Restauração versus regeneração natural

renascimento-vitrineUm problema central do planejamento dos esforços de restauração é a dúvida sobre quando a restauração ativa é de fato necessária e como deve ser feita.

Essa deci­são deveria idealmente ser baseada na compreensão do potencial para regeneração natural de cada área, das condições de solo, dos objetivos específicos do programa de reflorestamento na escala espacial do projeto, e dos fundos disponíveis para apoiar um programa de longo prazo com monitoramentos periódicos.

A regeneração natural deve ser o método mais bem­-sucedido considerando-se a escala da paisagem e a escala regional, e a restauração ativa deve ser aplicada dentro de áreas específicas que perderam o potencial de regeneração natural devido à degradação do solo ou à limitação da dispersão.

Uma abordagem de duas fases envolvendo o estabelecimento inicial de plantações de uma única espécie seguido pela introdução de espécies nativas (ou misturas de espécies nativas e exóticas) após a recuperação do solo pode levar à restauração bem-sucedida de áreas severamente degradadas.

A restauração ecológica, por sua vez, tem por objetivo eliminar ou reduzir as barreiras existentes que impedem a regeneração natural, motivo pelo qual os projetos desti­nados à efetiva restauração na escala local necessitam de um diagnóstico específico para cada área.

As barreiras ecológicas que impedem a regeneração natural podem ser classificadas em quatro categorias gerais:

  • (1) áreas com solo empobrecido por causa da erosão e de perda da camada superficial;
  • (2) colonização inadequada de espécies devido à limitação de dispersão;
  • (3) dominância de ervas daninhas ou gramíneas invasoras;
  • (4) condições microclimáticas alteradas.

Os métodos de restauração precisam abordar as barreiras ecológicas específicas que impedem a regeneração natural na escala local. Essas limitações variam entre regiões geográficas e florísticas.

Em outras áreas de florestas, a regeneração pode ser impedida por ocorrência recorrente de fogo, pastejo, remoção da serapilheira ou outros distúrbios que impossibilitem o estabelecimento da vegetação lenhosa. Os esforços de restauração ecológica estão condenados a falhar se as principais barreiras locais que impedem a regeneração natural não forem bem compreendi­das. Muitos projetos caros de restauração foram perdidos por causa de incêndios, baixa sobrevivência das mudas e monitoramento e manejo inadequados.

Trajetórias de áreas de restauração ativa, assim como de restauração passiva, são limitadas pelos usos atuais e passados do solo e pelo isolamento das fontes de semente ou pela eliminação da fauna dispersora de sementes.

Portanto as abordagens de restauração florestal precisam ser embasadas nas limitações ecológicas, sociais e econômicas e nas oportunidades específicas de cada local. Em alguns casos, é neces­sário primeiro reabilitar o solo para permitir o crescimento da vegetação nativa. Em outros casos, a restauração florestal simples­mente requer a prevenção contra o fogo, a construção de cercas para isolar o gado ou a eliminação de espécies exóticas ou não necessita de qualquer intervenção.

Tudo a ver

Esta matPrintéria foi retirada do livro Renascimento de Florestas – Regeneração na era do desmatamento de Robin Cherazon. Fruto de mais de 25 anos de pesquisa, em diferentes regiões e com diferentes colaboradores, e um rico trabalho bibliográfico, Renascimento de florestas é uma obra ess
encial para o manejo e a restauração de florestas tropicais e para compreender os impactos de fatores geográficos e socioeconômicos no desmatamento e na regeneração florestal.

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