Os desafios da ciência centrada em dados

Durante sua última palestra na Microsoft Research, antes que desaparecesse no mar em 2007, o pioneiro da tecnologia de bases de dados, Jim Gray, já defendia veementemente a produção de ferramentas para o ciclo completo da pesquisa  – da captura dos dados e sua curadoria à análise e visualização deles. Para ele era necessário melhorar os fluxos de informação e desenvolver soluções que melhorassem o aproveitamento de dados nas pesquisas acadêmicas.

“O mundo da ciência mudou e não há dúvidas a respeito. O novo modelo prevê a captura de dados por instrumentos através de simulações, seguida por um processamento por software e armazenamento em computadores. A dificuldade está em codificar essas informações. Ainda não temos ferramentas suficientemente eficazes nem para curadoria nem para análise”, disse.

Eis a problemática que deu origem ao quarto paradigma da ciência, hoje conhecida com eScience, ou ciência centrada em dados. Passando pelo empirismo, pelas teorias até a simulação de fenômenos complexos, a ciência atual unifica teoria, experimento e simulação, analisando base de arquivos por meio de gerenciamento de dados e estatísticas. A questão central é saber como gerenciar e aproveitar ao máximo a avalanche de dados produzidos diariamente nas estações de pesquisa.

Conhecida pela sua transversalidade, a computação e seus desafios como base para a ciência encontra-se presente em praticamente todos os campos de conhecimento, que vão desde as ciências humanas até os mais avançados estudos biológicos. Mas são os serviços de saúde e o meio ambiente as áreas que enfrentam os maiores dilemas. Mais de 18 milhões de artigos estão atualmente catalogados na literatura biomédica. A taxa de acesso dobrou a cada 20 anos e o número deverá superar um milhão em 2012.

Conforme escreveram Iain Buchan, da Universidade de Manchester e John Winn, da Microsoft, “sozinhos os dados não podem levar a serviços de saúde de melhor qualidade”. Para eles, é preciso revisar as “metodologias de análise” e “desenvolver sistemas computacionais capazes de buscar sinais conjuntos de dados que sejam benéficos para a humanidade”.

Para além dos temas apresentados até aqui, o livro “O Quarto Paradigma” – lançamento da Oficina de Textos – congrega o há de mais avançado nos estudos da eScience. Publicado em parceria com a Microsoft Research, a obra dá continuidade ao trabalho de Jim Gray – o grande precursor do assunto na comunidade científica – e apresenta os desafios técnicos inseridos na produção de conhecimento humano.

Discute a centralidade de dados nas aplicações ambientais, na ciência ecológica, na medicina, na astronomia e no registro científico na comunicação acadêmica. Mostra a instrumentalização da Terra, a computação multinúcleo, o paralelismo, registros médicos com auxílio de programas para celulares, crowdsourcing pela internet para os estudos de novas galáxias, a nuvem e o futuro da política de dados. Ao apresentar um panorama atual da eScience, a obra dialoga com as comunidades de pesquisa científica e computacional e inspira toda uma nova geração de cientistas.

Lançamento

O Quarto Paradigma – descobertas na área da eScience será lançado no próximo dia 19, durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, em Natal- RN. Cerca de 2.500 pessoas, entre professores, alunos e profissionais poderão conhecer em primeira mão uma das mais atuais obras sobre o assunto.

Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação (IC) da Unicamp, fará a apresentação do livro durante sua palestra “Managing Animal Sounds – Some Challenges and Research Directions”, no dia 19. Até o final do ano três outros eventos de lançamento deverão ocorrer, todos em parceria com a Microsoft Research.

O Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC) é um evento realizado anualmente pela SBC, com a intenção de promover e incentivar a troca de experiências entre as comunidades científica, acadêmica e profissional na área da Computação. Em 2011, o tema será Computação para todos: No caminho da evolução social. O encontro está marcado para acontecer entre os dias 19 e 22 de julho

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Comentários

  1. Interessante… Acho que comprarei o livro.

    É bastante pertinente pensar em como transformar estes dados que parecem entulhar as universidades e os centros de pesquisa em algo útil e que traga melhorias para a sociedade, pois este é um dos objetivos da ciência. Talvez o modo como os cientistas estão sendo criados esteja errado e um novo modelo seja necessário.

    Abraço!

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