O século da e-Science

Primeira publicação sobre o assunto no Brasil, O quarto paradigma, de Jim Gray, defende a criação de novas ferramentas de computação de dados para a ciência.

Imagem computadorizada de um sistema biológico em estudo - Fonte: "The Fourth Paradigm"

Por muito tempo a ciência teve como obstinação a busca por tecnologias que pudessem decifrar e dimensionar o mundo. A busca foi tanta que hoje a ciência já não sabe o que fazer com os Terabytes gerados diariamente em laboratórios, estações remotas e institutos de pesquisa que abastecem planilhas e mais planilhas pelo mundo afora. O quarto paradigma da ciência, ou e-Science, que é como ficou conhecido o problema, colocou em xeque um dos elementos basilares da comunidade acadêmica: o dado em si pode ser considerado ciência?

Tema do próximo lançamento da Oficina de Textos, a e-Science – termo utilizado para se referir a métodos de obtenção de resultados científicos por meio da utilização de computação intensiva – atualmente perfaz um dos maiores desafios da ciência, que é o de conseguir mensurar e associar dados gerados pelos computadores. De acordo Roberto Marcondes, professor do departamento de ciência da computação do IME-USP e supervisor técnico do título no prelo, pesquisas recentes trabalham para a solução do problema. “Cada vez mais grupos de especialistas se debruçam sobre o assunto com o objetivo de criar uma nova tecnologia que seja capaz de entender os dados criados e armazenados em nossos arquivos eletrônicos. É preciso produzir conhecimento novo porque o dado em si não é ciência”, explica.

Ainda segundo o professor, a e-Science propõe uma nova metodologia de trabalho para a ciência. A ideia é encurtar o tempo de análise dos dados e racionalizar a confluência de informações. “Precisamos dar passos largos na mineração de dados”, completa.

No Brasil, diversas infraestruturas para e-Ciência (também chamada de e-Infrastructures ou Cyberinfrastructures) estão sendo desenvolvidas. Entre as mais conhecidas, pode-se citar o SINAPAD – Sistema Nacional de processamento de alto desempenho –, uma rede de centros de computação de alto desempenho, geograficamente distribuídos, instituída pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). São oito unidades, denominadas “Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho” (CENAPADs), operadas respectivamente pela UFRGS, UFMG, UFC, Unicamp, UFRJ, UFPE, INPE e LNCC. Este último coordena o sistema por delegação do MCT.

 

O Quarto Paradigma – título no prelo

No século XXI, a maior parte do vasto volume de dados científicos capturados todos os dias por modelos computacionais deverá permanecer para sempre num estado submetido a curadoria e acessível ao público para análise contínua, o que resultará no desenvolvimento de muitas novas teorias. É o que defende Jim Gray, autor de The Fourth Paradigm, título traduzido pela Oficina de Textos, com lançamento marcado para julho deste ano. Para Gray, seria necessário o estabelecimento de modernos arquivos de dados e documentos, que seriam comparáveis às bibliotecas tradicionais.

O Quarto Paradigma será a primeira obra a tratar do assunto no Brasil. Acompanhe pelo Comunitexto e também pelo twitter as novidades sobre a obra e saiba mais sobre a ciência que promete agitar o século.

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