Workshop em Barragens – Entrevista com Paulo Cruz e Bayardo Materón

No dia 1º de junho, a Oficina de Textos em parceria com a OPUS PHD, realizará o workshop A Evolução do Projeto das Barragens Brasileiras. O Comunitexto conversou com os engenheiros Paulo Teixeira da Cruz e Bayardo Materón, consultores e desenvolvedores do workshop. Ele nos contaram como será o workshop e o que os participantes podem esperar do evento. Confira!

Comunitexto: Qual a importância de um Workshop de Barragens?
Paulo Cruz: As barragens brasileiras passaram por um período de ouro nos anos 60, 70 e mesmo 80, mas depois sofreram um golpe por falta de investimentos do governo, e só começaram a ganhar fôlego a partir do final dos anos 90, quando começaram os incentivos para entrar na área. Com isto, uma ou mais gerações de engenheiros e geólogos procuraram outros campos de atuação.
Hoje a situação é outra, e é importante contar um pouco da história das barragens para interessar os jovens a se envolverem nessa área da engenharia.
Bayardo Materón: O workshop permite transmitir a gerações novas ou a Engenheiros interessados no tema experiências de projeto e construção de barragens e a evolução durante vários anos.

Quais as novidades sobre o conteúdo abordado no evento?
BM: Contaremos sobre experiências de acidentes durante a construção e a forma de corrigir o projeto e construção em futuras barragens. A experiência Brasileira em barragens de terra e enrocamento está de acordo ao “estado de arte”. É importante transmitir estas experiências ao pessoal que construirá novas barragens no futuro.

Conte-nos sobre a experiência profissional no setor de Barragens e quais os principais avanços no setor nos últimos anos.
PC: É difícil resumir uma experiência de mais de 50 anos, porque comecei a trabalhar na área ainda como assistente aluno em 1956, na Geotécnica.
Tive a felicidade de trabalhar com pessoas como o Victor de Mello, reconhecido internacionalmente por sua atuação na construção e manutenção de barragens e participação na execução de obras subterrâneas. Tive ainda a sorte de trabalhar em obras da Companhia Energética de São Paulo (CESP), Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Usinas de Itaipu e Tucurui, além de atuar como Consultor em um número expressivo de barragens. Durante 50 anos dei aulas na Escola Politécnica da USP e tive alunos brilhantes que se tornaram barrageiros. Continuo atuando como Consultor e não me arrependo.
BM: Eu tive o privilégio de cooperar no maior número de barragens de enrocamento com face de concreto no Brasil e nas mais altas construídas em vários continentes, como Karahjukar na Islândia, TSQ na China, Bakún na Malásia e em vários países da América e Austrália.

Qual a opinião de vocês sobre a construção da usina de Belo Monte?
PC: A usina de Belo Monte é o maior desafio jamais enfrentado pela Engenharia Brasileira, e também um grande desafio no contexto mundial. Até onde eu saiba não há no mundo obra do mesmo porte.
Fala-se das Três Gargantas da China. Não tenho números comparativos.
No seminário vamos poder mostrar um pouco deste projeto, sem entrar numa discussão ambiental, econômica ou política.
BM: Belo Monte é o maior projeto em construção internacionalmente. Tecnicamente representa um importante desafio construtivo da engenharia.

Para saber mais sobre o workshop, clique aqui.

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