O reúso do aço estrutural

O aço presente nas estruturas das edificações construídas a partir do início do século XX raramente perde sua capacidade de sustentação de carga e, de modo geral, pode ser desmontado com relativa facilidade. Muitos prédios com estrutura de aço estão chegando ao fim do seu primeiro ciclo de vida útil, mas são inapropriados para reúso in loco, devido à baixa altura dos andares, à necessidade de introduzir modernos sistemas prediais ou, simplesmente, porque têm poucos andares ou uma planta baixa inadequada. Assim, é provável haver um número crescente de oportunidades para o reaproveitamento dos perfis de aço de prédios em demolição e seu consequente reúso em novos prédios.

Em pequena escala, isso já vem ocorrendo há muito tempo; porém, para que o reúso seja aplicado em grande escala, é necessário o desenvolvimento de um procedimento adequado de avaliação do potencial de reúso, assim como de qualquer trabalho de reparação que precise ser realizado.

No Brasil

Recentemente o Brasil vive o caso polêmico da reutilização do aço especial do elevado no Rio de Janeiro. A demolição do elevado, que tem 7.326 metros de comprimento e liga o Centro do Rio às principais vias de acesso da cidade, faz parte do projeto de revitalização da zona portuária. O motivo da polêmica são 26 mil toneladas de vigas de aço ultrarresistente, que têm valor de mercado estimado em R$ 208 milhões.

Com base em uma tecnologia conhecida como Cor-Ten, desenvolvida pela United States Steel, essas vigas, fabricadas na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), é feita com a adição de vanádio, que protege o aço contra corrosão perdendo apenas 1 milímetro de espessura a cada 180 anos!

Foto: Estefan Radovicz
Fonte: Portal Brasil Econômico

A administração municipal ainda estuda o que fazer com as vigas. A ideia é usar os recursos da venda do material em outras obras de infraestrutura urbana. O Crea – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – se preocupam com o risco de sucateamento das vigas, já que as construtoras brasileiras preferem usar estruturas de concreto armado ao invés de aço em grandes obras de transportes.

O impacto ambiental da produção de aço

Segundo o livro Reúso de Materiais e Elementos de Construção, nos últimos anos, com a maior consciência sobre o aquecimento global e os efeitos das emissões de CO2 na atmosfera, os processos industriais que consomem grandes quantidades de energia precisam ser reavaliados, na tentativa de reduzir as emissões de carbono e economizar recursos para o futuro.

Os produtores de aço têm sido muito eficientes no tocante à melhora da eficiência de suas plantas de produção, e grandes quantidades de aço são recicladas e transformadas em aço novo.

Quando se recicla sucata, há redução no consumo de energia e nos impactos ambientais associados à extração de matérias-primas virgens. No entanto, a refundição do aço ainda requer grandes quantidades de energia, de modo que o aço feito com uma proporção de material reciclado tem uma energia incorporada superior à metade da existente em aço novo. A melhor alternativa é usar perfis de aço reaproveitados onde for possível, em vez de derretê-los. Ainda segundo o autor do livro Reúso de Materiais e Elementos de Construção, Bill Addis, os benefícios são claramente vistos quando se faz uma comparação entre o perfil ambiental do aço reaproveitado em relação ao aço novo. Veja esquema abaixo:

Perfil ambiental referente aço reaproveitado versus aço novo.
Fonte: Retirado do livro Reúso de Materiais e Elementos de Construção da Editora Oficina de Textos

Para reduzir custos de energia o máximo possível, é melhor transportar os perfis de aço reaproveitados diretamente para o local onde o prédio será erguido, reduzindo assim tanto o custo quanto o impacto ambiental causado pelo transporte do aço. A viabilidade desse procedimento depende da quantidade de aço envolvida e da possibilidade de haver as instalações necessárias para a realização do trabalho no local. Atualmente, os fabricantes relutam em considerar essa opção, pois terão de justificar seus gastos com instalações e custos de operação, incluindo mão de obra fixa.

 Tudo a Ver

Parte deste artigo foi retirado do livro Reúso de Materiais e Elementos de Construção. A obra identifica como arquitetos e engenheiros podem projetar construções que incorporem materiais e componentes reaproveitados, de modo a minimizar a geração de resíduos. O reúso de recursos das construções ganha cada vez mais relevância à medida que cresce em todo o mundo o interesse em projetos verdes e sustentáveis. Para saber mais acesse aqui

http://www.ofitexto.com.br/p/reuso-de-materiais-e-elementos-de-construcao-.html

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