Riscos do bairro Quitandinha foram mapeados há 2 anos pela UFRJ

Uma matéria do jornal O Globo revelou que Antônio Guerra, coordenador do Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Erosão dos Solos (Lagesolos) da UFRJ, entregou um relatório sobre as áreas mais suscetíveis a deslizamentos no bairro do Quitandinha para a prefeitura de Petrópolis há 2 anos.

Segundo o pesquisador, o documento foi elaborado em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), vinculado ao governo federal, e com a própria Defesa Civil da cidade serrana, ficando pronto antes das chuvas do verão de 2011, que mataram mais de 900 pessoas na região.

O relatório apontava que somente no Quitandinha existiam 200 casas em áreas de alto risco de deslizamento, mostrando que a causa do acontecimento em Petrópolis não foi a imprevisibilidade das precipitações ou sequer o excesso pluviométrico.

Ainda de acordo com Guerra, é feito pouco para recuperar áreas degradadas, especialmente nesses casos de alto risco, cuja única solução é a remoção e construção de imóveis em outras áreas. Em casos de médio e baixo risco é possível aceitar alguns tipos de ocupação, desde que obras de infraestrutura sejam realizadas para evitar desastres.

Embora Guerra aponte que as características do solo podem ter contribuído para a tragédia, isso não diminui a culpa dos governos, segundo ele. Conforme afirmado para o jornal, os solos de Petrópolis, de um modo geral, possuem alta suscetibilidade à erosão e aos movimentos de massa. Isso acontece porque alguns deles são bem rasos, com profundidades inferiores a um metro. Há muitos matacões (grandes blocos rochosos) que podem tornar o solo mais suscetível aos movimentos de massa.

O pesquisador também destaca que a maioria das encostas possui declividades superiores a 45 graus e, portanto, nada deveria ser construído nesses lugares.

Fonte: Jornal O Globo

Tudo a ver

Antonio Jose Teixeira Guerra e Maria do Carmo Oliveira Jorge, ambos integrantes do Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Erosão dos Solos (Lagesolos) da UFRJ, organizaram um livro sobre o tema abordado nesta reportagem para a Oficina de Textos.

O livro Erosão e Movimentos de Massa: Recuperação de Áreas Degradadas e Prevenção de Acidentes será lançado em breve e contará com capítulos que abordam recuperação de áreas com técnicas de bioengenharia, prevenção de acidentes, o papel das geotecnologias na identificação de feições erosivas e de movimentos de massa, o papel do clima nos estudos de prevenção e diagnostico de erosão dos solos e movimentos de massa e muitos outros.

O título ainda está no prelo, portanto, fique de olho em nossos futuros lançamentos!

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