Projeto RADAM e a descoberta de um novo Brasil

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Até o início da década de 1970, o que se conhecia de real sobre a Amazônia era bem pouco, fato este perfeitamente justificado pela vastidão de sua área florestada, difícil acessibilidade por via terrestre, densa camada de floresta tropical, presença constante de nuvens e condições climáticas adversas. A penetração na  selva, quase sempre impossível, tornava inviável a exploração científica com os meios e métodos até então utilizados, os estudos pedológicos limitavam-se a uma pequena faixa ligada aos trechos navegáveis dos rios e esses poucos dados eram extrapolados para extensas áreas.

Em 1965, como resultado de uma estreita associação entre a NASA e a CNAE – Comissão Nacional de Atividades Espaciais, foi iniciado no Brasil um programa para a implementação de pesquisas no campo da aplicação do sensoriamento remoto para levantamentos de recursos naturais chamado RADAM. O geólogo Luiz Henrique Aguiar de Azevedo, um dos responsáveis pelo projeto conta com mais detalhes sobre este processo:

 “A idéia de montar o RADAM surgiu quando eu estava na Nasa, participando no programa espacial na qualidade de Principal Investigator na área de meio ambiente e recursos terrestres. Tive que fazer um curso de especialização em RADAR em um dos maiores fabricantes do mundo. Após o primeiro contato com o equipamento pensei em aplicá-lo na Amazônia, pois, pelo fato de o local ter muitas nuvens, não seria possível tirar fotografias de avião através de câmeras comuns e, sem uma fotografia, os técnicos, geólogos, engenheiros e outros não poderiam estudar o meio ambiente amazônico. A única forma de fazer o estudo seria por meio de um sensor, que penetrasse nas nuvens. Um equipamento que faz esse trabalho é o radar. Na mesma época eu pertencia ao Ministério de Minas e Energia e sugeri ao então ministro a criação do projeto. Ele aceitou.”

 Pelo sucesso do método utilizado e pela qualidade das respostas obtidas, a área original do RADAM foi sendo gradativamente ampliada para toda a Amazônia Legal, numa primeira etapa, até atingir em 1975 a totalidade do território brasileiro, quando passou a se denominar Projeto RADAMBRASIL, tornando-se o maior projeto mundial de cobertura radargramétrica efetuada com radar aerotransportado.

Aeronave Caravelle – PTDUW utilizada pelo projeto RADAM

Como resultado do projeto RADAM foram produzidas, entre outros, 275 cartas planimétricas para uma área de 4.300.210 km² da Amazônia Legal, além de 551 originais cartográficos de todo o território nacional e 132 cartas-imagem de radar de diversas regiões, todos na escala 1:250.000.

Estrutura Geológica em imagem de Radar do projeto RADAM

Assim, o projeto RADAM deixou um importante legado, repleto de experiências e a principal delas é o volume do Levantamento de Recursos Naturais (LRN), em número de 38, dos quais 34 impressos em papel e/ou CD-Rom, e 4 em CD-Rom. Esse material pode ser encontrado no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

O projeto RADAM representa até hoje a maior experiência mundial no estudo de imagem de Radar de Visada Lateral, no campo dos recursos naturais, renováveis e não renováveis. No final de sua existência o projeto foi incorporado ao Ministério do Planejamento, em razão de sua absorção pelo IBGE.

O projeto RADAM-D

O Projeto RADAM-D, executado na CPRM – Serviço Geológico do Brasil vem realizando um importante trabalho visando, a partir da digitalização, a preservação das informações gerados pelo projeto RADAM.

Fontes:

Veja na íntegra a entrevista com o visionário geólogo Prof. Luiz Henrique Aguiar de Azevedo. Clique aqui.

Para saber mais detalhes deste incrível projeto acesse o artigo de Leonardo de Sousa dos Santos no Portal GeoPará.

A Cartografia na Amazônia no Portal www.siget.rr.gov.br

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