Novo padrão de plugues e tomadas no Brasil

Depois de 20 anos de discussão, o Brasil aprovou em 2010 um novo padrão de tomadas e plugues. Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), antes desta medida existiam pelo menos 10 tipos de modelos diferentes de plugues, fator que impulsionava os consumidores a utilizarem adaptadores específicos para cada aparelho e podia levar a curtos-circuitos.

E para falar um pouco mais sobre as normas que irão acompanhar essas mudanças, Carlos Alberto Favarin Murari, Engenheiro Eletricista e Doutor em Sistemas de Energia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, na qual atualmente é professor colaborador, preparou um texto especial para os leitores do Comunitexto. Confira!

Padronização de plugues e tomadas

Por: Carlos Alberto Favarin Murari

Atendendo a todas as especificações de segurança, qualidade e padronização, a norma ABNT NBR 14136:2002 [Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20A/250V em corrente alternada – Padronização] determina que devem ser instaladas as tomadas e os respectivos plugues 2P+T (dois pólos e terra) como ilustrado na figura.

Tomada padrão – norma ABNT NBR 14136

A norma prevê apenas duas tomadas: a de cima para intensidades de corrente até 10 A, destinada a plugues com pinos de diâmetro 4 mm e a de baixo para intensidades de corrente até 20 A e plugues com pinos de diâmetro 4,8 mm. O diâmetro maior no plugue de 20 A evita que um equipamento com corrente maior que 10 A possa ser conectado na tomada de 10 A, o que evita possíveis danos materiais e nos protege de acidentes elétricos.

Esta padronização contempla avanços importantes em relação a outros modelos nos seguintes aspectos:

a) Segurança: Os diferentes modelos de plugues e tomadas que vinham sendo comercializados no Brasil, possibilitavam que as pessoas tivessem acesso a partes vivas, uma vez que os plugues podiam ser inseridos parcialmente e por vezes, sem pensar nas consequências, as pessoas colocavam os dedos nos pinos do plugue para facilitar a conexão na respectiva tomada. Agora, devido à existência do rebaixo na face da tomada padrão, não existe o risco de choque elétrico, pois o usuário fica impossibilitado de contato acidental nos pinos do plugue quando este está em contato com a parte viva do terminal. E ainda, como o rebaixo também serve como um eficiente guia, fica impossível o usuário levar choque elétrico na tentativa de encaixar o plugue na tomada usando o(s) dedo(s) como guia.

b) Contato de aterramento: A obrigatoriedade do contato de aterramento no pólo central aumenta a segurança do usuário e atende à exigência da norma de instalações elétricas ABNT NBR 5410:2004 [Instalações elétricas de baixa tensão] a qual abrange tanto as instalações elétricas novas como a reforma das já existentes, incorporando tanto a evolução tecnológica como as atualizações ocorridas na norma internacional utilizada como referência, a IEC 60364 [Electrical Installations of Buildings] que é uma norma elaborada pelo International Electrotechnical Commission, uma organização mundial que tem como principal objetivo o de elaborar e publicar padrões internacionais para tudo que envolve eletricidade, eletrônica e tecnologias correlatas.

O aterramento elétrico de estruturas; carcaças de máquinas ou equipamentos; neutros de transformadores; blindagem de cabos elétricos; entre outros, visa atender fatores tais como:

  • A proteção humana contra choques elétricos quando em contato com partes metálicas acidentalmente energizadas;
  • A proteção dos equipamentos contra descargas atmosféricas;
  • A proteção de circuitos integrados de memória de computadores contra a eletricidade estática;
  • A eliminação de interferência eletromagnética em circuitos eletrônicos de controle e sinalização;
  • A proteção humana contra choques elétricos quando em contato com partes metálicas acidentalmente energizadas;
  • A proteção dos equipamentos contra descargas atmosféricas;
  • A proteção de circuitos integrados de memória de computadores contra a eletricidade estática e
  • A eliminação de interferência eletromagnética em circuitos eletrônicos de controle e sinalização.

Desde 26 de julho de 2006, a Lei 11.337 determina a obrigatoriedade de as edificações terem o aterramento da rede elétrica além de todos os aparelhos, cujo aterramento seja necessário, devem possuir o plugue de três pinos. E, portanto, para aproveitar os benefícios do avanço que esta lei traz é necessária a implantação do padrão brasileiro dos plugues e tomadas, para que os mesmos apresentem o terceiro pino, referente ao aterramento.

Existem muitos outros aspectos em relação ao aterramento das instalações elétricas bem como à proteção contra choques elétricos que devem ser assimilados através da leitura das respectivas normas e da literatura técnica como salientado no livro publicado pela Editora Oficina de Textos, intitulado Circuitos de Corrente Alternada – Fundamentos e Prática no qual também são apresentados outros tópicos básicos tanto teóricos como práticos envolvendo o uso da corrente alternada.

Tudo a ver

A obra Circuitos de Corrente Alternada é uma referência básica para estudantes de Engenharia Elétrica, Mecânica e Civil, assim como alunos de colégios técnicos e cursos de Eletrotécnica, entre outros. Apresentando os tópicos fundamentais da teoria nesta área, como medição de grandezas elétricas, formas de onda, características elétricas de resistores, indutores e capacitores, circuitos trifásicos, transformadores, motores, potência em circuitos, instalações elétricas e segurança, auxilia os alunos a efetuarem instalações com eficiência e segurança.

O livro também traz problemas resolvidos, exercícios propostos, leituras recomendadas e vídeos que mostram a teoria na prática.

Sobre os autores

Fujio Sato é Professor Doutor do Departamento de Sistemas de Energia Elétrica da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp.

Gilmar Barreto é Doutor na área de Automação pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC (Unicamp), onde atualmente é Professor, com ampla experiência no ensino de Eletrotécnica.

Carlos Alberto de Castro Júnior é PhD pela Arizona State University (EUA) e Professor Associado da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp.

Carlos Alberto Favarin Murari é Engenheiro Eletricista e Doutor em Sistemas de Energia Elétrica pela Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC (Unicamp), onde atualmente é Professor Colaborador.

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