Adequação ambiental de propriedades rurais

Por que promover a adequação ambiental de propriedades rurais?

O paradigma da expansão de áreas agrícolas sobre remanescentes naturais devido à crescente demanda por alimentos e bicombustíveis, com a produção de alimentos ambiental e socialmente sustentável é o grande desafio da atualidade.

Com uma legislação ambiental cada vez mais restritiva e a pressão de mercados consumidores com exigências e soluções sustentáveis, as empresas estão aderindo a programas de adequação ambiental e a certificação de suas áreas produtivas visando estabelecer ações para uma produção mais sustentável, respeitando as exigências legais quanto à proteção dos recursos naturais.

Para a implementação da adequação ambiental é necessário, primeiramente, por meio do mapeamento, um diagnóstico de toda a propriedade para identificação das áreas degradadas ou ocupadas irregularmente  com a finalidade de identificar as principais classes de uso de ocupação do solo tais como: áreas agrícolas em uso, áreas agrícolas abandonadas, fragmentos florestais remanescentes, áreas com solos encharcados ou com afloramento rochoso, áreas edificadas e outros. Como segunda etapa, deve-se visitar essas propriedades com o objetivo de validar os mapeamentos realizados para a correta classificação dos remanescentes. Outra característica importante de um mapa de adequação ambiental é o detalhamento das áreas irregularmente ocupadas com atividade de produção e das áreas abandonadas que deverão passar pelo processo de restauração ecológica visando à regularização ambiental.

De acordo com a obra Conservação da Biodiversidade com SIG, a partir da delimitação e da caracterização das situações ambientais identificadas no zoneamento ambiental das propriedades, deverá ser definida a metodologia de restauração para cada uma das situações. Vale lembrar que uma metodologia pode englobar diversas outras metodologias ao longo do tempo, sendo consideradas ações de manejo adaptativo, com objetivo de corrigir a trajetória de restauração e potencializar o sucesso da restauração ecológica da referida situação, que é o objetivo maior de todas essas iniciativas. As ações de restauração que visam a adequação das propriedades rurais podem durar muito tempo, por isso, a definição de um cronograma de restauração é imprescindível para possibilitar o maior ganho ambiental possível. Tendo em vista a importância da conectividade para a manutenção da biodiversidade em paisagens fragmentadas, a adoção de critérios de priorização de áreas para restauração que levem em conta o incremento da conectividade na paisagem surge como uma importante estratégia de planejamento.

Você Sabia?

Resiliência ecológica

Resiliência ecológica é a capacidade de um sistema retornar ao seu estado original após uma perturbação. Por ser impossível determinar o estado original de um sistema, a resiliência deve ser definida principalmente como a “capacidade de um sistema em manter seus processos ecológicos como polinização, frutificação, dispersão e reprodução de organismos, mesmo sob perturbação”. Para alguns autores a estabilidade de resistência e estabilidade de resiliência em um ecossistema são características mutuamente excludentes, assim, ou um sistema apresenta alta resistência e baixa resiliência, ou o contrário. Dessa forma, um sistema não poderia possuir altos índices de ambas as características.

Tudo a ver

Quer saber mais sobre processos de adequação ambiental de propriedades rurais? A obra Conservação da Biodiversidade com SIG é essencial.

O livro aborda um capítulo inteiro sobre adequação ambiental de propriedade rural e detalha as metodologias e procedimentos. É uma referência sobre os estudos e as práticas mais atuais na aplicação de SIG em projetos de conservação, e atende a pesquisadores, conservacionistas e usuários de SIG em organizações não governamentais, universidades e centros de pesquisa, assim como empreendedores ambientais, líderes comunitários e populações indígenas.

Sobre os organizadores

Adriana Paese: é bióloga, doutora em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e preside o capítulo brasileiro da The Society for Conservation GIS (SCGIS).

Alexandre Uezu: é biólogo e doutor em Ecologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas e professor da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS).

Maria Lúcia Lorini: é bióloga, doutora em Geografia (Planejamento e Gestão Ambiental / Geoecologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colaboradora da International Association for Landscape Ecology – Brazilian Chapter.

André Cunha: é biólogo e doutor em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente leciona no Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB).

Deixe sua opinião!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *