Mundo nanométrico: próximo estágio na evolução tecnológica

O escritor de ficção científica Arthur Clarke disse, certa vez, que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Quando se estuda nanotecnologia e as nanociências, fica até difícil de refutar tal afirmação. A possibilidade de manipular átomos e moléculas em laboratórios gera perspectivas antes só existentes na fértil imaginação dos ficcionistas, a cura de doenças, a solução dos problemas energéticos, inovação tecnológica eletrônica; uma lista que cresce a cada dia.

A nanotecnologia é vista pela maioria dos países como a alavanca que poderá conduzir a patamares mais elevados no ranking da economia global. Segundo o autor da Editora Oficina de Textos, Henrique Toma, também professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em seu livro O mundo nanométrico: a dimensão do novo século: “esta ciência, além de sua capacidade de gerar produtos de grande interesse comercial, também é valorizada como a tecnologia da capacitação, capaz de melhorar o desempenho de outras tecnologias de forma direta e indireta, mesmo sem aparecer no mercado”.

Quando falamos de nanotecnologia não se impõem limites ao exercício do pensamento. Um exemplo do avanço desta ciência é a recém-descoberta técnica usando partículas infinitesimais de ouro para parar o processo de coagulação sanguínea e depois reiniciá-lo, já que os anticoagulantes atualmente utilizados são eficazes na prevenção de coágulos, porém, demoram a sair da corrente sanguínea. A técnica pode melhorar substancialmente os procedimentos cirúrgicos, afirmou Kimberly Hamad-Schifferli, bioengenheira do Laboratório Lincoln do MIT, que esteve envolvida com a pesquisa. A pesquisadora e seus colegas relatam as descobertas no periódico PLoS One.

Apesar dos esforços em nanociências e nanotecnologia serem recentes na América Latina, o Brasil vem desenvolvendo alguns programas de nanotecnologia providos pelo Ministério de Ciência e Tecnologia por meio da criação de redes de cooperativas e Instituto de Pesquisas. Como exemplo de uma conquista nanotecnológica brasileira, temos a recém-descoberta de um nanomaterial pelos pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Eles comprovaram a ação bactericida de nanopartículas de tungstato de prata em testes com a bactéria Staphylococcus aureus, resistente à meticilina (SARM), uma das mais disseminadas, tanto no ambiente hospitalar quanto fora dele. Essas bactérias se fortificaram principalmente pelo uso abusivo e incorreto de antibióticos e tornaram-se um grave problema de saúde pública.

Os pesquisadores pretendem usar as nanopartículas de tungstato de prata irradiado na produção de medicamentos e materiais onde é possível a formação de biofilmes de super-bactérias. “Um dos objetivos da pesquisa é introduzir o tungstato de prata na composição de alguns objetos, como lentes de contato, implantes dentários e próteses ortopédicas, para torná-los mais resistentes à atividade microbiana”, completa o dentista Carlos Eduardo Vergani, da Faculdade de Odontologia da Unesp-Araraquara.

Existe uma expectativa de que o próximo estágio na evolução tecnológica será dominado pela nanotecnologia e nanociências. Segundo Henrique Toma, “O impacto da nanotecnologia na sociedade deverá ser maior do que o do silício, pois ela é aplicável em uma grande diversidade de áreas além da eletrônica”. Por isso a discussão, a reflexão e a disseminação desse conhecimento pela sociedade é inestimável para a compreensão dos novos passos da humanidade.

Tudo a ver

Descubra o fascinante mundo nanométrico na obra O mundo nanométrico: a dimensão do novo século. Este é o primeiro livro da Série Inventando o Futuro, que dá um panorama contemporâneo dos avanços e dos desafios a serem enfrentados em diversas áreas da Ciência e da Tecnologia modernas. Um ótimo livro para o desenvolvimento desse tema em salas de aulas e também para quem quer entender um pouco mais sobre essa ciência.

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