Professora Emico, de “Física das Radiações”, fala sobre a poluição eletromagnética causada pelos celulares

A crescente preocupação em torno na radiação emitida pelos celulares tem causado divergências entre os que acreditam e os que não acreditam nos efeitos maléficos das ondas eletromagnéticas de frequência na região de micro-ondas. Muitos dizem que ao enviar mensagens, fazer ligações, trocar dados pelo bluetooth ou usar a internet, o cérebro humano absorve a radiação em forma de calor.

Para a autora de “Física das Radiações” e professora da USP, Emico Okuno, a radiação emitida e recebida pelo aparelho de telefone móvel não tem energia suficiente para modificar o DNA contido no núcleo das células. “As ondas eletromagnéticas do celular são de baixa frequência e não tem força para arrancar elétron de átomos do corpo, processo este considerado como início de dano biológico”.

A radiação emitida quando o aparelho é usado e o longo tempo de exposição a campos eletromagnéticos mais fracos emitidos pelas antenas colocadas em torres desencadeiam uma poluição, semelhante à atmosférica. Para a professora, apesar de estarmos certos de que convivemos com uma “poluição eletromagnética” , não há estudos consistentes que a classifiquem como o maior problema ambiental do século.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC, em inglês), um ramo da Organização Mundial da Saúde, anunciou no dia 31 de maio deste ano que campos eletromagnéticos de radiofrequência foram classificados como possível agente carcinogênico para seres humanos, na categoria 2B. “A associação entre esse agente e um tipo de câncer cerebral é fraca, mas como o número de usuários de celulares é imenso, por precaução decidiram por essa classificação”, explica Emico. Na mesma categoria enquadram-se café e gasolina.

O estudo que motivou o anúncio relaciona o uso do celular ao aumento de tumores malignos e benignos no cérebro. Segundo a pesquisa, quem usou o aparelho por mais de 30 minutos por dia durante 10 anos, apresentou 40% mais chances de desenvolver gliomas, tumor encefálico maligno e muito perigoso. Mas a divulgação já veio com uma ressalva: osresultados não são definitivos.

De acordo com as orientações da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), o ideal é que usemos mais mensagens de texto ou outros serviços de mensagem e afastemos o celular da cabeça sempre que possível – com o uso de fones, por exemplo . É preferível deixar o celular guardado na bolsa e o bluetooth desligado quando não estiver usando o serviço. Outra dica é não usar o celular quando o sinal estiver fraco. Isso exige que o celular opere em maior frequência, aumentando a radiação emitida.

Física das Radiações

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2 Comentários

  1. Parabéns pela artigo divulgado. Excelente.

  2. vale a pena conhecer

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