Montanhas de baixas latitudes e o clima global

Como a extensão do terreno montanhoso em baixas latitudes pode alterar o clima global?

Por meio de seu efeito sobre o albedo global, uma grande área de neve altamente refletiva em baixas latitudes (onde uma grande porção da energia solar incidente atinge a Terra), poderia levar a um aumento significativo no albedo da Terra como um todo.

É difícil estimar que efeito as montanhas de baixas latitudes possam ter exercido sobre a Terra no passado distante, até porque ninguém sabe ao certo onde as montanhas estavam localizadas ou quão altas elas eram. No entanto, é algo que você deve ter em mente, sobretudo ao considerar como poderia ter sido o clima quando uma grande proporção da área global se encontrava em baixas latitudes, como pode ter sido durante o período Pré‑Cambriano.

Pelo fato de a densidade da crosta continental ser menor do que a da crosta oceânica ou a do manto, onde a crosta continental subjacente é mais espessa, a superfície da Terra é elevada em razão da isostasia. As grandes cadeias de montanhas do mundo, portanto, refletem a crosta continental espessada que as sustenta com amplas regiões de crosta espessada se formando como resultado da colisão entre duas placas continentais. Antes da colisão, a subducção ativa da litosfera oceânica produz duas fontes de CO². A principal fonte desse CO² é o vulcanismo, tanto acima da placa em subducção (Fig. 4.2a) como na abertura das dorsais para os oceanos, ao passo que a segunda fonte de CO² é resultante de metamorfismo da placa descendente.

Eventualmente a bacia oceânica se fechará em razão da subducção, e os dois continentes adjacentes colidirão (Fig. 4.2b). A colisão encerrará a subducção ativa e o vulcanismo resultante dela. Enquanto isso, o fluxo de CO² resultante do metamorfismo da crosta espessada provavelmente aumentará. Durante o período de subducção da crosta espessada, sedimentos do mar profundo serão raspados da superfície da placa oceânica em subducção, criando assim grandes cunhas de sedimentos ao lado da trincheira da zona de subducção, formando prismas acrecionários. À medida que os continentes colidirem, esses sedimentos (incluindo resíduos calcários e siliciosos) serão submetidos a temperaturas elevadas e pressões.

Fig. 4.2 Esquema de seções transversais mostrando a formação de uma cadeia de montanhas e os fluxos de carbono associados: (a) pré‑colisao; (b) colisão. Aumentos de CO² atmosférico são provenientes de emissões vulcânicas (V), metamorfismo (M) e precipitação de carbonatos (P). Diminuições de CO² atmosférico são resultantes do intemperismo de silicatos (I) e do soterramento de carbono orgânico (S). Setas tracejadas indicam os fluxos relativamente menores.

Se carbonato de cálcio e sílica forem aquecidos juntos a cerca de 400°C, ocorrerá uma reação de descarbonatação que libera CO²:

Tudo a ver

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