Os raios agora na tela do cinema

O Brasil devido a sua grande extensão territorial e a proximidade do equador geográfico é um dos países de maior incidência de raios no mundo ostentando o título de campeão mundial desta ocorrência em termos absolutos, gerando prejuízos enormes a nossa sociedade. Diversos setores são afetados: agricultura, telecomunicações, construção civil, indústria em geral e o setor elétrico.

Apesar dos estragos, são os brasileiros, cidadãos comuns, os mais prejudicados, pois alguns acabam pagando com a vida. Segundo pesquisas feitas pelo grupo de eletricidade atmosférica do INPE, o número de mortes por raios é maior do que por deslizamentos e enchentes. E é na primavera e no verão, épocas com mais tempestades, que a preocupação aumenta. Segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do INPE, a morte por raios no Brasil até abril será praticamente diário.

Diante de tantos dados e ocorrências deste fenômeno no Brasil, recentemente o Elat produziu o filme Fragmentos de uma paixão: nele poderá ser visto imagens de raios capturadas por meio de câmeras de alta velocidade capazes de registrar até quatro mil quadros (frames) por segundo. Apoiado pela FAPESP, este é o primeiro longa-metragem sobre o fenômeno meteorológico no País. Apesar de existirem alguns documentários sobre raios produzidos por outros países, no Brasil, ainda não havia sido feito nenhum.

Um pouco de história

Equipamento usado pela equipe inglesa em Sobral (Science Museum/Science and Society Picutre Library).

A Diretora do Filme Iara Cardoso juntamente com o pesquisador Osmar Pinto Junior levantaram, ao longo de três anos, diversas informações sobre a história dos raios no Brasil em bibliotecas nacionais, como as de são Paulo e Rio de Janeiro, bem como no exterior.

No Brasil, os primeiros estudos sobre raios foram feitos por pesquisadores do Observatório Nacional do Rio de Janeiro e depois com a criação do Elat do INPE, em 1995, que se tornou referência mundial em estudos sobre raios.

O primeiro registro fotográfico de raio no País é de Henrique Charles Morize (1860-1930), feito em 9 de novembro de 1885, no alto do então Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, onde está situado hoje o aeroporto Santos Dumont. Morize também é responsável juntamente com uma equipe inglesa pela observação, em 29 de maio de 1919, do eclipse total do Sol em Sobral no Ceará. Nesta observação foram obtidas as maiores provas do “efeito Einstein”– como era denominada a deflexão da luz pela gravidade. Porém, os relatos textuais sobre raios no Brasil datam desde a descoberta do país, em 1500.

 Foi publicado em janeiro de 2013 na revista Atmospheric Research, um estudo sobre o número de pessoas que morrem atingidas por raios no Brasil anualmente e as circunstâncias das mortes, feito pelos pesquisadores do Elat. Constatou-se que no período de 2000 a 2009 foram registrados 1.321 casos de vítimas fatais de raios no Brasil – o que representa uma média de 132 casos por ano. Do total de vítimas, 81% eram do sexo masculino e 19% do sexo feminino.

A região Sudeste apresentou o maior número de mortes – representando 29% dos casos –, seguida pelas regiões Central (com 19%), Norte e Nordeste (com 18% cada) e Sul (com 17%) do País.

Esse importante estudo, além de ter apresentado dados calculados a partir de informações nacionais, já que as estimativas sobre o número de pessoas atingidas e de vítimas fatais de raios no Brasil eram totalmente baseadas em dados internacionais, também irá indicar com maior precisão quais as medidas mais adequadas que o País deve tomar para evitar mortes por este fenômeno.

O filme

O objetivo principal do filme Fragmentos de uma paixão, segundo Iara Cardoso era fazer um documentário que não fosse somente assistido por especialistas da área. Ela queria que a sociedade brasileira como um todo se interessasse por raios, assim as pessoas se protegeriam melhor e com isso poderiam ser evitadas tantas mortes por desconhecimento do tema.

O filme também chama a atenção para o fato de que com as mudanças climáticas globais os raios tenderão a ocorrer com maior frequência no País nos próximos anos e setores como o de distribuição de energia e de aviação deverão se preparar cada vez mais para se proteger de seus possíveis impactos.

O longa mistura informações e reflexão com um olhar de ficção para documentar a realidade. No filme são apresentadas algumas questões essenciais da humanidade, despertando perguntas como “o que teria ocorrido em minha vida se tivesse feito apenas uma coisa diferente?”

Os raios apesar de fatais, para alguns, também são vistos como fonte de paz ou até mesmo uma circunstância que pode levar à paixão. Para muitos, a beleza deles atrai o olhar e faz valer a pena os assistir ao vivo iluminando os céus.

Fonte: Editorial Elat

 Tudo a ver

Osmar Pinto Junior é também autor do livro A arte da guerra contra os raios, o livro é fruto de uma vasta experiência do autor coordenando o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do instituto Nacional de pesquisas Espaciais (INPE).

A obra tem como objetivo descrever em detalhes a técnica e uso do sistema de detecção de descargas atmosféricas denominado Rede Integrada Nacional de Detecção de descargas Atmosféricas (RINDAT). Devido à maior complexidade desta técnica em relação ao para-raio, seu uso requer mais conhecimento sobre os raios.

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