um dos exemplos está na adequação das explorações de Itabira, que permitiram formar uma nova usina na Mina de Conceição. Com este empreendimento, a Vale manterá a produção de Itabira na casa dos 40 a 45 milhões de toneladas anuais pelos próximos 50 anos. O minério extraído sairá das usinas na qualidade premium, com teores de 64% a 68% de ferro conforme o produto, graças à tecnologia empregada na moagem. Ações como estas permitem aproveitar insumos que antes eram descartados e ampliam o aproveitamento das jazidas.

A mineração pode desenvolver uma região

Você sabia que sustentabilidade não está relacionada somente com preservação ambiental? Gerar empregos e renda para regiões que necessitam de investimentos também é sustentável. Por isso, inúmeras mineradoras e empresas siderúrgicas tem investido em empregos e na formação de pessoas em atividades relacionadas à mineração. No município de Itabira foi instalado um campus da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), que oferece cursos de engenharia para 1.400 alunos da cidade, por exemplo, e para auxiliar na formação destas pessoas, a Vale reservou R$ 38,5 milhões para a compra de equipamentos de ponta na área eletroeletrônica, que serão destinados aos laboratórios que estão sendo montados pela Unifei.

Além disso, as pesquisas do Instituto Brasileiro de Mineração, Ibram, mostram que falta mão de obra para atender a demanda das empresas que estão crescendo ou têm planos de expansão em Itabira. Estima-se que até 2016 serão contratadas 18 mil pessoas na cidade, com diversos níveis profissionais: de operadores de máquinas a engenheiros com alta especialização.

Fonte: Estado de Minas

 

Leia mais sobre o assunto em livros que abordam conceitos sustentáveis na mineração: Guia de Boas Práticas de Recuperação Ambiental em Pedreiras e Minas de Calcário, que fala sobre os métodos mais eficazes para transformar áreas mineradas em locais apropriados para novos usos após o enceramento das atividades de mineração, e Mineração em Área de Preservação Permanente, que aborda possibilidades ecológicas para aproveitar os recursos minerais de áreas preservadas. Confira todos nossos livros de mineração clicando aqui.

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