Padrão de Qualidade Ambiental para o Biodiesel

A definição de um marco regulatório para os biocombustíveis deve necessariamente incorporar também a variável ambiental, além da diversificação da matéria prima e a elevação de incentivos fiscais.

Um dos grandes desafios será o projeto de produção do biodiesel a partir do óleo de palma (dendê) cultivado em vários estados do norte-nordeste brasileiro, principalmente no Pará. Até 2014 prevê-se uma produção de 750 milhões de litros de biodiesel. A meta seria propiciar uma mistura de 5% de biodiesel no diesel, o B5, já em 2011.

Ocorre que a produção, tanto artesanal como industrial, do óleo de palma e de óleo de palmiste gera efluentes líquidos correspondentes a uma carga orgânica considerável de resíduos, de cerca de mais de 100 kg/m3 de Demanda Química de Oxigênio. Para se ter uma ideia desse potencial poluidor, 1 litro desse despejo lançado em um rio corresponde a cerca de 200 vezes a poluição causada por 1 litro de esgotos sanitários. E ainda é preciso considerar a poluição causada pelos resíduos sólidos da fabricação, que é da mesma ordem de grandeza.

O tratamento mais usual para esses despejos seria o tratamento anaeróbio, utilizando-se lagoas de estabilização ou reatores anaeróbios, fazendo-se aspersão no solo, sob certas condições, de parte do efluente tratado, bem como a utilização da fase sólida residual do processo produtivo na fabricação do biodiesel. Outro subproduto seria o gás metano emanado das lagoas anaeróbias, passivel de ser captado e aproveitado com fins energéticos.

Entretanto, no Brasil, o tratamento dos despejos da fabricação do óleo de palma tem se revelado precário, em razão das dificuldades inerentes à fiscalização praticada pelos órgãos de controle. Isto fatalmente tem resultado em uma minimização do montante de investimentos previstos para a preservação do meio ambiente por parte de muitos dos empreendedores.

Para manter a sustentabilidade de toda a matriz energética, é necessário, pois, que os investimentos aportados na implantação dessas usinas prevejam um padrão mínimo de qualidade ambiental para o biodiesel.

Artigo enviado pelo leitor José Eduardo W. de A. Cavalcanti em complemento ao texto A Consciência Ambiental e os Biocombustíveis.
José Cavalcanti já publicou dois manuais em tratamento de efluentes/água (um com 2 edições), e é sócio e fundador do Grupo Ambiental, clique aqui para conhecer.

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