Novas barragens no interior de São Paulo

No dia 31 de julho, última terça-feira, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, autorizou o estudo para construção de duas novas barragens no interior paulista como solução para não reduzir o envio de água do Sistema Cantareira para a região metropolitana de São Paulo. O Sistema Cantareira que responde por 70% do abastecimento da região metropolitana de São Paulo, situada na bacia do Alto Tietê, reverte águas das bacias do Jaguari e Camanduaia para completar as demandas metropolitanas de água. O planejamento afirma que os novos reservatórios serão construídos nos rios Camanducaia e Jaguari, de forma a aumentar a disponibilidade de água em 7.000 litros por segundo, o necessário para o abastecimento de aproximadamente 20 cidades do interior. A estimativa é que as obras sejam iniciadas em 2014 e concluídas em 2016, tendo recebido o investimento de cerca de R$ 190 milhões, entre estudos, projetos, desapropriações e obras.

De acordo com Edson Giriboni, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, ainda não sabem ao certo quantas famílias poderão ser afetadas com desapropriações para a construção das barragens, assim como os estudos de impacto ambiental também não foram feitos. A implantação do projeto ficará a cargo do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

Fonte: Folha de São Paulo.

Para compreendermos melhor a situação, entramos em contato com o renomado profissional da área, José Carlos Derisio, e pedimos para que respondesse algumas perguntas sobre o assunto:

Comunitexto: Professor há de fato a necessidade de construir duas novas barragens no estado de São Paulo? 

José Carlos Derisio: A necessidade de 2 novas barragens para o abastecimento de água de cidades do estado de São Paulo com certeza foi proposta em função da disponibilidade de água em termos de quantidade e qualidade para servir essas 20 cidades.


CT: Essas ações trariam algum efeito negativo ao meio ambiente e/ou alguma população em específico?

J.C.D: A construção de qualquer barramento em corpos de água  implica em mudança nas condições da fauna e flora, pois o  ambiente lótico passa a ser lêntico. No entanto existem técnicas aplicáveis que minimizam os impactos ambientais que venham a ocorrer no meio aquático.

C.T: Para encerrar, a última pergunta: teria alguma solução diferente da autorizada pelo governador?

J.C.D: Creio que outras soluções tenham sido consideradas na viabilidade do empreendimento, no entanto, espero que o Governador tenha autorizado o barramento com assessoria de  sua equipe técnica, que por outro lado, deve ter considerado no processo decisório os aspectos técnicos, econômicos e sociais envolvidos no empreendimento em questão.

José Carlos Derisio é autor do livro Introdução ao Controle de Poluição Ambiental.

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